Biorrevoluções

  • O Professor Gonçalo Pereira, da Unicamp: setor começa a olhar para o futuro

    O Professor Gonçalo Pereira, da Unicamp: setor começa a olhar para o futuro


texto Guilherme Oliveira
fotos Bruna Romaro

Investimento em tecnologia será o grande diferencial no setor de etanol e açúcar nos próximos anos.

As primeiras mudas de cana-de-açúcar chegaram ao Brasil em 1533, trazidas pelos portugueses. Essa escolha despretensiosa da cultura deu-se pela necessidade de Portugal de ocupar o território recém-descoberto. Hoje, o Brasil é o segundo maior produtor do mundo de etanol e o primeiro na produção de açúcar, tendo como matéria-prima o “experimento” português.  O setor de etanol e açúcar oferece oportunidade direta de trabalho a mais de 1 milhão de pessoas e movimenta R$ 50 bilhões por ano.

As próximas revoluções da bioenergia, no entanto, não levarão tanto tempo para se tornar realidade. “O investimento em tecnologia será o grande diferencial competitivo nos próximos anos”, afirma Carlos Calmanovici, Responsável por Inovação e Tecnologia da ETH Bioenergia, área ligada diretamente ao Líder Empresarial. “A tecnologia evolui em uma velocidade incrível; então, temos muitas oportunidades para aproveitar.”

As possibilidades de evolução situam-se ao longo de todo o processo produtivo do etanol e da energia elétrica a partir da biomassa, com resultados esperados para curto e longo prazos. “Geraremos biomassa com maior velocidade e qualidade, com novas variedades de cana, transgênicas ou não, mais adaptadas aos tipos de solo, resistentes a seca e pragas, com maior teor de açúcares e fibra”, explica Calmanovici. Na área industrial, a busca por maior rendimento no processo fermentativo é uma das prioridades dos pesquisadores.

 

Identidade do setor

Na próxima década, novas aplicações para o etanol e novas gerações de biocombustível já serão realidade. “São projetos confidenciais, mas podemos dizer que buscamos constantemente sinergias com outras empresas da Organização Odebrecht e que a ETH terá um papel importante no desenho desse setor até 2020”, diz Calmanovici.

Apesar do “segredo estratégico” em relação aos projetos, o caminho para atingir a excelência é simples: parcerias com os principais geradores de conhecimento do país. Hoje, a ETH mantém convênios para o desenvolvimento de novas tecnologias com instituições acadêmicas como Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), entre outras.

O professor Gonçalo Pereira, Chefe do Departamento de Genética, Evolução e Biogenia da Unicamp, lidera o projeto que tem a ETH como parceira. Ele explicita o foco do estudo: “A transformação do açúcar em álcool é feita por leveduras naturais, selvagens. Estudamos sua estrutura genética para produzir leveduras industriais, que terão maior produtividade nessa conversão”.

Segundo o professor, os institutos detêm o conhecimento, mas quem está inovando é a ETH. “A postura de não se satisfazer com as tecnologias disponíveis e olhar para o futuro é inédita nesse setor, e a ETH está na ponta desse movimento. É uma empresa jovem, que tem a inovação como pilar de atuação.”

Nessa relação, Gonçalo Pereira prevê o sucesso para empresa e academia. “As universidades buscam parcerias como essa. O Brasil tem a cultura de pegar dinheiro e fazer ciência. Nesse ganha-ganha, vamos pegar ciência e fazer dinheiro.” Do lado da empresa, Calmanovici concorda: “Vemos muita competência no meio acadêmico e precisamos maximizar o uso desse conhecimento para agregar valor. O objetivo de crescimento da ETH é ambicioso e a superação desse desafio depende da utilização correta das novas tecnologias, com o apoio dos parceiros. A capacidade de inovar é o caminho para a liderança”.