O olhar lá no alto

  • Ensenada: trabalhos são realizados com a refinaria da YPF em completo funcionamento

    Ensenada: trabalhos são realizados com a refinaria da YPF em completo funcionamento


texto Luiz Carlos Ramos
fotos Holanda Cavalcanti

Ampliação da  capacidade produtiva de petroquímica da YPF em La Plata é um apoio de peso na atual fase de crescimento da economia da Argentina

O atual ciclo de desenvolvimento econômico da Argentina ganhará, a partir de agosto de 2012, expressivo apoio: a ampliação da produção de uma das principais petroquímicas do país, que terá sua capacidade de processamento de gasolina aumentada em até 60%, passará a produzir compostos aromáticos (BTX) e potencializará a produção de gasolina de alta qualidade. O projeto, executado pela Odebrecht para a ex-estatal argentina YPF (Yacimientos Petroliferos Fiscales) no município de Ensenada, na região metropolitana de La Plata, está na etapa final. Trata-se do primeiro projeto de unidade de reforma de catalítico contínuo (CCR) na Argentina, uma nova e moderna estrutura montada dentro das instalações originais da YPF.

Odebrecht Informa visitou Ensenada e presenciou o pulsar de uma obra que avança sem prejudicar a atual produção do complexo petroquímico. Centenas de operários argentinos, brasileiros e de outros países sul-americanos transformam setores, constroem torres e instalam gigantescas linhas de dutos, em uma revolução simbolizada pela nova tocha de 115 m de altura que funcionará a 1.300 metros da antiga (que será desativada). O fogo da tocha tem a função de eliminar os gases sem valor comercial.

Carlos Alberto Coutinho, Diretor de Contrato, confirma o ritmo acelerado e explica: “Para poder preparar a conexão entre o setor antigo e o novo, fizemos uma parada técnica em quatro unidades, por 30 dias, de meados de maio até meados de junho, e tudo correu bem. Essa obra faz parte de um esforço para aumentar a produção de combustível e, com isso, atender à crescente demanda de um país que vive grande evolução econômica”.

A YPF é uma empresa do grupo espanhol Repsol, que detém 57,43% das ações, mas que, desde 2008, está sendo conduzida pelo grupo argentino Petersen, da família Eskenazi, que possui 25,46% das suas ações, além da sua gestão, com os 17% restantes na Bolsa de Valores. O projeto realizado para a YPF em Ensenada está baseado em três etapas: inicialmente, por meio do CCR, será possível aumentar a produção de gasolina; a segunda etapa consiste em ajustar as instalações atuais; e a terceira representa a interligação das novas instalações com as antigas. “O resultado será uma petroquímica com equipamentos de última geração”, diz Coutinho.

 

O coração da unidade

O engenheiro civil argentino Pablo Brottier, da Odebrecht, Responsável por Novos Negócios na estrutura do Diretor-Superintendente da Odebrecht na Argentina, Flávio Faria, e até agosto de 2011 Diretor do projeto executado em Ensenada, conta que o CCR, com as novas instalações em fase de construção, pode ser definido como o “coração” da unidade de processo de naftas virgens – que produz compostos aromáticos.

“Na atualidade, a petroquímica precisa de uma parada técnica por ano para recondicionar o catalisador”, diz Brottier. “Já a nova unidade, por contar com a regeneração contínua do catalisador, permitirá ampliar o ciclo operacional para quatro anos. Dessa forma, o equipamento não perde rendimento. O aumento da produção em 60% é explicado com base nesse benefício e na modernização de todo o complexo de Ensenada.” Ele ressalta que a parada técnica de adaptação envolveu quatro enormes guindastes, 26 máquinas novas, seis torres de processamento, 76 t de tubos, 700 válvulas, 38 t de novas estruturas e mais de 13 mil m de cabos”.

Esteban Trouet, nascido em Córdoba, Gerente de Construção do projeto, explica que um dos desafios para esse trabalho foi a evidência de que a obra seria levada adiante em reduzido espaço físico e com a petroquímica em funcionamento. “Conseguimos completar etapas importantes, por meio de soluções criativas e seguras”, recorda Trouet, participante do Programa de Desenvolvimento de Empresários (PDE) da Organização Odebrecht em 2009. Os novos equipamentos da refinaria, fabricados na Argentina, no Brasil, na Itália, na Coreia do Sul, no Japão, na China e nos Estados Unidos, farão de 2012 um marco histórico no processo centenário da luta pela energia petrolífera na nação argentina. Ensenada entra nessa história como sinônimo de evolução.