A solução em 4 letras
Em construção em Cingapura, o FPSO Cidade de Itajaí terá capacidade de produzir 80 mil barris/dia e estocar 650 mil barris de petróleo
A produção de petróleo no Brasil ganhará o reforço, em 2012, do FPSO Cidade de Itajaí, uma unidade flutuante que aumentará em 80 mil barris por dia a produção nacional. A unidade está em construção no estaleiro Jurong, em Cingapura, contratado pela Odebrecht Óleo e Gás (OOG) em parceria com a norueguesa Teekay Petrojarl. Esse projeto, que faz parte da estratégia de crescimento da OOG, marcará a entrada da empresa na operação de FPSOs (Floating Production Storage and Offloading) no Brasil, consequência da experiência acumulada na operação do FPSO North Sea Producer, no Mar do Norte, desde 1997.
O FPSO Cidade de Itajaí será resultado do completamento e upgrade do FPSO Petropod I, adquirido pela joint venture formada pela OOG e a Teekay. A previsão é de que chegue ao Brasil no segundo semestre de 2012. Em agosto do mesmo ano, a unidade deverá começar sua operação nos campos de Tiro e Sídon, no sul da Bacia de Santos, no litoral catarinense. O contrato com a Petrobras é por um período de nove anos, com a possibilidade de renovação por mais seis.
Além dos 80 mil barris diários, o FPSO Cidade de Itajaí terá capacidade de estocagem de 650 mil barris, poderá atuar em lâmina d’água de até mil metros, e contará com flexibilidade para processar vários tipos de óleo. Com acomodações para 70 pessoas, o FPSO Cidade de Itajaí é considerado pela Petrobras um “navio de oportunidade”, que pode ser realocado para outros poços no futuro. Os FPSOs são ideais para campos de petróleo que não possuem estrutura de escoamento por meio de oleodutos e gasodutos. Assim, o petróleo é processado e armazenado na própria unidade e, depois, transferido para os navios “aliviadores”, nos quais é feito o transporte do óleo até a costa.
A Teekay Petrojarl é detentora de grande experiência na operação de FPSOs e foi a vencedora dessa licitação promovida pela Petrobras em meados de 2010. “Após o convite da Teekay para entrarmos no negócio, tivemos um trabalho extenso de influenciá-los [os integrantes da empresa] no sentido de criar as condições que nos dessem conforto em relação às nossas expectativas de resultado e exposição ao risco. No fim, todos chegamos à conclusão de que a parceria seria importante e agregaria valor para as duas empresas e, sobretudo, para o cliente”, diz Rodrigo Lemos, da OOG, Diretor de Operação de FPSOs no Brasil. Em maio de 2011, foi criada uma joint venture para conduzir os trabalhos de construção, afretamento e operação do FPSO Cidade de Itajaí. Segundo Rodrigo, a decisão de buscar a parceria com a Teekay Petrojarl faz parte da estratégia de longo prazo da OOG: “Ter uma parceria com uma empresa do porte da Teekay é muito importante para nós, pois fortalece nossa experiência de 14 anos na operação do FPSO North Sea Producer. Eles também perceberam o valor de ter um parceiro brasileiro como a OOG, que conhece bem o cliente, a legislação nacional e as particularidades do mercado”.
Visualizando novos mares
Para Jorge Mitidieri, Diretor-Superintendente da Unidade de Serviços Integrados da OOG, a participação nesse projeto será fundamental para que a empresa conquiste novos contratos de afretamento e operação de FPSOs no Brasil, sejam da Petrobras ou de outros clientes. “Visualizamos um mercado crescente e com grande potencial. As empresas estão investindo e nós queremos iniciar e expandir nossa atuação.”
De acordo com o Plano de Investimentos da Petrobras para 2011-2015, do total de US$ 224,7 bilhões previstos para serem investidos, cerca de US$ 127,5 bilhões irão para exploração e produção de petróleo. A meta para 2011 é de uma produção diária de 2,8 milhões de barris de óleo equivalente (boe) por dia. Até 2015, a estatal pretende chegar à marca de 4 milhões de boe/dia.
O objetivo da OOG com o FPSO Cidade de Itajaí é superar as expectativas iniciais de produção da Petrobras. Para os campos de Tiro e Sídon, estão previstos 150 milhões de barris de petróleo. No caso do FPSO North Sea Producer, o primeiro FPSO operado pela OOG, foram produzidos 110 milhões de barris de petróleo ao longo de 14 anos, número bem acima dos 26 milhões previstos no início do contrato.
