Odebrecht Informa


Da usina para a sala de estar

Lopes Sebastião (ao fundo, à esquerda) e sua família: tempos de mais conforto

Fernando Neves em Cambambe: testemunha do crescimento de Angola

Montagem de turbina da Central Hidrelétrica de Cambambe: energia para 3 milhões de pessoas

texto João Marcondes foto Guilherme Afonso

Angola investe pesado para levar energia elétrica à sua população em vários pontos do país

A vida de Lopes Sebastião teve vários “renascimentos”. Lavrador nos anos 1940, trabalhava cavando a terra com as próprias mãos na província de Uíge, no norte de Angola, região ainda hoje pouco urbanizada, próxima à fronteira com o Congo. Depois de 10, 12 horas de trabalho, carregava um pouco de lenha para casa. Lenha era sinônimo de energia àquela época. Os tempos foram passando, e seu Lopes aderiu, nas décadas seguintes, ao uso do candeeiro –aquelas lamparinas movidas a petróleo. Apenas uma luz pálida para atenuar os barulhos ameaçadores da noite. O mundo à sua volta também mudava. Em meados dos anos 1970, Angola ficava independente, mas a energia ainda era escassa. Fim do século passado: surge para seu Lopes uma energia mais palpável, movida à máquina. O gerador – dispendioso, barulhento, que enegrecia sua casa de adobe e lançava muita fumaça nos olhos de esposa, filhos e netos.

Há oito anos não há mais conflitos armados em Angola, e 2012 será especial, com a eleição direta para presidente. Para votar, seu Lopes poderá tomar um banho quente e vestir seu melhor paletó. O que realmente revolucionou a vida desse habitante da pequena vila em Negage foi um clique. Um interruptor. Energia pura, elétrica, límpida.  Agora ele tem uma arca (freezer), seus alimentos duram, e sua família, a começar pela esposa, Luiza Lando, tem mais conforto.

 

Dínamo

Para a energia chegar à casa de seu Lopes e de outras milhares de pessoas, a Odebrecht construiu o Sistema de Transporte de Energia de 220 kV (quilovolts), interligando a Usina de Capanda à província de Uíge, em uma extensão de 270 km. A Hidrelétrica de Capanda foi a primeira obra da Odebrecht no país, nos anos 1980, mas a empresa não parou nas usinas. Tão importante quanto fazer turbinas girarem é estender o fio até o consumidor. Já são 800 km de linhas de transmissão. Além de Capanda-Uíge, que beneficiou seu Lopes, outra obra recém-concluída é a linha de transmissão (400 kV) com extensão de 300 km que interliga Capanda à região de Luanda. Além das linhas e subestações, a empresa executou a eletrificação (distribuição da energia) em seis cidades no eixo Capanda-Uíge, beneficiando mais de 5 mil famílias. Uma pequena amostra do que precisa ser feito.

“Estão sendo planejados pelo Governo programas específicos para extensão, em larga escala, da eletrificação nas regiões urbanas, periurbanas e rurais do país. Uma iniciativa que estamos novamente apoiando de forma plena”, informa Wagner Santana, Diretor de Contrato das Linhas de Transmissão.

Energia é prioridade no país. Apenas 30% dos angolanos têm hoje acesso à energia elétrica. A população estimada de Angola é de 20 milhões de pessoas. Hoje o país produz 1.300 MW de energia (50% em termelétricas e 50% em hidrelétricas). A demanda é de 4 mil MW (apenas para consumidores, sem contar a indústria). “Angola poderá, inclusive, exportar energia elétrica para outros países da África Austral”, comenta Carlos Mathias, Diretor da Odebrecht Angola. “Queremos também atuar como investidores, por meio de parcerias público-privadas.”

A Ministra de Energia e Águas de Angola, Emanuela Vieira Lopes, afirmou recentemente na publicação angolana Estratégia: “Pretendemos fazer crescer o setor energético, de tal forma, que a população esteja bem e haja crescimento econômico. Em 2017, Angola poderá ter capacidade instalada para produzir energia, abastecer-se internamente e começar a exportar para outros países”. A Odebrecht está entre os protagonistas desta história. Além das linhas de transmissão e de ter construído a emblemática Capanda, participa da construção e reabilitação de duas estruturas essenciais para formar essa capacidade instalada a que se refere a Ministra Emanuela: as usinas hidrelétricas de Gove e Cambambe.

 

Eldorado

“Eldorado” ou “O Dorado”. Lugar mítico de muitas riquezas (ouro e prata) buscado incessantemente pelos espanhóis colonizadores da América no século 16. Pois a África também teve seu Eldorado, perseguido pelos portugueses nos anos 1500. E ele ficava em Angola, mais precisamente nas Serras de Cambambe. Imaginava-se riquezas minerais na região, desde que o monarca português Dom Manuel I recebeu uma manilha de prata como presente do Rei do Congo. O soberano português obtivera também a informação de que a joia provinha de Cambambe, região a 200 km de onde hoje está localizada Luanda.

Expedições em busca da prata foram enviadas, a primeira delas capitaneada por Manuel Pacheco e Baltazar de Castro, em 1520. A prata nunca foi encontrada, mas o Rio Kwanza, o maior do país, foi dominado até próximo de uma garganta que o estrangulava. Um belo lugar para instalar uma barragem. E os próprios portugueses fizeram isso nos anos 1950. A Hidrelétrica de Cambambe, de 180 MW, tornou-se importante fonte de abastecimento de energia para o país, mas sua expansão (já prevista pelos portugueses) nunca foi concluída. Com a precariedade da manutenção nos tempos de guerra, a produção de energia da usina foi afetada, e seu potencial, reduzido a somente 90 MW.

Isso até a Odebrecht retomar a obra, em 2005. Quando finalizada, a nova Cambambe será capaz de gerar 960 MW de energia. A obra é complexa: envolve recuperação da Central 1, que passará a ter potência de 260 MW, e a construção de uma Central 2, com capacidade de 700 MW. Além disso, compreende a elevação da altura da barragem, que ganhará mais
30 m, e um vertedouro lateral que garantirá a segurança da barragem nos períodos de chuva. “Produziremos energia renovável para cerca de 8 milhões de pessoas, em um aproveitamento hidrelétrico que foi essencial para o passado de Angola e é indispensável para o seu futuro”, enfatiza Gustavo Belitardo, Diretor de Contrato de Cambambe.

Cambambe será um dos maiores aproveitamentos hidrelétricos de Angola. Suas obras devem ser totalmente finalizadas em 2015. Mas um homem está lá desde seu início, nos distantes anos 1950. É Fernando Pedro Santos Neves, de 60 anos. Por seu caminho, passaram portugueses, franceses, suíços. Viu companheiros enfrentarem doenças como malária, cólera, febre amarela (seu pai, a propósito, trabalhara na obra como enfermeiro). Testemunhou conflitos no país.

A obra iniciou, parou, foi retomada. Fernando Neves garante que, em nenhum momento, pensou que o projeto inicial, que já incluía as duas centrais, não seria um dia terminado. Trabalhou como eletricista, em estação de tratamento de água, no setor administrativo. Nos anos 1980, viu Capanda ser erguida e vislumbrou um futuro para Cambambe. Hoje aposentado, mas dono de uma firma que ainda presta serviços para a obra, Fernando considera o ciclo completo. “O sentimento que tenho depois de todos esses anos é o de ver meu país crescer.”

O país crescerá, assim como a exploração do potencial hídrico do Rio Kwanza, que tem 960 km de extensão. Em suas águas, duas obras de grande porte estão à espera de licitação: as portentosas barragens de Laúca (2.067 MW) e Caculo-Cabaça (2.053 MW).

 

Gove

Enquanto em Cambambe muito trabalho ainda há de ser feito, outra obra angolana está quase no fim: a reabilitação da Barragem e a construção da Central Hidrelétrica do Gove, com potência de 60 MW, na comuna do Cuíma, província de Huambo. A fase é de conclusão das obras civis e da montagem eletromecânica. A previsão é de que o projeto esteja concluído no primeiro semestre de 2012, e a geração de energia da primeira unidade ocorrerá no fim do primeiro trimestre. A energia produzida em Gove alimentará as províncias do Huambo (a 120 km de Gove) e do Bié (a 230 km) e atenderá aproximadamente 3 milhões de pessoas.

O Gove é uma obra com uma história especial. Iniciada na década de 1960, foi a primeira barragem do Cunene e responsável pela regularização desse rio para os demais aproveitamentos hidrelétricos e agrícolas a jusante. Na década de 1990, a barragem foi sabotada, o que quase comprometeu sua estrutura. Em 2008, a Odebrecht iniciou a obra de recuperação da barragem, que estava em parte destruída, e a construção da casa de força e da subestação. Em decorrência dos anos de conflitos armados, a região se desenvolveu pouco, mas, com a chegada e o desenvolvimento desse empreendimento, o cenário está mudando.

“Quando chegamos, aproveitamos muito pouco da força de trabalho local, pois a população ainda estava assustada e sem preparação para atuar nesse tipo de obra. Gente humilde, pescadores, pequenos agricultores, mas com muita vontade de aprender e se desenvolver”, comenta Marcus Azeredo, Diretor de Contrato.

Com as condições criadas, nasceu o projeto Aprendi no Gove, por meio do qual foram formados trabalhadores especializados, desenvolvidos programas de Combate à Aids, Parto Seguro e, principalmente, de incentivo à permanência de crianças na escola. Em 2008, havia 80 trabalhadores da comuna atuando no projeto e, hoje, são 500, o que corresponde a 62% do efetivo atual. Hoje, com a força humana da obra, a vila do Gove se prepara para se transformar em uma pequena cidade, uma comuna. Mais que simplesmente energia elétrica, as ações implementadas no Gove pela Odebrecht, em conjunto com o cliente – o Gabinete para a Administração da Bacia Hidrelétrica do Cunene (Gabhic) do Ministério da Energia e Águas (Minea) – mostraram como uma obra pode ter uma alta voltagem social.

Seu Lopes, citado no início desta reportagem, foi diretamente beneficiado pelo trabalho da Odebrecht. Seu vizinho no Negage, o funcionário público Daniel Neto, lembra-se do dia (15 de dezembro de 2010) em que a luz elétrica surgiu pela primeira vez nos postes da rua de terra batida. “Foi uma emoção muito grande. Sabe o que é mais incrível? Muitas pessoas ali nunca tinham visto uma luz daquela, clara, potente. Outros só tinham presenciado aquilo em Luanda”, descreve. “As crianças não paravam de gritar e comemorar.”

Uma das grandes diversões da humanidade, banal para muitos, passou a fazer parte da vida daqueles moradores: assistir à televisão. Fátima, 12 anos, filha de Daniel, não perde um capítulo da novela brasileira Caminho das Índias. Seu pai se diverte, embora ache que telenovela é coisa de criança. Fátima curte a tevê, mas é rápida ao concluir o porquê da importância de se ter energia. “Agora posso estudar à noite, ter um porvir. Um futuro melhor para mim e para Angola. Com luz.”

 

Formação e capacitação de pessoas

Como sempre acontece nas obras da Odebrecht, a construção não é apenas física, mas também humana. São mais de 1.500 oportunidades diretas de trabalho e capacitação, por meio do Programa de Qualificação Profissional Continuada – Acreditar. Em todo o país, as obras da Odebrecht contam com cerca de 17 mil integrantes, dos quais 93% angolanos.

Em recente visita ao país, onde acompanhou o discurso da Presidenta Dilma Rousseff na Assembleia Nacional, Marcelo Odebrecht, Diretor-Presidente da Odebrecht S.A., destacou: “A empresa brasileira, quando vem para cá, contrata trabalhadores locais e desenvolve a cadeia produtiva. Em nossos projetos, trazemos brasileiros para implantar a cultura empresarial, mas, à medida que esse processo evolui, passamos a contar apenas com angolanos”.

Nas obras de linhas de transmissão, por exemplo, uma parte importante foi o treinamento de trabalhadores angolanos da Empresa Nacional de Eletricidade (ENE) para operar as subestações.

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