Lá em Médanos
O fotógrafo Marcelo Pizzato em ação na tranquila e silenciosa Médanos
20 de janeiro de 2012
São apenas 10 mil habitantes, distribuídos nas áreas rural e urbana do pueblo. As casas estão quase sempre de portas abertas e ninguém se preocupa se o dia já vai chegando ao fim, se as crianças ainda estão na rua ou se o carro ficou estacionado com a chave na ignição. Mas é à noite que o povoado de Médanos, a 45 km da cidade de Bahía Blanca, no sudoeste da Província de Buenos Aires, mais impressiona o visitante – pelo menos aquele visitante que, como o fotógrafo Marcelo Pizzato e eu, mora em grandes cidades.
Por causa do silêncio.
Fomos a Médanos para fazer uma reportagem, publicada na Odebrecht Informa 158, sobre a implantação no povoado de uma ecoplanta, equipamento utilizado para a separação de resíduos a serem enviados à reciclagem. Ficamos hospedados em uma pousada bastante frequentada pelo pessoal da Odebrecht que trabalha na construção da Planta Compressora de Gás Rio Colorado, parte do Projeto de Ampliação de Gasodutos, em execução pela Odebrecht em vários pontos do território argentino.
É um silêncio que pode até atordoar. Que o diga Diego Casarin, engenheiro da Odebrecht responsável pela obra da planta compressora. Sua residência fica em Buenos Aires. Nos primeiros dias da obra, logo que ele chegou a Médanos – e ainda hoje, quando retorna ao povoado depois de algum tempo na capital – tem dificuldade para dormir, tamanho é o silêncio.
Nós, moradores das metrópoles, nos esquecemos de como é conviver com o silêncio, se é que, algum dia, já tivemos verdadeiramente essa experiência. Acostumamo-nos ao barulho da urbe e perdemos (ou jamais desenvolvemos) intimidade com os sons da natureza: o vento batendo na copa da árvore, a fruta caindo na relva molhada pela chuva, o assobio do pássaro, a água correndo no riacho.
De volta ao dia a dia de buzinas, sirenes, alarmes e freadas bruscas, percebo o quanto nós, habitantes dos grandes centros urbanos, estamos deixando de compreender o idioma da natureza. Na maioria dos casos, não há muito o que fazer: vivemos nas grandes cidades porque é onde está nosso trabalho, nossa casa, nossa vida. Mas de tempos em tempos faria muito bem a todos nós reencontrarmos o silêncio, mesmo que seja apenas para confirmarmos que nem tudo na vida é feito de som e fúria.
