“E aqui estamos, como investidores”
Criada recentemente para gerir os investimentos e operar os ativos de geração de energia elétrica da Odebrecht, com foco em fontes renováveis, a Odebrecht Energia traz em seu DNA a herança de uma ligação da Organização com o setor de geração de energia elétrica desde 1952, ano do início de construção das hidrelétricas de Ituberá e Candengo, na Bahia, e, como investidora, desde 1994, com a participação na Hidrelétrica de Itá, em Santa Catarina, que marcou a retomada do investimento privado no país. Henrique Valladares, Líder Empresarial da Odebrecht Energia, fala à Odebrecht Informa sobre as realizações e os rumos da Organização nesse setor. “Estamos comprometidos em corresponder a confiança dos acionistas e sermos provedores de soluções de energia para as demais empresas da Organização e nossos Clientes, no Brasil e no exterior”, ele afirma.
Odebrecht Informa – O fato de a Odebrecht ter um histórico, como construtora, participando isoladamente ou em consórcio, da execução de cerca de metade do parque gerador de energia do Brasil, leva a uma decisão natural de fortalecer o braço investidor?
Henrique Valladares – A Odebrecht tem presença histórica nessa área. E o fato de termos forte experiência na construção de ativos de energia elétrica nos posiciona de forma diferenciada no segmento de geração. Grande parte das oportunidades de investimentos da Odebrecht nasceu do conhecimento aprofundado de duas variáveis essenciais: prazo e custo. E isso aprendemos a partir da nossa origem: a prestação com excelência de serviços de Engenharia e o atendimento das necessidades do cliente. Além disso, a experiência da Organização na estruturação de financiamentos, especialmente sob a modalidade de project finance, também faz diferença na nossa atuação como investidores em geração de eletricidade, de maneira especial em projetos greenfield. A postura de melhor servir aos nossos clientes levou nossos empresários-parceiros a conhecer a cadeia de valor do negócio geração de energia, possibilitando a ampliação da nossa participação. Então aqui estamos, nos posicionando como investidores, através da criação da Odebrecht Energia S.A., com atuação no Brasil e no exterior. É importante destacar que a nossa atuação no mercado de hidrelétricas também foi um elemento importante para a internacionalização da Organização.
OI – Por quê?
Valladares – A construção de hidrelétricas sempre foi um vetor importante de crescimento no exterior. O Peru foi o ponto de partida da expansão internacional da Odebrecht. Estamos presentes naquele país desde 1979, com Charcani V, em Arequipa, dentro do vulcão Misti. Outro marco da nossa internacionalização foi Angola, ao iniciarmos, em 1984, a construção da Hidrelétrica de Capanda, um dos principais vetores para o desenvolvimento da economia angolana. Também na Argentina e no México iniciamos nossas operações através das usinas de Pichi-Picún-Leufú e de Los Huites, respectivamente. A Odebrecht foi apontada, por oito vezes, como a maior construtora internacional de hidrelétricas, segundo a revista ENR – Engineering News-Record, publicação que é referência no setor.
OI – A Odebrecht Energia também se direciona a investimentos internacionais?
Valladares – Sim, hoje temos uma capacidade instalada para sermos investidores e operadores, dentro e fora do Brasil. Essa capacidade foi aplicada em outros mercados promissores, como é o caso do Peru, onde tivemos sucesso na Hidrelétrica de Chaglla, a segunda maior do país, cujas obras de implantação começaram no primeiro semestre deste ano. O projeto representa investimentos de US$ 1,2 bilhão e marca o início da atuação da Odebrecht Energia como investidora e operadora de ativos de geração no exterior.
“A Odebrecht tem uma presença histórica no setor de energia. E o fato de termos forte experiência na construção de ativos nessa área é muito importante”
OI – E o mercado brasileiro? Como a empresa vem acompanhando a evolução dos investimentos na área de energia?
Valladares – Durante décadas, os investimentos na área de energia elétrica eram, predominantemente, feitos pelo Estado. A continuidade dos nossos investimentos em geração ocorreu na Usina Hidrelétrica Santo Antônio, no Rio Madeira, em Rondônia, onde, além da atuação da Odebrecht na construção, a Odebrecht Energia tem participação relevante no investimento e na gestão da concessionária.
OI – Santo Antônio é um marco?
Valladares – Certamente! Adotamos uma estratégia de investir em inventários e em estudos de viabilidade de empreendimentos de hidroeletricidade, contribuindo para ao desenvolvimento do setor e visando, também, participar como investidores dos leilões promovidos pelo Governo Federal. E o maior deles, sem dúvida, foi o Complexo do Rio Madeira. Santo Antonio representou nossa consolidação definitiva como investidores do setor. Com a conquista da concessão da Usina Santo Antônio, nosso olhar para o mercado de energia passou a ser prioritariamente como investidor, sem prejuízo da atuação da Odebrecht como prestadora de serviços de Engenharia e Construção, como ocorre em Belo Monte e Teles Pires.
OI – Santo Antônio, em plena bacia amazônica, é um projeto tido hoje como exemplo de fator de indução de desenvolvimento sustentável. Isso traz mais segurança para investimentos, não?
Valladares – Não é por acaso que atingimos esse nível de confiança e governança. Todo o empreendimento da Hidrelétrica Santo Antônio baseia-se em seis anos de estudos realizados, em conjunto, por Furnas e Odebrecht, que analisaram com profundidade aspectos sociais, econômicos e ambientais da região. O fato do maior potencial de geração hídrica do país estar localizado no bioma amazônico impõe a necessidade de uma atuação destacada na gestão socioambiental, que vai desde a concepção do projeto até a implementação de programas que mitiguem e compensem os impactos ambientais dos empreendimentos e promovam o desenvolvimento das pessoas do entorno do empreendimento. O melhor exemplo disso é o Programa Acreditar, que foi criado em Santo Antônio e hoje é uma realidade em toda a Odebrecht. O maior legado desse programa é o fato de que mais de 37 mil cidadãos de Porto Velho e região passaram a ter um ofício, o que trouxe uma nova perspectiva para suas vidas e minimizou o habitual impacto negativo que a vinda de profissionais de fora traz para a região. Hoje, 80% do efetivo de Santo Antônio é composto de profissionais locais, sendo 10% mulheres, o que representa uma quebra de paradigma no mercado de construção de hidrelétricas na região amazônica.
“O fato de o maior potencial de geração hídrica do país estar localizado no bioma amazônico impõe a necessidade de uma atuação destacada na gestão socioambiental”
OI – Existem outras fontes de geração de energia na estratégia da empresa?
Valladares – Além de já contarmos com os ativos de geração dos empreendimentos hidrelétricos de Santo Antônio e Chaglla, também estamos atentos às oportunidades nas diversas fontes alternativas, como eólica, biomassa, pequenas centrais hidrelétricas e solar. No que se refere à geração de energia eólica, no último leilão, realizado em agosto deste ano, viabilizamos a implantação de quatro parques eólicos, localizados no Rio Grande do Sul, totalizando 116 MW. Temos ainda em estoque outros 13 parques (290 MW) aptos a participar nos próximos leilões, bem como projetos greenfield visualizados na Bahia e no Ceará. Além disso, estamos iniciando o desenvolvimento de outros projetos nas diversas fontes de energia alternativa. Queremos ter uma participação bastante relevante neste segmento.
OI – Que balanço você faz da atuação da Odebrecht Energia até o momento?
Valladares – Estamos otimistas com as possibilidades de negócios tanto no Brasil, quanto no exterior. Temos confiança de que o modelo regulatório brasileiro seja cada vez mais atrativo para investimentos privados e que possamos contribuir com a segurança no fornecimento de energia elétrica, fundamental para o crescimento do nosso país. Esperamos também prover soluções que permitam o crescimento da Odebrecht Energia de maneira orgânica, consolidando um parque gerador formado por fontes complementares de energia, no Brasil e no exterior, gerando resultados para os clientes, acionistas, integrantes e sociedade em geral.
