Enfrenta qualquer parada

  • A Norbe VI no Rio de Janeiro: plataforma irá operar na camada de pré-sal

    A Norbe VI no Rio de Janeiro: plataforma irá operar na camada de pré-sal


texto Rubeny Goulart
fotos Geraldo Pestalozzi

Sistemas da plataforma Norbe VI permitem mantê-la sobre os poços, não importam as condições climáticas, e reduzir o tempo de perfuração.

Nas próximas semanas, assim que começar a perfurar os primeiros poços de petróleo do pré-sal, a plataforma semissubmersível de perfuração Norbe VI, que chegou ao Brasil em março deste ano, estará atuando sob o signo da inovação. A embarcação é operada pela Odebrecht Óleo e Gás (OOG) e conta com um sistema conhecido como atividade paralela, que reduz substancialmente o tempo gasto na perfuração dos poços e pode gerar uma economia para o cliente – nesse caso, a Petrobras – de até US$ 1 milhão por dia. Outro diferencial da unidade, um colosso de aço com altura equivalente a um prédio de 14 andares e com 240 m de comprimento, é o posicionamento dinâmico. Essa tecnologia permite o posicionamento da unidade de perfuração sobre os poços mesmo em condições adversas, relacionadas, sobretudo, a ondas e correntes marítimas.

Adotado por outras operadoras internacionais de plataformas de petróleo, o sistema de atividade paralela foi adaptado à Norbe VI por iniciativa dos engenheiros Herculano Barbosa e José Pitta, da OOG, com o apoio da projetista SBM, da Holanda, a mesma que gerenciou a construção da plataforma. O projeto levou quatro anos para ser concluído e, na versão desenvolvida in house, ficou mais barato que suas congêneres internacionais. Isso sem perder nenhuma das suas vantagens, especialmente as de economizar tempo e melhorar a produtividade na atividade de perfuração. A segunda torre, que é montada ao lado da principal, é mais baixa, permite manuseio independente e, com adaptações, pode ser instalada em plataformas convencionais.

A perfuração de um poço de petróleo ocorre em etapas, por meio de colunas com brocas na ponta que descem a profundidades de até 10 mil m. A cada etapa, o conjunto de perfuração é retirado para a descida de um tubo metálico, o revestimento, que serve para isolar o trecho perfurado, dando estabilidade ao poço e evitando desmoronamentos. Esse revestimento é fixado no local com o uso de pasta de cimento. Na fase seguinte, outra coluna perfura ainda mais fundo e repete-se a sequência, com a retirada do conjunto de perfuração e colocação de novo revestimento, até chegar ao trecho final do poço. A inovação da Norbe VI consiste justamente em reduzir o tempo sequencial do sobe e desce das colunas de perfuração.

Por esse sistema de operação com uma só torre, leva-se até 40 dias para se chegar a uma profundidade de 5 mil metros abaixo da lâmina d’água. Mas o prazo cai significativamente com a atividade paralela. “É possível economizar uma média de oito dias por poço perfurado”, diz Herculano Barbosa, com a experiência de quem participou dos principais projetos de plataformas offshore operadas pela OOG e por sua antecessora, a Odebrecht Perfurações Ltda. (OPL). Segundo ele, enquanto, no sistema convencional, gasta-se cerca de 12 horas para descer e retirar cada uma das seis colunas utilizadas na perfuração, com as torres duplas esse tempo é reduzido praticamente à metade. “Enquanto uma coluna está perfurando, a outra já está descendo”, diz Herculano. “É economia de tempo, dinheiro e trabalho.”

Projetada para operar em até 2.400 m de lâmina d’água e perfurar poços na profundidade de até 9 mil m, a Norbe VI é uma plataforma semissubmersível, que navega com autopropulsão e, portanto, não precisa ser rebocada para se deslocar de uma área de exploração a uma outra. Foi encomendada pela OOG à holandesa SBM, empresa com atuação global no setor, e executada no estaleiro GPC Gulf Piping, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, depois de criteriosa seleção entre fornecedores de vários países.

A Norbe VI forma – ao lado da Norbe VIII, que também acaba de chegar ao Rio de Janeiro, da Norbe IX, que já está a caminho do Brasil, das ODN I e ODN II, que se encontram em fase final de construção na Coreia do Sul, e da ODN Tay, a última aquisição da OOG – a frota de plataformas de perfuração de última geração para águas profundas que serão operadas pela OOG. A previsão para a chegada ao Brasil da Norbe IX é julho de 2011.

Com nível tecnológico mais avançado que as coirmãs, a Norbe VI está ancorada em frente à Baía de Guanabara, em Niterói (RJ), na fase final de testes, e, nas próximas semanas, deverá se deslocar à área de produção. Essa unidade acomoda 140 pessoas. Seu equipamento de posicionamento dinâmico trabalha com oito hélices submersas, além de GPS e rádio, que permitem captar sinais de satélites para realinhar com precisão a posição da plataforma na boca do poço.

Os investimentos totais na Norbe VI tiveram 20% financiados pela Odebrecht e os 80% restantes por meio de project finance, equação financeira que envolveu o contratante, o gerenciador e o construtor da plataforma. O contrato firmado pela OOG com a Petrobras prevê o afretamento e a operação da plataforma por 10 anos.

 

Concepção iniciada em 2006

A Norbe VI começou a ser concebida em 2006, mesmo ano em que a OOG foi criada. Em junho daquele ano, um grupo de profissionais da OOG seguiu para Houston, nos Estados Unidos, para trabalhar na elaboração do projeto de engenharia. Em meados de 2007, a construção da plataforma passou a ser acompanhada de perto por uma equipe da OOG.

Emblemática, a Norbe VI marca o retorno da Odebrecht às atividades de perfuração de poços de petróleo no mar depois de seis anos de afastamento. Até 2000, a empresa atuava nessa atividade por meio da OPL, criada em 1979 com a aquisição, em Cingapura, da plataforma Norbe I para perfurar poços no litoral de Sergipe. Ao longo dos anos 1980, no rastro dos investimentos da Petrobras em águas profundas, a OPL adquiriu as plataformas Norbe II, III, IV e V e Asterie, chegando, em fins dessa década, a ser dona de uma das maiores frotas privadas de plataformas offshore no Brasil.

No total, a OOG está investindo cerca de US$ 3,5 bilhões em suas áreas de atuação, incluindo sua frota de unidades de perfuração para águas profundas. A entrada em operação da Norbe VI e da Norbe VIII, somada à entrega, em menos de dois meses, da Norbe IX, reposicionará a OGG como uma das maiores operadoras privadas brasileiras de plataformas para perfuração em águas profundas. Isso, em um momento em que o país está sendo alçado à condição de um dos maiores produtores mundiais de petróleo, é motivo para se comemorar duplamente.