A criatividade bateu no teto
Modelo de sustentabilidade, a nova sede da Petrobras em Vitória utiliza recursos de alta ciência energética
O Espírito Santo é o segundo maior produtor de petróleo do Brasil e deverá alcançar, até o fim do ano, uma produção de 400 mil barris por dia. As primeiras atividades petrolíferas em terras capixabas foram realizadas pela Petrobras em 1957. De lá para cá, diversos campos foram descobertos e, em 2001, a empresa estabeleceu sua sede administrativa em Vitória. Com o crescimento da produção, sobretudo na década de 2000, a Petrobras decidiu construir uma nova sede. O Consórcio OCCH, formado por Odebrecht Infraestrutura, Camargo Corrêa e Hochtief, foi o escolhido para tirar do papel o projeto, um modelo de sustentabilidade e eficiência energética.
O local escolhido foi o alto do morro do bairro conhecido como Barro Vermelho, com entrada principal pela Avenida Nossa Senhora da Penha. Em uma área construída de 95 mil m2, o complexo compreende duas torres de escritórios ligadas por um edifício central, Centro de Realidade Virtual, Centro de Processamento de Dados, restaurante e prédio de utilidades. Cerca de 600 profissionais trabalham no local, que deverá ser ocupado por 2 mil pessoas.
O complexo foi projetado para utilizar as riquezas naturais da região, como a energia do sol e a circulação dos ventos, e para receber sistemas voltados para a ecoeficiência do local. “A sede é um showroom de processos sustentáveis e de alta tecnologia, entre eles o uso de energia solar e de vidros de baixa absorção de calor, o tratamento de 100% do esgoto e reúso da água para irrigação do jardim e utilização nos vasos sanitários, além do sistema de ar condicionado econômico”, explica Sidney dos Passos Ramos, Diretor de Contrato na Odebrecht.
Pensando na eficiência energética do empreendimento, a Petrobras e o Consórcio OCCH optaram por um moderno sistema de climatização que utiliza a água para resfriar os ambientes. O sistema de ar condicionado Teto Radiante foi instalado nos escritórios e no edifício central. “É o primeiro empreendimento no Espírito Santo com esse tipo de tecnologia”, destaca Sidney.
Segundo Antônio Morais Telesforo, Gerente de Instalações Eletromecânicas e Utilidades no consórcio, a água é mais eficiente que o ar na troca de calor e utiliza menor quantidade de energia para resfriar o local. “O Teto Radiante reduz em cerca de 30% o consumo de energia elétrica e de água, não gera vento e barulho, homogeneiza a temperatura e controla a umidade, o que proporciona mais conforto aos usuários”, esclarece.
O sistema é um circuito fechado, composto de 5 km de tubulações isoladas termicamente, que mantêm 200 mil litros de água gelada circulando entre os andares e o chiller, responsável pelo resfriamento do líquido. É nessa máquina, localizada no prédio de utilidades, que o processo começa.
A Central de Água Gelada da nova sede conta com quatro chillers, de três tipos: elétrico, onde o calor é lançado para fora (semelhante ao processo de refrigeração da geladeira); de absorção, que utiliza reações químicas para absorver o calor; e de ar, para emergências, com 12 ventiladores. “A água sai a 5ºC e retorna com 15ºC”, comenta Edimauro Conde Arouca, Coordenador de Projetos da Eleven Systems, parceira do consórcio.
Depois de resfriada, a água é bombeada, por meio das tubulações, até as serpentinas acopladas nas placas metálicas do teto radiante. “As serpentinas irradiam o frio para a superfície da placa, que o lança no ambiente”, explica Edimauro. O líquido retorna ao schiller, mais quente, para ser resfriado novamente.
Para controlar a umidade e o índice de CO2 no ar, o Teto Radiante também utiliza um sistema de ar resfriado. “Como não há troca de ar com o ambiente externo, por meio de um equipamento chamado fan-coil, o ar frio e ‘sujo’ sai e o ar novo e limpo entra”, conta Antônio Morais. “Os ambientes foram divididos em zonas de conforto para manter a homogeneidade da temperatura e, com isso, economizar energia. O usuário não percebe que o local tem ar condicionado”, completa.


