Sem igual
Diferenciação de produtos e serviços é prioridade na Braskem em sua busca pelo aumento da competitividade.
“Por atuarmos em um mercado global extremamente competitivo, no qual a inovação é um fator-chave para o sucesso, devemos estar muito focados na diferenciação de nossos produtos, no desenvolvimento de novas aplicações para nossos clientes e na busca contínua por competitividade em custos, de modo a sermos a escolha dos clientes pela excelência em produtos e serviços.” A afirmação é de Patrick Teyssonneyre, Diretor de Inovação e Tecnologia da Unidade de Negócios de Polímeros (Unpol) da Braskem. Em 2010, as equipes de Inovação e Tecnologia da Unpol lançaram 41 projetos, que representam US$ 180 milhões de potencial de retorno em cinco anos. A estimativa para 2011 é lançar cerca de 80 projetos, com potencial de retorno de US$ 290 milhões.
A inovação da Braskem opera a serviço do cliente. Na prática, significa que os laboratórios de tecnologia e inovação e as plantas piloto trabalham na criação de novas resinas que atendam às necessidades de empresas transformadoras de plástico, antecipando tendências, melhorando o desempenho dos produtos já existentes e buscando soluções sustentáveis.
“Na Braskem, os pesquisadores vão a campo com integrantes da área comercial para antecipar tendências, identificar novas potencialidades de aplicações e estudar os mercados de atuação para, de fato, concluir se as ideias são viáveis ou não”, explica Teyssonneyre.
Em busca de novos mercados, a Braskem tornou-se fornecedora, para a Bredero Shaw, de resinas de polipropileno para aplicação como isolante térmico e anticorrosivo em dutos de aço que fazem o transporte offshore de petróleo, e para a Nova Plast, de polipropileno para sacaria de café tipo exportação.
Tubulações offshore
A Braskem identificou, em meados da década passada, uma oportunidade de atuar no mercado de tubulações para exploração e produção de petróleo e gás natural em águas profundas – e já está colhendo resultados. Somente a Petrobras deve construir, pelo menos, mais 15 plataformas até 2017, sendo de oito a 10 plataformas para exploração do pré-sal, o que sinaliza um promissor mercado. “Constatamos que o polipropileno era bastante usado para a aplicação, mas toda a resina era importada”, afirma o Gerente de Desenvolvimento de Produtos PP (polipropileno) da Braskem, Alessandro Cauduro Lima.
Para se tornar fornecedora da indústria de petróleo, a Braskem procurou a Bredero Shaw, que vislumbrou vantagens como abastecimento contínuo e serviço técnico próximo, quesitos não contemplados por fornecedores de fora do Brasil. O desafio foi produzir uma resina com maior exigência térmica, pois a principal função do revestimento de polipropileno para tubulação e dutos de aço offshore utilizados no transporte de petróleo é atuar como isolante térmico, para garantir as propriedades originais do insumo.
O desenvolvimento das resinas para essa aplicação, iniciado em maio de 2008, foi concluído no fim do ano posterior. “Nesse período, foram submetidas ao rigoroso processo de homologação regrado pela Petrobras”, afirma Alessandro Lima.
A primeira aplicação foi na plataforma P-55, da Petrobras. Os tubos de exportação de petróleo e gás dessa plataforma somam mais de 80 km de extensão, com uso previsto de quase 3 mil t de PCD 0140 e PCD 0140BR. A perspectiva é atingir o consumo de 6 mil t/ano em 2011 e mais de 10 mil t/ano a partir de 2013.
Telhas de PVC
O mercado internacional é fonte inesgotável de ideias sobre novas aplicações, que podem ser muito bem-recebidas pelos clientes nacionais. Foi o que aconteceu com a Precon, fabricante mineira de telhas que, em parceria com a Braskem, lançou em 2011 o produto feito com PVC, uma nova alternativa no mercado brasileiro de coberturas. E também com a Acinplas, pioneira na produção brasileira de silobag para a agricultura (silos de plástico para armazenagem de grãos), após buscar, com a Braskem, a melhor tecnologia, analisar a viabilidade de mercado e desenvolver a matéria-prima.
Com a criação da telha de PVC, o mercado brasileiro conheceu em março um novo produto, que vem competir com as já conhecidas telhas de cerâmica e alumínio, entre outras. Tudo começou com a decisão da Precon de investir em novas alternativas para o mercado de coberturas. Em meados de 2009, um novo acionista que entrou na Precon e já fora cliente da Braskem levou o conhecimento e a expertise da cadeia do PVC para dentro da empresa . Testada e aprovada em países do Hemisfério Norte, a nova solução já nasceria com potencial de vendas de 100 mil t/ano, cerca de 20% do mercado de telhas.
A primeira etapa foi desenvolver a formulação do composto utilizado na produção das telhas, que tem exigências específicas como resistência a intempéries e a processamento. Na China, integrantes da equipe de Desenvolvimento de Mercado da Braskem e da Precon identificaram um modelo de cobertura que não exige alto investimento e tem desempenho técnico adequado ao mercado brasileiro.
A parceria não se limitou à produção. “Construímos, juntos, o modelo de negócios para colocar o produto no mercado, uma vez que o cliente já atuava com coberturas e poderia utilizar o mesmo canal de vendas existente”, afirma o Gerente de Engenharia de Aplicação e Desenvolvimento de Mercado da Braskem, Antônio Rodolfo. “A Braskem foi uma grande parceira nesse lançamento, contribuindo no desenvolvimento do produto, da tecnologia e no marketing”, salienta Décio Gomes, Diretor-Superintendente da Precon. A empresa tem capacidade de produção de 12 mil t/ano de telhas de PVC e está investindo em expansão para chegar, no fim do ano, às 16 mil t.
Embalagens para café
Outra avaliação conjunta de aplicação de matéria-prima confirmou a ideia, compartilhada pela Braskem e pela Nova Plast, de que o plástico poderia ser uma boa alternativa para produzir embalagens de café tipo exportação. “Um laudo emitido há algum tempo pela Caffè Dóro, indicou que a sacaria de polipropileno é mais adequada para a preservação da qualidade do café, em parâmetros como aroma, bebida limpa, doçura, sabor e amargor. Foi o impulso final para a Nova Plast, fabricante de telas, sacarias e outros produtos feitos com polipropileno, decidir investir no parque fabril para a produção de sacaria com fibra da resina”, afirma Roberto Samartim, proprietário da Nova Plast.
O ingresso no mercado ocorreu em 2010 e, de acordo com Samartim, as vendas estão atingindo a expectativa. Em 2011, já foram vendidas 290 t de polipropileno para a aplicação. Segundo Mônica Evangelista, Gerente de Engenharia de Aplicação e Desenvolvimento de Mercado Polipropileno da Braskem, o mercado de café acondicionado em sacaria de juta é estimado entre 12 e 15 milhões de sacos. “O produto feito de polipropileno tem potencial para substituir 40% desse mercado”, afirma.
Armazenagem de grãos
Há algum tempo, a Acinplas, líder nacional na produção de embalagens de plástico para frutas e legumes com sede em Estância Velha (RS), pensava em viabilizar no Brasil a produção de silobags, como uma alternativa para o produtor rural. A empresa procurou a Braskem, que já lhe fornecia polietileno usado na fabricação dos sacos plásticos, para, em conjunto, buscarem uma solução para a produção de silobags no Brasil e introduzirem no país a cultura dessa alternativa de armazenagem.
O produto já é sucesso na Argentina, que consome cerca de 150 mil unidades/ano. No Brasil, o uso não passava de 5 mil unidades. “Depois de encontrar o fabricante de máquinas na China, a Braskem imediatamente enviou a resina PE (polietileno) Linear para ser testada. Após os ajustes necessários, conseguimos elaborar um produto econômico e resistente”, relata o Diretor Comercial da Acinplas, Gustavo Bazzano.
A Acinplas investiu R$ 10 milhões na montagem de sua fábrica de silobag em Sapiranga (RS), denominada Pacifil Brasil, e iniciou a operação no começo de 2011. A unidade tem capacidade anual de produção de 60 mil unidades de silobags, que consumirão até 6 mil toneladas de polietileno. Pelo acordo entre as empresas, a Braskem será fornecedora exclusiva por oito anos. Conforme Bazzano, a Pacifil já planeja expandir a capacidade de produção no próximo ano com investimento previsto em R$ 7 milhões. “Estamos com uma procura supreendente, sobretudo dos produtores de grão da Região Centro-Oeste. Já vendemos 10 mil unidades este ano”, afirma Bazzano. Carlos Carlucci, Gerente de Contas da Braskem, ressalta o caráter sustentável da iniciativa: “A Pacifil está preparada para receber e reciclar 10% dos silos vendidos”, diz. Ou seja, se no futebol impera a rivalidade entre Brasil e Argentina, no caso do silobag o entrosamento foi perfeito.


