Uma referência chamada Cachoeiro
Construção de uma pequena central hidrelétrica fortalece a condição do município capixaba como modelo na superação de desafios de abastecimento de água e esgotamento sanitário
Das janelas de seu escritório, Pablo Andreão, Diretor da Foz – Unidade de Cachoeiro de Itapemirim (ES), tem vista privilegiada do Rio Itapemirim e de boa parte de uma obra pioneira. Construída na Ilha da Luz, uma pequena central hidrelétrica (PCH) começou a operar no início de novembro, tornando a concessionária municipal dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário autossuficiente em energia.
A PCH é um marco para a Foz e para Cachoeiro de Itapemirim, a “Princesa do Sul” dos capixabas. Para a empresa, porque reforça seu papel de polo de excelência na prestação de um serviço essencial, com o uso cada vez mais eficiente da energia. Para o município, porque resgata a história da Ilha da Luz, que ganhou esse nome em 1903, quando começou a operar a usina de força motriz que tornou Cachoeiro de Itapemirim a primeira cidade do Espírito Santo e a terceira do Brasil a ter um sistema de iluminação pública baseado em eletricidade.
Passados 108 anos, os R$ 30 milhões investidos pela Foz na construção da PCH incluíram a recuperação de parte da estrutura criada na época da usina motriz, o que também valoriza uma história cujo resgate orgulha toda a comunidade. Além disso, a Ilha da Luz volta a justificar seu nome, com um empreendimento que gera 500 vezes mais energia que a antiga usina do início do século passado. A potência da PCH é de 3,8 MW, um acréscimo de 36% sobre os 2,8 MW previstos no projeto inicial, e o suficiente para abastecer de energia uma cidade de 40 mil habitantes.
“A energia elétrica é o maior custo de uma concessionária de saneamento básico”, explica Pablo Andreão. “A operação comercial da PCH faz da empresa de soluções ambientais da Odebrecht um exemplo de eficiência energética, com sustentabilidade. Isso terá reflexos muito positivos na comunidade local, na parceria com os fornecedores, na geração de valor para os acionistas e no negócio de saneamento em todo o Brasil.”
Andreão assumiu em junho a direção da Foz em Cachoeiro de Itapemirim. Há 10 anos na empresa, participou de todo o processo de implantação da PCH, iniciado em 2003 com os primeiros estudos de viabilidade. Mais tarde, em 2005, acompanhou o processo de licenciamento e, a partir de junho de 2010, a obra da usina – realizada dentro da cidade, o que exigiu muito diálogo com a comunidade e um intenso trabalho de educação socioambiental.
A grande beneficiada com a operação comercial da usina será a população da área urbana, que concentra mais de 90% dos 190 mil habitantes de Cachoeiro de Itapemirim. A Foz abastece com água potável 99,5% dos imóveis dessa região, que também tem 92,5% atendidos por sistema de esgotamento sanitário. Andreão afirma: “A PCH dará mais segurança ao conjunto da operação da concessionária, cujos serviços demandam funcionamento contínuo de instalações e equipamentos posicionados não apenas ao longo da área urbana da sede de Cachoeiro, mas também na dos outros nove distritos que compõem o município”.
A economia de Cachoeiro também será beneficiada intensamente com a operação da PCH, pois ela permitirá que a Foz deixe de consumir do sistema público local o total de energia utilizado pela concessionária, que é uma das 10 maiores compradoras de eletricidade no município. Assim, como esse insumo é fundamental para as indústrias, a infraestrutura local fica ainda mais atraente para a chegada de novos e expressivos empreendimentos geradores de mais emprego e renda.
“A PCH vai fortalecer a posição de referência que Cachoeiro de Itapemirim conquistou com seu sistema de saneamento básico, que tornou nossa cidade uma das primeiras no Brasil a solucionar as questões de abastecimento de água e esgotamento sanitário, por meio de uma parceria entre a iniciativa privada e o poder público”, salienta Pablo Andreão.
Padrão internacional
“A Foz detém a concessão do serviço de água e esgoto até 2035 e tem a obrigação de operar, manter, modernizar e ampliar a rede de saneamento básico de Cachoeiro de Itapemirim. A meta é desenvolver, de maneira contínua, o que já era bom, potencializar os valores e a filosofia da Organização Odebrecht”, diz Mário Amaro da Silveira, ex-Diretor Operacional da Foz em Cachoeiro e atualmente Diretor da Companhia de Saneamento de Tocantins (Saneatins), a mais recente conquista da Foz, que passou, em outubro, a participar do bloco privado da empresa (76,52%).
A Foz assumiu em 2008 a operação dos serviços de água e esgoto do município. Entre 2009 e 2012, os investimentos da empresa totalizarão R$ 75 milhões, ante os R$ 50 milhões aplicados nos 10 anos anteriores. Os R$ 75 milhões foram distribuídos em três frentes: na redução de perdas de água e na automação; na ampliação da cobertura do sistema de esgotamento sanitário; e na construção da PCH da Ilha da Luz.
“A Foz tem um cliente institucional, a Prefeitura, que é o poder concedente, mas o cliente de fato é o consumidor final, que recebe água potável com padrão de tratamento internacional de uma concessionária classificada entre as sete melhores prestadoras de serviços de água e esgoto em todo o Brasil”, reforça Mário Amaro da Silveira, referindo-se à classificação que a empresa obteve no Prêmio Nacional de Qualidade em Saneamento de 2010.
Luiz Carlos de Oliveira, Diretor-Presidente da Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos Delegados de Cachoeiro (Agersa), afirma satisfeito: a questão do saneamento básico no município está ‘redonda’”. Com isso, é possível concentrar esforços na solução de desafios relacionados a outros serviços da cidade, enquanto a Prefeitura pode investir em áreas como saúde e educação. Oliveira ressalta que a PCH da Ilha da Luz permite a prestação de um serviço com mais eficiência, o que gera benefício direto à população em relação ao custo pago nas tarifas de água e esgoto.
A construção da usina e o impacto visual das obras, destaca Oliveira, mexeram com a população e atiçaram o imaginário popular. “Teve gente achando até que o Rio Itapemirim seria aterrado”, brinca. Todos os boatos foram esclarecidos, e os moradores, tranquilizados. O Itapemirim, orgulho dos cachoeirenses, continua igualzinho, mas muito mais limpo, depois que a Foz instalou o esgotamento sanitário.
Que o diga o barbeiro José Dalvi, 71 anos, seis vezes presidente da Associação de Moradores do Bairro Teixeira Leite e com disposição de sobra para muitos outros mandatos. Ele mora na mesma casa, às margens do Itapemirim, há mais de 40 anos, e já passou muitos sábados e domingos recolhendo dejetos que boiavam nas águas poluídas do rio. As filhas cresceram, nasceu o neto, os cabelos ficaram brancos e ele aprendeu a entender, cada vez melhor, a alma do Itapemirim. “Antes, o mau cheiro era insuportável, os peixes sumiram, ouvia o rio gemer pela vida. Agora, com a coleta de esgoto, o mau cheiro sumiu, os peixes voltaram e está cheio de piabinhas pulando na água. O rio está vivo outra vez.”


