Diversificação: uma história
de muitos caminhos
Ponte Rio-Niterói, operada
pela concessionária Ponte S.A.
A implantação da Saici no final dos anos 40 trazia em si o germe da diversificação e iniciava um processo que permearia a história da Odebrecht a partir dali. Assim, no início dos anos 50 seria criada a Simla – Sociedade Industrial de Máquinas Ltda., destinada à recuperação e manutenção de máquinas e equipamentos. A empresa nasceu da experiência adquirida por Norberto Odebrecht na juventude, em contato direto com as oficinas da empresa paterna, quando a residência da família dividia o espaço com áreas de apoio da Construtora.

Dois anos mais tarde, em 1952, era constituída a Contral – Construtora de Estradas Ltda. e, no ano seguinte, a Star, que também atuaria no setor de pavimentação rodoviária. Mas as experiências, determinadas pela atividade construtiva crescente, não paravam aí: ainda no contexto da Saici nasceria a Navebal, voltada para a navegação; para tratar de instalações hidráulicas e elétricas foi criada a Stencia; e ainda a Comeba – Companhia de Melhoramentos da Bahia, que se dedicava a empreendimentos imobiliários.

Acompanhando a história da Odebrecht foram nascendo, dentro de sua estratégia negocial, uma série de empresas correlatas, com a finalidade de suprir eficientemente a demanda de serviços, tecnologia e matéria-prima da construção civil, não só da CNO, como de outras empresas do setor. Surgiram, assim, a Indústria de Pré-moldados Star, a Cimentopronto, a Prontoferro, a Diferro e a Pedreiras Valéria, entre outras.

Após a criação da OPL, no final dos anos 70, a vocação para diversificar negócios levaria a Organização Odebrecht a desenvolver, nos anos 80, atuação em outros setores, entre os quais o de eletrônica e automação, concretizando uma antiga aspiração de atuar na área de tecnologia de ponta. Isto ocorreu em 1988, quando a Odebrecht adquiriu a CMW Equipamentos Ltda. e sua empresa auxiliar a STL Sistema de Transportes Ltda., empresas com larga experiência nos campos de desenvolvimento de sistemas e equipamento de controle de tráfego para ferrovia e metrovias.

Outras empresas, criadas ao longo da década de 80, ampliaram ainda mais a diversificação dos negócios da Odebrecht. As reunidas sob a sigla Odebrecht Mineração e Metalurgia Ltda. cuidaram da administração de investimentos nos setores de metalurgia, pentóxido de vanádio e ouro. Foram feitos investimentos para a produção de arroz e planejamento e execução de empreendimentos imobiliários.

A Odebrecht investiu ainda no setor de florestamento para produção de papel e celulose. Para isso, cultivou uma floresta de eucaliptos no sul da Bahia e deu início à formação da Veracel Celulose S.A. Atuou também no setor de Infra-estrutura e Serviços Públicos, por meio da OSI – Odebrecht Serviços de Infra-estrutura Ltda., com foco no segmento de rodovias, tendo integrado a CCR – Companhia de Concessões Rodoviárias, empresa que administra e opera algumas das principais rodovias brasileiras, entre as quais a Presidente Dutra (RJ–SP), o Sistema Anhangüera-Bandeirantes (SP) e a Ponte Rio-Niterói.

A Odebrecht não participa mais de nenhuma dessas empresas. Cumpriram seu papel em determinado período e foram desativadas, dando lugar a novos investimentos. Algumas foram vendidas por conta de reorientações estratégicas que mudaram o foco dos negócios. Em outras, a Odebrecht reduziu sua participação para privilegiar investimentos em áreas prioritárias. Embora já não constem da estrutura empresarial, essas empresas têm um lugar especial na história da Organização, como exemplos de sua capacidade de conceber e viabilizar negócios bem-sucedidos, levá-los à maturidade e desimobilizá-los em momentos de redirecionamento estratégico.