Relatos inspiradores


texto Rodrigo Vilar

Líderes empresariais e conselheiros falam de momentos, desafios e apredizados especialmente significativos em sua trajetória na Organização

Esta reportagem apresenta o exemplo de seis integrantes da Odebrecht que iniciaram suas carreiras na Organização ainda jovens e construíram histórias emblemáticas de aprendizado, realizações e crescimento. Os líderes empresariais Carlos Fadigas (Braskem), Benedicto Júnior (Odebrecht Infraestrutura) e Euzenando Azevedo (Odebrecht Venezuela), e os conselheiros Luiz Villar, Renato Baiardi e Pedro Novis têm trajetórias distintas, mas todas elas marcadas pela completa e, por isso, simbólica comunhão com os valores e princípios da Tecnologia Empresarial Odebrecht (TEO).

Da sala de aula para um grande desafio empresarial

Carlos Fadigas, recém-formado no curso de Administração de Empresas, tinha 22 anos quando começou a trabalhar, em 1992, na Odebrecht Química, como analista de investimentos, em Salvador. “Éramos um grupo muito pequeno na holding de petroquímica , pois tínhamos apenas participações minoritárias em algumas empresas”, relembra. No entanto, exatamente nesse período, teve início a privatização do setor e a Odebrecht – com a liderança de Alvaro Cunha – adquiriu o controle de duas empresas petroquímicas, a PPH e a Poliolefinas.

Era o início da atuação da Odebrecht como operadora na área química. Com a nova etapa, Fadigas mudou-se para São Paulo, onde assumiu o Programa de Planejamento da recém-criada OPP. Em pouco tempo, o jovem administrador saía da sala de aula da faculdade para assumir um importante desafio empresarial, que lhe permitiu participar, como assessor, de reuniões da qual participavam Emílio Odebrecht (na época Diretor-Presidente da Odebrecht S.A. e hoje Presidente do Conselho de Administração da empresa), Gilberto Sá (então Diretor Financeiro da holding e hoje integrante de seu Conselho de Administração) e Alvaro Cunha (então Presidente da OPP).

“A discussão nesses encontros era sobre qual deveria ser a estrutura empresarial do setor petroquímico no Brasil: se a segunda geração iria comprar as empresas de primeira geração; se nós teríamos dois players nacionais e três internacionais; se o setor seria dominado por empresas nacionais; qual seria o papel do BNDES… Enfim, estava na mesa onde o futuro do setor químico brasileiro estava sendo construído”, recorda Fadigas.

Segundo ele, seu início de carreira é um exemplo prático de como a Organização, de um jeito muito sincero e próprio, confia e delega responsabilidade aos seus integrantes. “Depois disso, você não consegue mais pensar pequeno. Acabei me condicionando a enxergar o todo, sempre.”

Nessa fase, assim como nas seguintes, Fadigas contou com o apoio de líderes. “O Alvaro Cunha sempre foi educador e, apesar de não me reportar diretamente a ele, tinha uma interação muito forte com ele.” Para ilustrar, Fadigas conta uma passagem, quando identificou alguns fatores de risco que considerava importantes e fez uma apresentação para expor a situação ao Conselho da área Petroquímica. Caprichou no detalhamento, mas deixou de lado as soluções. Naquele momento, ouviu de Alvaro Cunha e nunca mais esqueceu: “Você quer que a gente fique surpreso, espantado? Mas o que deve ser feito, qual é a solução? Nunca mais apareça aqui com um problema e sem uma sugestão de solução.”

A lição foi passada em tom amistoso e com uma dose de humor, mas a mensagem era clara. “Esse é outro traço importante de líderes com quem trabalhei. Bom humor e, sobretudo, otimismo.” Alguns anos depois, conviveu com Marcelo Odebrecht, na época Vice-Presidente de Investimentos da área Petroquímica e hoje Diretor-Presidente da Odebrecht S.A. Em 2002, Marcelo convidou Fadigas para trabalhar na área financeira da Construtora Norberto Odebrecht (CNO), onde passou a ser Diretor em 2004. “Sempre me chamou a atenção no Marcelo o seu otimismo. Essa é uma característica muito forte e um ensinamento que trago sempre comigo. Ser empresário é acreditar. Antes de construir, você precisa acreditar”, enfatiza.

Emílio Odebrecht também foi uma importante referência na sua formação. Chamava a atenção de Fadigas a dinâmica de pensamento e ação, além do jeito cativante de liderar. “Dr. Emílio, de uma forma muito pessoal e carismática, sempre provoca as pessoas a irem cada vez mais longe, pensar cada vez maior. Assim como com Alvaro Cunha, minha relação com ele era de inspiração.”

Aos 41 anos, Líder Empresarial da Braskem, Fadigas afirma: “Sempre acreditei no poder de realização das pessoas, que somos plenamente responsáveis pela construção do nosso destino, e que precisamos saber o que queremos”. Para ele, a confiança, a delegação planejada e a parceria desenvolvem e fortalecem esse tipo de sentimento nas pessoas. “Hoje, olhando para esse passado recente, percebo que duas coisas foram muito importantes na minha trajetória: os líderes que tive e a aderência dos valores pessoais que recebi de meus pais com os da TEO”, enfatiza.

O tempo e a presença dedicados pelos líderes

Da petroquímica para a engenharia. Década de 1980. Aos 25 anos, Benedicto Barbosa da Silva Júnior ingressava na Odebrecht por meio da Companhia Brasileira de Projetos e Obras – CBPO. Essa história teve início graças a uma apresentação sobre o programa de trainee da empresa, realizada na Escola de Engenharia de Lins (SP), onde ele estudava. Na oportunidade, ficou impressionado com a forma como a CNO estruturava o crescimento e desenvolvimento dos seus integrantes. “Era para mim uma visão diferente de como se relacionar com as pessoas“, explica.

De início, ficou seis meses no escritório central da empresa em Osasco (SP), no Setor de Orçamentos e Custos, apoiando a elaboração das propostas. Logo depois, foi para a Barragem dos Flores, um projeto de contenção de enchentes, no Maranhão. “Foi uma experiência bastante rica, que durou quatro anos. Ali percebi que tudo o que eu vi no escritório, no setor de proposta, se materializava dentro do canteiro.”

Em três anos, Júnior, como é chamado pelos colegas de longa data, passou de trainee a diretor de contrato. “Passei por todas as áreas: primeiro comercial, depois equipamentos, produção e engenharia”. Para ele, foi o momento de assimilar uma visão abrangente do negócio, além de aprender a se relacionar e dar resultado como liderado ao mesmo tempo em que passava a liderar. “Esse crescimento se deve à minha vontade de trabalhar e aos meus líderes, que dedicaram tempo e presença para me formar. Tive a sorte de trabalhar com Pedro Novis, Renato Baiardi e Getúlio Giacóia. Agora tenho contato com o Marcelo Odebrecht, que complementa minha visão empresarial com seu arrojo.”

Em meados de 1988, o jovem Benedicto foi para o Rio de Janeiro, de modo a assumir o setor comercial da Linha I do Metrô de Copacabana. “Saí de uma obra de R$ 100 milhões para uma de R$ 400 milhões, com grande complexidade, em área urbana e de alto risco, que requeria um relacionamento muito próximo com a comunidade.” Destacou-se e rapidamente assumiu novas e maiores responsabilidades. Em dois anos, chegava novamente a diretor de contrato. “Essa obra para mim foi um teste de fogo, na qual aprendi muito e me qualifiquei para desafios ainda maiores”, relata. Com o aprendizado adquirido, foi participar da construção da Usina Hidroelétrica de Xingó, na divisa de Sergipe com Alagoas, assumindo a Gerência de Administração Contratual.

Então chegou o momento de partir para o mundo. Em 1993, aos 33 anos, seguiu para a China, onde trabalhou o mercado para a construção da Usina Hidrelétrica Tiangsianqiao, e, um ano depois, assumiu o mercado do Sudeste Asiático, como diretor executivo. “O prestador de serviço precisa ser humilde na sua essência. A experiência no exterior nos ajuda nesse sentido”, ensina. Hoje, como Líder Empresarial da Odebrecht Infraestrutura, ele se lembra disso o tempo todo.

Para Benedicto, uma das coisas que atraem o jovem no modelo da Odebrecht é que, com base em um planejamento, a empresa delega, transferindo responsabilidade e autoridade no programa pactuado. “Quando o jovem se adapta, ele fica. Aqui, independentemente do nível hierárquico, as pessoas interagem para buscar o que é o certo. É importante que o integrante perceba que tem espaço para crescer e provoque seu líder para que as oportunidades sejam dadas. Não dá para ficar esperando.”

Sobre a importância de preparar as novas gerações, Benedicto diz que a formação de pessoas está na essência da empresa e que o papel mais nobre do líder não é o de buscar negócios diferenciados e sim o de transferir o que aprendeu para a geração que vai sucedê-lo. “Nós estamos conduzindo uma Organização que, na geração anterior à nossa, superou desafios que muitos acreditavam ser impossíveis. Então hoje, nós temos a responsabilidade de preparar os jovens que irão nos suceder e conduzir a Organização a um patamar ainda mais elevado e solidificado.”

Convites que mudam uma vida

Euzenando Azevedo, Líder Empresarial da Odebrecht Venezuela, lembra-se bem do dia que terminou sendo o mais decisivo para seu ingresso na então Construtora Norberto Odebrecht, há 35 anos. “Quase um ano e meio depois de me formar em Engenharia Civil, em Pernambuco, fui chamado pelo Gerente de Contrato Girleno Gadelha Cordeiro para uma entrevista no escritório da empresa em Recife”, conta. O encontro aconteceu no início da noite e correu bem. Porém, já no fim da conversa, ele foi surpreendido por Girleno: “Gostei da entrevista, mas só vai servir para algo se você for comigo amanhã para uma obra em Maceió. Você pode estar às 5 horas no aeroporto?” Aos 23 anos, de origem humilde e vindo de uma cidade com menos de 5 mil habitantes no interior de Pernambuco, Euzenando não conseguiu esconder o choque. Então veio a provocação de Girleno. “Se você quer assumir desafios na sua vida adulta, esse é o primeiro.”

No dia seguinte, uma terça-feira, às 4 horas da manhã, lá estava Euzenando no Aeroporto dos Guararapes. “Evidente que na noite anterior não dormi, ansioso para saber o que ele queria comigo”, relata. Pegaram um avião rumo a Maceió. No caminho, conversaram sobre família e outros assuntos fora do âmbito profissional. Chegando ao destino, encaminharam-se a um terreno onde havia um barracão de madeira. Girleno pediu para o porteiro chamar o encarregado de obra e o encarregado administrativo financeiro. Para o espanto de Euzenando, ele foi apresentado à equipe da seguinte forma: “Este é o novo gerente de obra”.

Assim começou a história de Euzenando na Odebrecht, trabalhando com Girleno Gadelha na equipe do Diretor-Superintendente, Murilo Martins. A obra era a construção de um edifício residencial para a Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil – Previ. A empreitada foi um sucesso e durou um ano e meio. “Já era casado, e minha esposa estava grávida de sete meses do nosso primeiro filho quando a obra estava terminada”, conta. Depois disso veio a construção de uma nova unidade das Lojas Americanas, também em Maceió.

Na sequência, após concluir alguns projetos na cidade, Murilo Martins – a quem Euzenando já estava ligado diretamente – convidou-o a assumir um programa em Fortaleza. “Aprendi com Murilo a enxergar o macro, mas sem perder os pontos focais, as pequenas particularidades, que podem fazer a diferença entre o êxito ou o fracasso”, diz.

Em 1984, já como Gerente de Contrato e com 32 anos, identificou uma oportunidade para a empresa no Rio Grande do Norte. Com o sinal verde de seu líder, Euzenando ganhou ainda um reforço de peso. “Murilo colocou para me apoiar Laerte Rabello (falecido em 2000), então Responsável por Desenvolvimento de Negócios, que foi um grande professor e a quem eu devo toda a minha capacidade de relacionamento e negociação com cliente”, enfatiza. Juntos conquistaram o contrato do porto e seguiram acreditando no potencial do mercado potiguar. Reconhecido pelo desempenho, Euzenando assumiu também o desenvolvimento de negócios no Piauí e no Ceará.

Em 1994, ele aceitou uma missão que mudaria sua vida e que lhe foi confiada pelo então Líder Empresarial Renato Baiardi: negociar, na Venezuela, a dívida de um contrato de construção de um grande centro comercial, o Centro Lago Mall, que havia sido interrompido com a extinção do Banco de Maracaibo. Após a operação, deveria encerrar as atividades da construtora no país. “Foi minha primeira viagem para fora do Brasil. Cheguei em Caracas no dia 23 de abril 1994, estava sozinho, mas tinha na minha bagagem o conhecimento que Laerte e Murilo tinham me passado”, relembra.

Euzenando não tinha domínio algum da língua espanhola e passou a estudar o idioma e o país até oito horas por dia. Depois de um tempo conhecendo as particularidades locais e já falando espanhol, chegou à conclusão de que a Venezuela era uma terra promissora para a Odebrecht. Ele estava convencido de que a empresa podia não apenas encontrar uma forma de receber o que lhe era devido, mas também finalizar a obra do centro comercial. Demonstrou isso a seu líder Renato Baiardi e, a partir daí, sua missão seria a de ficar no país e desenvolver o mercado. “Recebemos todo o dinheiro devido e, mais adiante, passamos a conquistar contratos no interior do país e em Caracas, obras que contam a nossa história na Venezuela.”

As obras no Metrô de Caracas, iniciadas em 1998, são um marco na atuação na Venezuela, pois garantiram a sobrevivência e possibilitaram o crescimento da Organização no país. Euzenando é grato àqueles que lhe apoiaram, indicaram caminhos e inspiraram seu estilo de liderança. “Se tive três grandes professores na minha vida, esses foram Murilo Martins, Laerte Rabello e Renato Martins. Com Baiardi eu tenho um sentimento de gratidão, pois mesmo sem ter tido convívio direto, ele acreditou na minha capacidade.”

Em 2011, Euzenando completou 17 anos vivendo em Caracas, onde se considera integrado e feliz. “Consolidamos a atuação e estamos há um bom tempo entre os mercados mais importantes da Organização, atuando como uma empresa local que entende, respeita e incentiva a cultura venezuelana”, sublinha. Ao olhar para trás, o engenheiro pernambucano considera-se realizado. “Em nenhum momento me questionei sobre aquela decisão de entrar no avião com Girleno Gadelha, em 1977, e ir para Maceió. Venho sempre trabalhar com aquela mesma motivação do primeiro dia.”

Três companheiros de geração

“A geração da qual faço parte é privilegiada, pois teve a oportunidade de conviver, no cotidiano, com o fundador da Organização e conceituador da TEO, Dr. Norberto”, explica Luiz Villar, integrante do Conselho de Administração da Odebrecht S.A. Junto com ele, fazem parte dessa mesma geração outros dois membros do Conselho: Renato Baiardi e Pedro Novis.

Em 1969, ainda cursando a Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia, Luiz Villar integrava um grupo de jovens engenheiros recrutados por Norberto Odebrecht e que teve a responsabilidade de absorver a experiência dos mestres de obras, muitos deles formados por Emílio Odebrecht, pai de Norberto, e que estavam chegando à idade de aposentadoria.

Logo que começou a trabalhar, Villar percebeu que as atitudes e postura trazidas de casa, como o espírito de servir e a busca do autodesenvolvimento, tornaram natural seu alinhamento com a Organização. “Quando ingressei na empresa, ainda estagiário, encontrei o ambiente perfeito para fortalecer esses dois conceitos e praticar um terceiro, o da parceria. Mais tarde, vim a entender a completa dimensão da parceria, que envolve também uma comunhão sobre valores e comportamentos.”

Seu primeiro líder foi Alípio Lima, hoje Conselheiro Consultivo da Organização. Segundo Villar, Alípio sempre foi uma pessoa muito sensível e preocupada em desenvolver as pessoas. Suas conversas eram mais sobre comportamentos e valores que sobre engenharia. Outra qualidade era a de facilitar o contato direto com Norberto Odebrecht, que dava seu apoio em questões mais complexas.

“Lembro-me de que, aos 22 anos, eu estava à frente de um empreendimento importante para a Bahia e para a Organização: as obras civis da Usiba. Nessa época, fui chamado para ter uma primeira conversa com Dr. Norberto, após uma visita que fez às obras, sem a presença de Alípio. Não lembro mais o motivo, mas aconteceu de eu discordar dele, e Dr. Norberto não usou nem a autoridade do mais velho, nem do mais experiente, nem do dono da empresa, usou apenas sua paciência de educador. Não me recordo que tese prevaleceu, mas essa postura generosa e de permitir a contestação me marcou muito. Aprendi que criar o ‘clima’ é uma responsabilidade do líder-educador.”

O início da vida profissional de outro jovem estudante de engenharia, Renato Baiardi, também foi de fácil adaptação.  Baiardi tinha um primo que trabalhava na Odebrecht e, perante a família, o parente era o símbolo do profissional bem-sucedido. “Então minha mãe sempre dizia que eu tinha que trabalhar na mesma empresa. Como meu pai conhecia Dr. Norberto, não foi difícil entrar na Organização, em 1967, ainda como estudante.” Na época, para Baiardi, a empresa já era completamente diferenciada de todas as outras. Segundo ele, enquanto as demais construtoras eram fortes em equipamentos e patrimônio físico, a Odebrecht era forte em patrimônio humano e filosofia.

Assim como o amigo Luiz Villar, com quem trabalhou em obras importantes, como o Aeroporto do Galeão e a Usina Nuclear de Angra I, Renato Baiardi teve, desde o início, uma contribuição bastante relevante de Norberto Odebrecht na sua formação. “Tive a felicidade de, nos primeiros 12 anos de carreira, conviver de maneira muito próxima com Norberto Odebrecht, na mesma época em que acontecia a conceituação e sistematização da nossa Tecnologia Empresarial”, relata.

Baiardi lembra com carinho um dos seus primeiros encontros com o fundador, quando ouviu: “O importante não é quem está certo e sim o que é certo”. O jovem recém-chegado identificou-se com esse tipo de valor e viu a oportunidade de aprender e se desenvolver profissionalmente na empresa. “Já nessa época, Norberto não fazia distinção de idade para delegar desafios. E foi assim comigo porque recebi desafios que acreditava serem maiores que a minha capacidade, mas, ao mesmo tempo, tive mestres e encarregados experientes que me ajudaram muito”, salienta.

Um dos primeiros encarregados, com quem trabalhou e de quem lembra com carinho é o técnico em engenharia mecânica Osmar Macedo, um dos criadores do Trio Elétrico e falecido em 1997. “Era um grande profissional de serralheria e pessoa de grande valor. Lembro-me de que depois do expediente fazíamos uma roda para tocar violão e cavaquinho, que era o momento de descontração da turma da obra”, conta, sorridente.

Quem também aproveitou ao máximo as oportunidades para absorver conhecimento com líderes históricos é Pedro Novis. Então estudante do 3º ano de Direito, ingressou na Odebrecht como estagiário, em 1968. “São 42 anos de trabalho. Fiz minha carreira e tive todas as oportunidades que você possa imaginar que um profissional de jovem a maduro pode ter”, afirma, com orgulho.

Nessa trajetória, ele aponta dois períodos marcantes de sua contribuição: o primeiro, como Líder Empresarial da CBPO; e o segundo, como Diretor-Presidente da Odebrecht S.A., entre 2001 e 2008, quando foi sucedido por Marcelo Odebrecht.

Segundo Novis, ainda como um jovem trainee ele encontrou na empresa um ambiente no qual três aspectos se destacavam: “o primeiro é o da confiança. Essa atitude genuína que permeia toda a Organização, de acreditar no potencial e na capacidade de realização das pessoas e delegar; o segundo é a visão desenvolvimentista, de crescer, contribuir e se renovar; o terceiro é um misto de visão de empresário com certa continuidade do que foi minha vida familiar. Eu venho de uma família de empresários e encontrei na Odebrecht a oportunidade de, mesmo não sendo o controlador, me comportar como se o empresário fosse”.

Uma situação que, de acordo com Novis, mostra com perfeição a figura do líder provocando situações de desenvolvimento para o liderado aconteceu com Norberto Odebrecht. No início dos anos 70, na época em que atuava na área imobiliária, Pedro Novis conduzia um projeto que envolvia um plano diretor ambicioso, direcionado para a região do Iguatemi, em Salvador. Para viabilizá-lo, o jovem precisava adquirir um terreno de um milhão de m ou 100 hectares, que era disputado por outros empresários. Foi então que, com Norberto Odebrecht em férias, Pedro Novis preparou uma oferta irrecusável e convenceu o proprietário a vender o terreno. “Ele aceitou, fechamos o negócio e fui providenciar, no auge dos meus 23 anos, a redação do contrato de compra e venda”, relata.

O documento foi assinado, mas, logo depois, os concorrentes conseguiram identificar brechas e falhas, e convenceram o proprietário a rescindir o contrato, devolver o sinal e fechar o negócio com eles. “E assim aconteceu. Restava a mim comunicar ao Dr. Norberto que eu havia comprado, mas tinha perdido o terreno.”  A partir daí, continuou com a missão de renegociar a área já em posse da concorrência. Depois de um alguns meses de difíceis negociações, fechou o negócio e conseguiu dar sequência aos planos.

“E qual a moral dessa história?”, pergunta o próprio Pedro Novis. “Primeiramente, a delegação que me foi dada e que me levou a um erro. Tive que encontrar formas de superar esse erro e isso custou muito, pois tivemos que pagar um sobrepreço considerável. Mesmo assim, em nenhum momento, Dr. Norberto me questionou de forma depreciativa, me repreendeu ou se mostrou desgostoso pelo fato de a primeira tentativa ter sido frustrada.” Muito pelo contrário, ele diz, as palavras que ouviu foram de apoio e de incentivo.

Para Novis, ficou o ensinamento da segurança e incentivo que um líder transmite e o efeito desses gestos no processo de educação de um jovem que está em busca da maturidade profissional. “Essa é uma atitude que nunca vi ninguém aqui dentro ter com tanta coragem e coerência como teve e tem Dr. Norberto, ao longo de sua vida”, diz. Para o colega Luiz Villar, o caso faz parte do Treinamento em Serviço. “Delegar tem essa necessidade. Tanto o líder quanto o liderado precisam ter coragem e entender que podem existir erros. Mesmo assim, temos o pleno entendimento de que se você aproxima a delegação de quem está prestando diretamente o serviço ao cliente, a decisão adotada sempre será a mais correta.” Renato Baiardi reforça a mensagem: “Os desafios estão cada vez mais complexos. O crescimento sustentável só se dará pela formação de novos e competentes empresários que entendam e pratiquem esses e outros ensinamentos da TEO”.