Uma certa sensação
Condições adversas de clima e exposição ao risco não impedem conquista de recorde de tempo sem acidentes em estaleiro da Coreia do Sul.
O dia 18 de abril foi de festa no estaleiro DSME, na Coreia do Sul, onde foram construídos os navios de perfuração Norbe VIII e Norbe IX e nos quais seguem adiantadas as obras de outras duas unidades de perfuração, ODN I e ODN II. Nessa data, comemorou-se a marca de 8 milhões de homem/horas trabalhadas, entre janeiro de 2010 a abril deste ano, sem um só acidente com afastamento. Isso significa que, nesse período, todos os 2.500 trabalhadores do estaleiro, atuando 12 horas diárias, executaram suas tarefas com absoluta segurança, sem prejuízo para a saúde e a produtividade. “Esta marca vitoriosa é de todos, mas foi possível graças à união das várias empresas participantes dos projetos, que zelaram pelo cumprimento estrito das normas de segurança”, salienta Pedro Mathias, Diretor de Contrato da OOG.
O consenso entre as mais de 10 empresas participantes dos projetos – que tem Odebrecht Óleo e Gás (OOG) e DSME à frente –, foi o ponto de partida para garantir a segurança no trabalho até o momento. Acidentes acontecem também por falta de planejamento e, por isso, os líderes da OOG e do DSME formularam um plano, no qual se comprometeram a fazer visitas periódicas às obras para inspecionar os equipamentos e as condições de trabalho. Acordou-se que nenhuma violação às regras seria tolerada e os desvios, tão logo detectados, seriam imediatamente corrigidos. “O passo seguinte foi levar a obsessão pela segurança aos trabalhadores”, explica Mathias, que em 1981 ingressou na CBPO como estagiário, atuando até 1997, pela Odebrecht Perfurações Ltda. (OPL). Em 2009, ele voltou a integrar a Organização Odebrecht, por meio da OOG.
Alinhados, os líderes das empresas disseminaram a cultura da segurança em todo o estaleiro. A cada início de uma nova etapa da obra, a produção era interrompida durante uma hora para reuniões com os trabalhadores, quando então eram feitas palestras e distribuídos materiais explicativos sobre prevenção de acidentes. Outras iniciativas simples, mas com forte carga simbólica, eram adotadas para premiar os que se destacavam no cumprimento às normas de segurança e, nesse sentido, exerciam liderança em relação aos colegas. Em atos muito valorizados na cultura asiática, presenciados por todos, os trabalhadores recebiam dos seus chefes brindes, diplomas, bonés e camisetas de suas empresas e até cupons para jantar com a família.
O papel da comunicação
Os líderes da OOG e do estaleiro sabiam que, para evitar acidentes, precisavam de um eficiente sistema de comunicação que fosse além das palestras e dos cartazes, amplamente divulgados na área fabril. Para isso, formaram um grupo de líderes que tinha como principal função disseminar entre os operários as normas e a cultura da segurança. O idioma, no entanto, foi um grande obstáculo. Os líderes falavam em inglês, que era traduzido para o coreano, mas, no início, por causa das diferenças mais culturais que linguísticas, a mensagem não chegava com precisão. Com o tempo, porém, graças à dedicação missionária dos líderes, esse obstáculo foi sendo superado. “Deixamos muito claro que não era nosso objetivo construir navios a custa de ferir pessoas, e eles perceberam que as exigências garantiam a proteção de todos”, explica Mathias.
Para influenciar os trabalhadores, o grupo de líderes se valia de aparato variado. Um dos instrumentos utilizados foi a máquina fotográfica. Qualquer anomalia que oferecesse risco, fosse um fio desencapado ou um óleo derramado no piso, era fotografada e, com objetivo educativo, afixada nos murais da fábrica. “A linguagem visual tem sempre muita força”, diz Mathias, que está na Coreia desde 2009 e vem acompanhando todos os projetos da OOG no estaleiro DSME.
A marca das 8 milhões de homem/horas sem acidentes ganha um peso a mais quando considerados os riscos inerentes à operação de um estaleiro. Considere-se ainda que no DSME, no auge dos projetos, atuaram mais de 800 pessoas, muitas vezes em condições adversas, expostas a chuva, neve e ventos. Some-se a isso o fato de que, durante as obras, há rotatividade de trabalhadores, com o ingresso de muitos profissionais que precisam ser treinados desde o início na prevenção de acidentes.
Nesse ambiente, todo o cuidado é pouco. Os navios têm em média 240 m de comprimento e 107 m de altura, da quilha ao topo da torre, o que equivale a um prédio de 26 andares. Muitos operários atuam em compartimentos confinados, onde o ar é rarefeito, e convivem com as altas temperaturas provocadas pela soldagem a quente, utilizada em larga escala, sem falar que estão expostos permanentemente à ação de líquidos inflamáveis, como tintas e solventes. Perigos existem, mas os integrantes da OOG e DSME provaram que a conquista da marca de 8 milhões de homem/horas foi, por si só, um prêmio merecido por todos.
