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24.07.2010
Em Pernambuco, solidariedade e música
Texto: Rodrigo Vilar | Fotos: Arquivo Odebrecht

A partir da esquerda, Alceu Valença, Elba Ramalho e Geraldo Azevedo

O Teatro Guararapes, em Olinda, lotado na noite do show

Vejam só o significado: “Condição de grupo que resulta da comunhão de atitudes e de sentimentos, de modo a constituir o apreço numa unidade sólida, capaz de resistir às forças exteriores e mesmo de tornar-se ainda mais firme em face de grande oposição vinda de fora”.

Na segunda metade de junho, em Pernambuco, a “oposição e as forças exteriores” vieram na forma de fortes temporais que desabrigaram mais de 10.500 famílias logo nos primeiros dias de chuva. À época, 12 municípios da região da Mata Sul, a mais atingida, decretaram estado de calamidade pública.

Vimos no início deste post a definição formal de solidariedade; agora vamos passar a um exemplo prático. Alceu Valença, Geraldo Azevedo e Elba Ramalho, dois pernambucanos e uma paraibana, todos artistas consagrados e com forte apego às suas origens nordestinas, decidem se juntar mais uma vez para um Grande Encontro especial, a fim de arrecadar recursos para as vítimas da chuva. O gesto é o ponto de partida para uma reação em cadeia que mobilizou toda a estrutura do show – local onde seria realizado, equipamentos necessários, produção até a divulgação do evento. Centenas de profissionais e também empresas, assim como os artistas, abriram mão da receita e trabalharam para fazer o espetáculo acontecer.

No dia 22 de julho, no Teatro Guararapes, localizado no Centro de Convenções de Olinda, mais de 2 mil pessoas atenderam ao chamado e lotaram o espaço, gerando recursos de R$ 260 mil, já depositados numa conta do Tribunal Solidário, ligado ao Tribunal de Contas do Estado. Se, por um lado, o gesto por si só já era bonito, o que se viu naquela noite foi muito mais que isso. Mestre Alceu deu as boas-vindas, declamou “Pernambuco está unido como uma corrente” e, como para provar, fez do público a sua banda de percussão. Com uma baqueta imaginária na mão, instigou o lado esquerdo da platéia a repetir “te tum te tum, turun tun tu…”. O lado direito: “shi qui ta, shi qui ta, shi qui ta ta ta..”. No meio, palmas “tcha, tcha, tcha tcha tcha”. E Alceu, maestro: “um girassol em seus cabelos, batom vermelho girassol…Tu vens, tu vens, eu já escuto os teus sinais”. Depois disso, só palmas.

O show, com mais de três horas de duração, foi transmitido ao vivo por rádio para os municípios atingidos pelo desastre. Levou, além da ajuda material, um pouco de alegria e ânimo para pessoas que, em muitos casos, perderam o que juntaram em uma vida de trabalho. Agora resta começar de novo. Pelo menos, não estão fazendo isso sozinhos.

*A Odebrecht Infraestrutura, que tem forte presença no estado, prestou socorro emergencial em vários municípios durante as tempestades e ainda permanece trabalhando em alguns dos mais atingidos. Outra iniciativa foi a doação de todo o recurso financeiro que seria utilizado na cerimônia do Prêmio Odebrecht de Engenharia para entidades que trabalham no apoio às comunidades impactadas. No Grande Encontro da Solidariedade, como ficou conhecido o show de 22 de julho, a empresa adquiriu um lote especial de ingressos para distribuição para a imprensa pernambucana.

Postado por: Maria Célia Olivieri
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