A compreensão do sentido de liderar

  • Bruno (à esquerda) e Gilberto: atuação em diferentes programas e ambientes vem possibilitando a cada um deles oferecer uma contribuição qualificada para o crescimento da BPC

    Bruno (à esquerda) e Gilberto: atuação em diferentes programas e ambientes vem possibilitando a cada um deles oferecer uma contribuição qualificada para o crescimento da BPC


texto Cláudio Lovato Filho
fotos Ricardo de Sagebin

Eles passaram por experiências diversificadas e marcantes nos canteiros de obra, o que contribuiu de forma decisiva para sua formação como líderes

Muito antes de descobrir o significado deste conceito, Bruno André Jimenez Medeiros já era uma pessoa do mundo. Nascido em Bruxelas, em 1973, filho de pai português e mãe espanhola, mudou-se com a família, aos 3 anos de idade, para Moçambique. Viveu em Maputo por 10 anos e, então, regressou à Bélgica, onde morou mais quatro anos. Depois disso, Portugal. Em Coimbra, em 2001, formou-se engenheiro civil. Naquele ano, ingressou no Programa Jovem Parceiro da Odebrecht – Bento Pedroso Construções (BPC). Mal sabia que sua vida de cidadão do planeta estava a ponto de ser retomada, agora com sua completa compreensão do que isso significava.

Pela Odebrecht, depois de atuar em obras em Portugal, Bruno foi para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, e para Djibuti, na costa leste da África. Experiências decisivas para seu desenvolvimento pessoal e profissional. De volta a Portugal, assumiu, em maio de 2009, a liderança das obras do IC 32 – Subconcessão do Baixo Tejo, projeto viário na região metropolitana de Lisboa. De Jovem Parceiro a Diretor de Obra, Bruno vem tendo, na Organização, uma trajetória capaz de inspirar os jovens que buscam aproveitar, da melhor forma possível, suas oportunidades de crescimento.

Em setembro de 2001, Bruno estava com um posto de trabalho garantido em uma empresa espanhola. Ele já havia passado pelas entrevistas para ingresso no Programa Jovem Parceiro da Odebrecht, mas o chamado não vinha, e os espanhóis tinham pressa. Até que, quando se preparava para dar uma resposta positiva a eles, o telefone tocou. Era Ênio Silva, da Odebrecht, convidando-lhe para se integrar à equipe que participava da construção da Rodovia A-2, ligação entre Lisboa e o Algarve.

“Era uma obra com logística complexa. Havia muitos desafios, e desafios são oportunidades”, diz Bruno. Ele era responsável por fundações e pilares. Morou dois anos no Alentejo, em um povoado chamado Almodovar. “Nessa obra, com meus líderes, aprendi o quanto é importante ser detalhista e praticar a boa comunicação.”

Outras obras vieram, como a Ferrovia Tunes-Faro e as concessões rodoviárias do norte (Aenor). Experiências que ajudaram a formar um líder. Em 2004, Bruno participou do Programa de Desenvolvimento de Empresários (PDE). Foi seu primeiro contato com a Odebrecht fora de Portugal. Em Salvador, interagiu diretamente com o fundador Norberto Odebrecht e outros líderes históricos da Organização.

A oportunidade de atuar no exterior veio em 2006, em Dubai, em uma obra rodoviária. Depois de um ano nos Emirados Árabes Unidos, transferiu-se para Djibuti. Ali, de início, foi o responsável pela cravação de estacas nas obras do Terminal de Contêineres de Doraleh, no Porto de Djibuti. Pouco tempo depois, tornou-se Responsável pela Produção de toda a obra do cais. Em Djibuti, Bruno teve sua primeira experiência em uma área diferente da de Produção: passou a integrar e depois a liderar o Programa Comercial. “Foi uma nova experiência profissional, uma boa mudança, para a qual eu havia criado as condições”, relata.

Hoje, depois de dois anos à frente da obra do Baixo Tejo, Bruno é grato aos aprendizados que colheu e às oportunidades que recebeu nesses 10 anos de trajetória na Odebrecht. Para ele, nada é mais importante do que formar pessoas. “Esse é o nosso desafio maior”, salienta. Sua equipe direta, composta de seis gerentes, é jovem. O mais novo deles tem 30 anos.

“A convivência com líderes de personalidades diferentes foi importante para a minha formação como líder e como educador”, afirma Bruno. “Eles me deram exemplos fortes. Foram pessoas que me mostraram que, para ser líder de verdade, é preciso estar disponível e se dedicar à tarefa de ajudar as pessoas a se desenvolverem.”

“Somos responsáveis pelos que trabalham conosco”

Um dos líderes de Bruno foi Gilberto Vidal Ramos da Costa. Eles trabalharam juntos nas obras da Aenor. Da mesma forma que Bruno, Gilberto formou-se engenheiro civil em Coimbra, onde nasceu, e ingressou na Odebrecht logo após a conclusão da faculdade, em 1990. Gilberto é hoje o Diretor de Contrato que lidera a construção da Hidrelétrica do Baixo Sabor, no interior do norte de Portugal.

Quando ainda estava na fase de conclusão do curso universitário, Giberto teve seu primeiro contato com a filosofia da Odebrecht. Lembra-se de que ficou fascinado. “Eu havia tido contato anterior com o mercado, mas a Odebrecht era diferente. A forma de gestão descentralizada, a delegação planejada, o foco no cliente, enfim, a cultura empresarial, nada disso tinha a ver como o que eu já conhecia.”

Gilberto chegou a Viana do Castelo, no norte de Portugal, como trainee e integrante do Programa de Engenharia nas obras de construção dos acessos à nova ponte sobre o Rio Lima. Foram cerca de nove meses de uma experiência que marcou para sempre o jovem engenheiro. Depois disso, com a conquista de grandes obras no Porto, mudou-se para lá, de modo a assumir novos desafios. No início de 1995, tornou-se responsável pelas várias obras rodoviárias e ferroviárias na região do Porto, com destaque para a construção do Anel Viário da cidade. “A construção de uma autoestrada dentro de uma cidade é sempre uma obra de grande complexidade”, diz Gilberto. Naquele mesmo ano, foi convidado a participar das comemorações dos 50 anos da Organização Odebrecht, em Salvador. “Foi um momento marcante”, ele relembra.

O período foi de muitos aprendizados para Gilberto. “O contato direto com o cliente me fez entender melhor a relação acionista-cliente. Foi uma oportunidade que tive de mostrar aos nossos contratantes como a Odebrecht era diferente e que iria apoiá-los e satisfazê-los em todas as suas necessidades. Isso agregou muito à minha formação.”

Em 1998, já como Diretor de Contrato, Gilberto passou a participar da fase embrionária da atuação da Odebrecht em concessões rodoviárias em Portugal. Era uma época em que os governos começaram a investir fortemente em concessões como forma de viabilizar economicamente grandes projetos. A participação de Gilberto nesse campo possibilitou-lhe ampliar a visão profissional e aprimorar-se como empresário. De forma semelhante ao que ocorreu com as concessões, Gilberto também esteve presente nos primeiros movimentos relacionados ao projeto do trem-bala Lisboa-Madri. É uma atuação empresarial bastante diversificada, ele admite – e comemora. “Precisamos mudar, as mudanças são estimulantes”, enfatiza. “Temos de buscar sempre novos desafios e, sobretudo, jamais estar satisfeitos com os resultados que alcançamos.”

A missão de formar pessoas é o que mais motiva Gilberto. “É preciso conhecer as pessoas, conversar com elas, dentro e fora do canteiro”, salienta. “Somos responsáveis pelas pessoas que trabalham conosco.”

“Mestre, eu não tenho experiência”

De Portugal a Moçambique, para uma outra história de crescimento. Marcos Martins de Camargo, nascido em Araçatuba (SP), formou-se em Engenharia Civil pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) em 1997, aos 23 anos. Naquele mesmo ano, ingressou na Odebrecht como Jovem Parceiro. Desde 2009, ele é Gerente de Construção do Projeto Carvão Moatize, no interior de Moçambique. “Desde o início desta obra, sabíamos que não seria fácil, pois, além de estarmos entrando em um novo país, trabalhamos em uma região remota, a 1.500 km da capital, Maputo.”

Um fato no início da trajetória de Marcos na Odebrecht pode ajudar a explicar por que ele está hoje em condições de superar os desafios que enfrenta em Moçambique. Em 1999, aos 24 anos, ele assumiu como engenheiro de produção no projeto de Canalização do Rio Cabuçu de Cima, em Guarulhos (SP), uma obra realizada no meio de favelas por onde passaria o canal. “Eu estava em um momento em que o que mais importava era obter conhecimento. Eu tinha um líder comprometido com a minha formação e dois mestres de obra que tinham mais tempo de empresa que eu de idade. Eu disse a eles, em conversas particulares: ‘Mestre, não tenho experiência neste tipo de obra, mas estou aqui para apoiá-lo’. Depois disso, uma relação de confiança se consolidou, a ponto de, cinco anos depois, eu levar um deles comigo para Angola.”

Marcos chegou a Angola em junho de 2003, para assumir  a Gerência de Produção nas obras do Condomínio Atlântico Sul, em Luanda. “Encarar o desafio de ir para Angola foi a melhor decisão que eu poderia ter tomado no meu início de carreira”, ele afirma. “Quando cheguei, o país vivia a fase final dos conflitos armados e estava com sede de crescimento. A experiência em Angola me fez perceber como as pessoas da Organização, com base em sua filosofia, se adaptam a novos ambientes e situações, e fazem acontecer.”

Em 2005, Marcos participou do PDE, segundo ele “uma experiência única, com uma energia excepcional por causa de toda a troca de experiências entre pessoas de diferentes gerações”. Munido da experiência inicial em Guarulhos, dos anos passados em Angola e do reforço do PDE, Marcos fez as malas e rumou para Moçambique. “É um orgulho fazer parte de um projeto pioneiro e sentir o quanto ele é importante para o progresso do país, ao gerar um impacto significativo para uma região antes sem grandes investimentos.”

Convidado a deixar uma mensagem aos jovens que estão ingressando agora na Organização, diz: “Pode parecer óbvio, mas pratiquem a TEO. Entendam que a Organização parte do princípio da confiança no ser humano e, por isso, delega, dando-nos liberdade para sempre irmos em busca do que é certo. Não podemos ter medo de errar, pois a empresa precisa de pessoas de caráter e coragem”. Gilberto Costa reforça: “Conheçam a Organização, identifiquem-se com seus valores e dediquem-se a estar sempre insatisfeitos com os resultados alcançados”. Bruno Medeiros finaliza: “Estejam sempre prontos para mudar (e se mudar, acrescenta, de maneira bem-humorada). Obtenham conhecimento, sobretudo com a vivência cotidiana do trabalho e da vida e com o contato com as pessoas”.