Garra em campo
Coordenar equipes e transmitir a elas a ideia de que crescer depende de assumir desafios maiores: é o que fazem Johnny e Franyine em Puerto La Cruz e Caracas
Enquanto no sul da Venezuela Johnny Alberto Gamboa, 50 anos, é o Responsável pela Sala Técnica de Engenharia nas obras da Hidrelétrica Manuel Pilar (Tocoma), em um dos afluentes do Rio Orinoco, no norte do país, em Caracas, Franyine Alcala, 31 anos, lidera a Sala Técnica de Engenharia na construção do Metrô a Cabo de Mariche e do Trem Aéreo Bolivariano.
Pela diferença de idade, poderia-se supor que ambos tivessem estilos diferentes de gestão. Mas os dois, apesar de serem de gerações distintas, comungam de uma mesma filosofia de trabalho e de vida: a Tecnologia Empresarial Odebrecht (TEO). São ávidos por novos desafios e participam de uma corrente de transmissão de conhecimento que forma novos líderes.
Educador nato
“Gamboa”, diz seu líder direto, o engenheiro Mauro Leite Martins, “é um líder-educador nato”. Engenheiro mecânico formado pela Universidade de Oriente, de Puerto de La Cruz, Gamboa traz na bagagem a experiência de quem já trabalhou no lançamento de tubulações para transporte de petróleo para a PDVSA, estatal de petróleo venezuelana, na construção de uma fábrica de cimento e nos projetos de duas pontes sobre o Rio Orinoco.
Mauro Martins resume: “Gamboa treina e prepara as pessoas com muita paciência e faz questão de repassar a cultura da empresa à sua equipe”. Também sabe ser firme na cobrança de resultados. Mas é no nível do relacionamento pessoal com Gamboa que Martins reserva o maior elogio: “Ele é o meu irmão venezuelano”. A parceria dos dois teve início nos projetos da segunda e terceira pontes sobre o Orinoco e agora segue em Tocoma.
Os dois engenheiros alimentam uma admiração mútua. O venezuelano, que eventualmente substitui Martins na Engenharia da hidrelétrica, faz questão de se referir ao líder com afeto. “Aprendi com ele técnicas de engenharia e condução dos negócios. Mas, o mais importante, é que ele me mostrou como enfrentar situações de vida”, conta, referindo-se, sobretudo, ao relacionamento com colegas, liderados e líderes. “Sigo seu exemplo”, assegura Gamboa, com orgulho.
À frente de uma equipe de 33 pessoas, Gamboa tem a responsabilidade de manter o ritmo da obra. Ele e sua equipe elaboraram os planos e desenhos para a execução da obra, na qual o trabalho é realizado sem interrupções, 24 horas por dia, sete dias por semana. É sua equipe que detalha as especificações de dutos, armações, formas, pré-moldados, parte elétrica, carpintaria e outros serviços que norteiam os colegas no campo de trabalho.
A hidrelétrica, também conhecida como Tocoma, é um investimento de US$ 2 bilhões e deverá converter a força do Rio Caroní em 2.160 MW. A obra é realizada por um consórcio de três empresas – Odebrecht, Impregilo (Itália) e Vincler (Venezuela). Johnny Gamboa é um dos profissionais da Odebrecht que faz a interface com integrantes das outras duas empresas, administrando as diferenças culturais.
Com a equipe, algumas rotinas tornam os resultados mais eficientes. “Tenho reuniões diárias com meu líder e meus liderados”, diz. E semanais com o seu Diretor de Contrato, José Carlos Prober. Um calculista avaliado por Mauro Martins como excepcional, Gamboa dedica 40% do seu tempo a coordenar sua equipe. “Tenho líderes intermediários que também coordenam suas equipes”, diz. Ele admira as novidades no processo de formação de seus jovens liderados, que dominam ferramentas sofisticadas de computação. “Quando me formei, tinha de fazer todos os cálculos à mão. Hoje, um cálculo que demorava três dias é feito em três horas”, exemplifica.
Em seu entendimento, todos os integrantes de sua equipe devem saber fazer um pouco de tudo: calcular, especificar, identificar materiais, desenhar. Para ele, uma das prioridades cotidianas é ouvir e identificar as necessidades e expectativas da equipe. “Procuro ver o potencial de cada integrante, ampliar suas habilidades, mas reafirmar seu conhecimento específico”, diz Gamboa. Ele destaca a importância de prestigiar o liderado dando a ele oportunidades crescentes de realizar – sempre com acompanhamento.
Complexidade “desmistificada”
Foi o que ocorreu com Franyine Alcala. Ela fazia parte da equipe de Gamboa na construção da Terceira Ponte sobre o Rio Orinoco. “Com ele, aprendi a me organizar, pois me delegou muita responsabilidade”, lembra-se a jovem, elogiando a paciência do antigo líder.
Franyine, hoje com oito anos de Odebrecht, diverte-se ao dizer que o que Gamboa executava lhe parecia fácil. “Ao me preparar, ele desmistificava a complexidade da Sala Técnica. Hoje acho que ele me enganou”, afirma, rindo. Para ela, o que mais pesa na sua função não é o trabalho em si, mas a noção da responsabilidade que o envolve. Por exemplo, o projeto de Mariche – que normalmente levaria dois anos e meio para ser concluído – deverá ser entregue em menos da metade desse tempo.
Segundo Antonio Luiz Souza, Responsável por Engenharia nas obras do Metrô a Cabo, Franyine, à frente de um time de 15 pessoas, tem um perfil estruturado tanto por sua boa formação acadêmica quanto pelo aprendizado adquirido nos projetos das pontes sobre o Rio Orinoco. “Ela começou como estagiária e logo se destacou”, conta. Souza salienta, entre as qualidades da jovem engenheira, a organização, a motivação e a humildade.
“O que realmente tenho a oferecer é a minha energia e a capacidade de ação”, diz ela. “Sou a primeira que chega, a última que sai”, garante, de bom humor. Franyine procura conhecer o que falta para cada um de seus liderados e descobrir soluções para suas carências. E ressalta sempre aos seus liderados a importância social das obras para os venezuelanos.


