Para você Arequipa
Nesta edição dedicada às comunidades, Odebrecht Informa homenageia uma cidade que tem lugar especial na história da Organização
‘Construir uma Central Hidrelétrica no Peru, com 95% de suas obras subterrâneas, em uma região da Cordilheira dos Andes sujeita a abalos sísmicos que chegam a repetir-se 50 vezes num único dia….
Ter de perfurar mais de 13 quilômetros de túneis e galerias nas encostas do vulcão Misti (…) trabalhando em meio a temperaturas elevadíssimas e emanações de gases venenosos e água quente….
Encontrar, antes, soluções para os problemas logísticos, uma vez que os trabalhos são desenvolvidos entre 3.000 e 4.000 metros de altitude, numa área acidentada, constantemente varrida por fortes ventos e cortada por grandes desfiladeiros e canyons ….
Esses são alguns dos novos desafios que a Odebrecht aceitou enfrentar ao assinar com a Electroperu, em abril de 1979, contrato de execução de todas as obras civis da Central de Charcani V, um projeto incomum.
(…)A Odebrecht está recrutando a quase totalidade da mão-de-obra no Peru. Uma pequena equipe de cerca de duas dezenas de brasileiros é responsável pela gerência técnica e administrativa, participando diretamente da execução da obra e da implantação da política organizacional da empresa.”
Foi assim que a edição de janeiro de 1980 de Odebrecht Informa relatou os movimentos iniciais daquela que foi a primeira obra conquistada pela Organização no exterior.
Entre os peruanos contratados, estava Augusto Sanches Guillén. Professor de Ciências Sociais e especialista em administração de pessoal, Augusto começou a trabalhar na Odebrecht em fevereiro de 1980.
Inicialmente apoiou o programa de recrutamento e seleção. Depois, e até o fim da obra, em 1988, dava apoio logístico aos brasileiros que chegavam e cuidava do relacionamento institucional do contrato com a comunidade.
Hoje, trabalhando na Prefeitura de Arequipa, Augusto Sanches conta com orgulho que depois de ler a primeira edição do livro Sobreviver, Crescer e Perpetuar, lançado em 1981, ajudava a difundir a Tecnologia Empresarial Odebrecht (TEO) entre os integrantes peruanos. Muitos deles não falavam espanhol. E Augusto servia de intérprete porque fala “um poquito” de quéchua e aimará, línguas nativas da maioria dos trabalhadores que foi recrutada nas regiões de fronteira e nos altos da Cordilheira dos Andes.
Ele recorda que as famílias dos expatriados da Odebrecht eram, na média, ao longo das obras, “vinte e poucas” e que a integração sempre ocorreu de forma rápida: “O futebol era um importante aglutinador”. Havia um clube onde os brasileiros gostavam de jogar com os arequipenhos e as amizades se faziam rapidamente.
Uma cidade cercada por três vulcões
Arequipa está localizada no Sul do país, a 2.300 m de altitude, em um vale fértil, nas montanhas desérticas da Cordilheira dos Andes.
É cercada por três vulcões: Chacani, Pichupichu e Misti, o mais imponente deles, com 5.882 m de altitude.
Fundada em 1540, pelo explorador espanhol Francisco Pizzarro, tem cerca de 900 mil habitantes.
Um momento inesquecível para a população da cidade foi a visita do Papa João Paulo II, em 1985. “A Odebrecht preparou toda a infraestrutura necessária para as celebrações”, conta Francisco Begaço Rodrigues.
Ele participou da construção de Charcani V de 1980 a 1989, como motorista. Hoje trabalha na Empresa de Generación Eléctrica de Arequipa S.A., que opera a hidrelétrica.
Enquanto exibe orgulhoso a medalha comemorativa à inauguração da usina, não esconde as boas lembranças: “Foi a empresa que pôs fim aos apagões, deu oportunidades de trabalho a muita gente local, mudou a forma de tratar os operários, oferecia benefícios – inclusive alimentação gratuita, coisa que não havia no Peru – e soube ajudar quem precisava. Trabalhar na Odebrecht foi grandioso”.
Na Avenida Goyenecho, 225, próximo ao centro da cidade, voluntários cuidam de doentes mentais há mais de um século. Na década de 1980, a instituição precisou de ajuda para melhorar as condições de vida dos internos e procurou a Odebrecht. A resposta foi “sim”. E disso Arequipa também não se esquece.
“Quando, na manhã de 3 de dezembro do ano passado, as bandeiras do Peru e do Brasil tremularam a 3 mil metros de altitude, tendo como cenário a encosta ocidental da Cordilheira dos Andes” – relatou Odebrecht Informa em sua edição de fevereiro de 1989 – “simbolizavam mais do que o término das obras e a inauguração do complexo hidrelétrico de Charcani V. Representavam, de fato, o passo definitivo para a internacionalização da Construtora Norberto Odebrecht – CNO, sua maturidade para disputar contratos no exterior, instalar-se em outro país, vencer desafios tecnológicos, compor parcerias e promover a satisfação do País-cliente, participando, enfim, da integração de nações e da geração de benefícios sociais”.
Naquele dia, outro fato importante serviu para simbolizar os compromissos que a Odebrecht assumiu com a comunidade de Arequipa: em nome da Organização, o então Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Chanceler Abreu Sodré, devolveu ao povo peruano um importante documento histórico conhecido como O Contrato de Valdívia.
Trata-se de uma Carta-Procuração datada de 1539, assinada em Arequipa pelos capitães espanhóis Pedro de Valdívia, Alonso de Montenegro, Cristobal De La Peña e Francisco Martínez, na qual era feita a outorga a Micer Francisco, para que, em nome dos reis da Espanha, agisse visando à ocupação da América do Sul.
O documento, que havia sido furtado do acervo peruano, fora resgatado pela Odebrecht em um leilão em Londres, em 1988, depois de quase três anos de negociações diplomáticas e políticas.
Outro marco da contribuição cultural da Odebrecht é o livro Arequipa, com textos de Patrício Ricketts e fotos de Billy Hare, uma edição de arte que ajudou a divulgar a riqueza histórica e natural de uma cidade reconhecida pela ONU como Patrimônio Cultural da Humanidade.
Vinte e três anos depois do fim da obra, a Odebrecht continua viva na memória da cidade. “Antes de 1988, vivíamos no escuro. Cinquenta por cento da população não tinha luz elétrica”, diz o atual Prefeito Alfredo Zegarra Tejada. “O investimento foi da Electroperú, mas a Odebrecht fez muito bem sua parte, e, agora, que temos energia própria e até nos damos ao luxo de exportar excedentes para o Chile, estamos promovendo o desenvolvimento paulatino de uma cidade que não foi planejada para o século 21, mas na qual pretendemos ter transporte sustentável, segurança cidadã, melhor saúde e educação para todos.”








