Impulso para a indústria têxtil


texto Renata Meyer
fotos Tiago Lubambo

Complexo formado por três fábricas, em Suape, será o maior polo integrado de produção de poliéster no Brasil

Estruturar o mais importante polo integrado para produção de poliéster da América Latina, no Complexo Industrial e Portuário de Suape, município de Ipojuca (PE). Essa é a meta da Companhia Petroquímica de Pernambuco – PetroquímicaSuape, que pertence à Petroquisa, braço petroquímico da Petrobras. Serão implantadas três unidades industriais integradas, em uma área de 550 mil m2, com a expectativa de darem novo fôlego à indústria têxtil nacional.

Para colocar o projeto em prática, a Odebrecht Engenharia Industrial está em campo desde 2007, responsável por engenharia de detalhamento, suprimento de parte dos materiais e equipamentos, execução da construção civil e da montagem eletromecânica das unidades. A empresa também responde pelo gerenciamento das obras de todo o complexo, que produzirá, em suas três fábricas, respectivamente, polímeros e filamentos de poliéster; resina para embalagem PET e o insumo básico para sua fabricação, o ácido tereftálico purificado (PTA).

Quando as três unidades industriais estiverem em plena operação, o que deverá ocorrer até o fim de 2012, o consumo de energia elétrica do complexo poderá chegar a 4,5% de toda a demanda de Pernambuco, perfazendo um total de 100 MW. Para garantir o uso racional do recurso energético no empreendimento, várias medidas estão sendo implantadas pelo cliente, com o apoio técnico das equipes da Odebrecht.

 

Central de cogeração

Entre elas está a instalação de uma central de cogeração de energia elétrica, a partir da energia térmica gerada no processo produtivo do PTA. O sistema, denominado PAC – do inglês Process Air Compressor (Compressor de Ar de Processo) –, permitirá o reaproveitamento energético na unidade e, com isso, garantirá a economia de aproximadamente 12% no consumo de energia elétrica da planta de PTA.

O processo produtivo do PTA tem como principal matéria-prima o paraxileno, derivado de petróleo que, ao ser submetido a altas pressões na presença de ar e calor, sofre oxidação, liberando gases com temperatura que ultrapassa 200ºC. “Em nenhuma hipótese, esses gases poderiam ser lançados na atmosfera, pois os impactos ao meio ambiente seriam muito danosos. O calor extraído no processo de resfriamento é então utilizado na central de cogeração de energia elétrica, em benefício da própria planta”, afirma Mauro Ambrosano, Gerente Geral de Manutenção da PetroquímicaSuape.

O PAC é o conjunto utilizado para a compressão do ar que alimenta o reator de oxidação da planta de PTA. O compressor é movido por um motor/reator, que tem, interligados no mesmo eixo, uma turbina e um expansor, acionados, respectivamente, por vapor e por gases quentes gerados no processo de oxidação.

“A energia elétrica gerada a partir do calor proveniente do processo é consideravelmente maior que a necessária para mover o conjunto, de modo que o excedente é exportado para a rede e utilizado na unidade de PTA”, explica Ambrosano.

 

Tecnologia pioneira no país

A tecnologia, importada pelo cliente, foi desenvolvida pela empresa inglesa de tecnologia Invista, em parceria com a alemã Siemens, e, pela primeira vez, será aplicada na indústria petroquímica brasileira. Com o PAC, a PetroquímicaSuape deixará de demandar 30,6 MW da rede básica de energia, garantindo uma economia que pode chegar a R$ 5 milhões por mês. “Nas tecnologias mais antigas, toda essa energia seria perdida”, Mauro Ambrosano destaca.

A Odebrecht Engenharia Industrial é responsável pela montagem do equipamento, em um processo que exige alto nível de especialização. Com cerca de 300 t, o PAC é um conjunto rotativo em que cada componente tem interferência no funcionamento dos demais. “A montagem do PAC é um processo que requer muita precisão. Nosso maior desafio é garantir o alinhamento perfeito das peças para que tudo funcione como o planejado”, destaca o Diretor de Contrato José Gilberto Mariano. “No entanto, a participação em um projeto deste porte, marcado pelo pioneirismo, nos permite formar pessoas cada vez mais capacitadas a atuar em projetos de grande complexidade”, completa.

Além do PAC, o Complexo Petroquímico de Suape terá outras estratégias para a racionalização do uso da energia. Todo o projeto civil e arquitetônico das fábricas leva em consideração o máximo aproveitamento de luz solar, o que contribui para a redução do número de luminárias utilizadas. Essa medida, aliada à utilização de equipamentos de alto rendimento, encarada como prioritária em todas as operações, permitirá a economia estimada de cerca de 5% no consumo de energia.

A integração sinérgica entre as unidades industriais, apontada como uma grande vantagem competitiva do empreendimento, é também um fator de otimização de recursos. Com uma única central de utilidades, é possível abastecer todo o complexo com ar comprimido e água de resfriamento, o que possibilitará reduzir o custo operacional e o desperdício de energia.

O complexo conta ainda com uma central de água gelada única para todas as fábricas. O sistema de ar condicionado de processo, de alto rendimento e controle automatizado, realiza a monitoração permanente da temperatura e da umidade dentro e fora do ambiente e executa um balanço sobre a mistura ideal de ar, a fim de garantir as condições adequadas para as operações das unidades e, ao mesmo tempo, economizar energia.

 

Qualidade da energia

O fornecimento de energia está entre os fatores que mais impactam nas operações da indústria têxtil, em razão da alta demanda desse recurso nos processos produtivos e, sobretudo, pela qualidade exigida na transmissão, crucial para o bom funcionamento das máquinas.

“A mínima oscilação de tensão, imperceptível na maioria das utilizações industriais de energia elétrica, pode provocar o rompimento dos filamentos têxteis e exigir a interrupção das operações. Uma parada dessa natureza é muito prejudicial, pois o processo de retomada da produção pode levar semanas”, afirma Mauro Ambrosano. Para garantir a estabilidade da corrente elétrica, tanto as máquinas quanto a subestação que atende ao complexo estão sendo equipadas com sofisticados recursos de controle de qualidade de energia.

Com investimento total de R$ 4,9 bilhões, as plantas que integram o Complexo Petroquímico de Suape deverão funcionar de maneira ininterrupta todos os dias do ano, exceto nos casos de eventuais paradas programadas. A expectativa é que, com o empreendimento, toda a cadeia produtiva do segmento têxtil seja beneficiada.