Ventos amigos

  • Montagem mostra como será um dos parques eólicos da Odebrecht em Rio Grande

    Montagem mostra como será um dos parques eólicos da Odebrecht em Rio Grande


texto Cláudio Lovato Filho

Odebrecht faz sua estreia no segmento de energia eólica, fonte priorizada pelo Brasil

O Brasil quer aproveitar os ventos que sopram a seu favor. E tem pressa, porque a necessidade e o ritmo de crescimento da economia exigem que assim seja. Os investimentos na geração de energia eólica, entre outras fontes renováveis, como o etanol e a biomassa, consolidarão a matriz energética brasileira como a mais limpa do mundo e uma das mais diversificadas. Com mais opções, reduz-se o risco da dependência. A antiga e sábia prescrição de que não se deve colocar todos os ovos na mesma cesta aplica-se bem ao caso.

O país prepara a implantação de parques eólicos em vários pontos do território, sobretudo nas regiões Sul e Nordeste, onde estão os ventos de características mais apropriadas para o aproveitamento energético. O visual dos aerogeradores enfileirados nos campos será cada vez mais frequente no país. De modo a contribuir nessa investida brasileira para transformar vento em energia, a Organização Odebrecht fez sua estreia no segmento de energia eólica. A atuação ocorre através da Odebrecht Energias Alternativas, empresa criada pela Odebrecht Energia.

“O Brasil quer ampliar a geração de energia eólica de 1 gigawatt, registrado em 2010, para 11,5 gigawatts, em 2020”, diz Fernando Chein, Diretor responsável pelo segmento de energia eólica, solar e PCHs (pequenas centrais hidrelétricas) na Odebrecht Energia. “O potencial eólico do país é de mais de 150 gigawatts, pelos números de hoje”, acrescenta. O objetivo do Governo Federal, explicitado no Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE 2020), é fazer com que as fontes renováveis passem a ocupar 46,3% da matriz energética até 2020. Em 2010, esse percentual era de 44,8%, ficando atrás apenas do petróleo e seus derivados.

 

Produção futura

Detentora do projeto do Complexo Corredor dos Senandes, em Rio Grande (RS), a Odebrecht Energia comercializou a produção futura de energia de quatro parques no Leilão de Reserva do Governo Federal realizado em 18 de agosto de 2011. Esses parques são o Corredor dos Senandes 2, 3 e 4 e o Vento Aragano 1. No leilão, a Odebrecht vendeu 50,5 MW (megawatts) médios a uma tarifa de R$ 99,50 por MWh (megawatt/hora), sendo necessário, para isso, instalar 116,9 MW de capacidade total nos parques eólicos. O contrato firmado com CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica) tem duração de 20 anos. O parques começarão a ser implantados em junho de 2012. O início de geração está previsto para até junho de 2014.

Neste momento, várias frentes de atuação são atendidas simultaneamente, sob liderança direta de Walter Tatoni, Responsável por Investimentos em Energia Eólica na Odebrecht Energia: obtenção de autorização do poder concedente para exploração, consolidação de toda a documentação necessária à obtenção das licenças exigidas para a implantação dos parques (em especial, as licenças ambientais), formação da equipe de implantação e gerenciamento dos parques, celebração dos contratos de fornecimento de bens e serviços, incluindo o de aerogeradores com a Alstom (responsável pela fabricação, operação e manutenção dos aerogeradores) e busca da aprovação do financiamento a ser feito pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “A Odebrecht Energia, em sua atuação como empresa investidora, operadora e comercializadora no setor de geração de energia, quer chegar a 2020 com 10 mil MW de geração própria”, destaca Walter. “A energia eólica será uma grande fonte alavancadora para o alcance desse objetivo.”

A capacitação e o conhecimento específicos relacionados à energia eólica resultaram de uma imersão de integrantes da empresa nesse novo universo, apesar da experiência em outras áreas do setor de energia. “Tivemos mais de um ano de estudos”, revela Marco Rabello, Responsável por Finanças na Odebrecht Energia. “Há particularidades”, ele diz, referindo-se ao segmento eólico, entre as quais as novas exigências que surgem em termos de documentos e a medição dos ventos, fundamental para que se conclua se o negócio é viável ou não.

Fernando Chein comemora o estágio atual de estímulo às fontes alternativas, em especial à eólica, mas tem uma ressalva: “Acredito que os leilões possam ser feitos por fontes específicas ou por regiões, de modo que se consiga equilíbrio na matriz energética. É preciso incentivar os investimentos em todas as fontes. A competição entre elas pode não ser interessante a longo prazo. As fontes têm de ser complementares.” Marco Rabello reforça: “As eólicas precisam competir entre si”. Hoje, os leilões incluem todas as fontes, e uma momentânea vantagem de preço de uma fonte em relação a outra (ou outras) pode vir a prejudicar uma delas e, consequentemente, sua cadeia produtiva.

 

Tecnologia para aproveitar os ventos

Nos quatro parques cuja energia foi comercializada no leilão de 18 de agosto, serão instalados 70 aerogeradores, produzidos pela Alstom em sua fábrica no Polo Industrial de Camaçari (BA), inaugurada neste segundo semestre de 2011. Os equipamentos terão 95 m de altura, e as hélices, 86 m de diâmetro. Sua potência unitária será de 1,67 MW.

O Complexo Corredor dos Senandes tem, no total, sete parques e potencial de geração de 175 MW. Além dos quatro parques com energia comercializada, está prevista a implantação do Corredor dos Senandes 1, Vento Aragano 3 e Capão Grande.

Não para por aí. No Rio Grande do Sul, a Odebrecht Energia pretende desenvolver ainda o Complexo Eólico Povo Novo, formado pelos parques de Porto Novo (7,5 MW), Fazenda Veracruz (22,5 MW) e Curupira (25 MW), localizados a cerca de 40 km do Complexo Corredor dos Senandes. Os investimentos não se restringem ao Sul. No Ceará, a empresa adquiriu, em agosto de 2011, o projeto do Complexo Eólico Aracati Mutamba, composto de 10 parques com capacidade para 240 MW. Além disso, há planos de investimento em projetos greenfield (a serem desenvolvidos desde os primeiros passos embrionários) na Bahia.

“O Brasil tem ventos excelentes”, diz Fernado Chein. “No Nordeste, são muito intensos, mas apresentam mais variações. No Sul, os ventos são menos intensos, porém mais constantes.” O desenvolvimento de tecnologias específicas pelos fabricantes é o que garantirá o melhor aproveitamento possível dos diferentes tipos de vento.

“Muito nos honra ser o primeiro fornecedor da Odebrecht Energia no segmento de energia eólica. Temos a ambição de ser parceiros da empresa em todas as fases dos projetos, desde a localização dos parques até o fornecimento final”, diz Marcos Costa, Vice-Presidente de Energia da Alstom para a América Latina. A fábrica de aerogeradores da Alstom, tradicional parceira da Odebrecht em projetos no setor de energia, está apta a produzir equipamentos capazes de gerar até 300 MW/ano. “O Governo brasileiro priorizou a energia eólica, e a Alstom quer participar dessa caminhada. Por isso, construiu uma fábrica em Camaçari.” Marcos Costa anuncia o desenvolvimento, em curso, de um novo aerogerador para a América Latina e o Brasil: o ECO 122, com 122 m de diâmetro das hélices e potência de 2,7 MW. “O ECO 122 é 100% adequado para ventos brasileiros”, ele afirma.

 

“Queremos aproveitar nosso potencial”

São esses equipamentos em constante evolução que começarão, em breve, a ocupar áreas rurais do município de Rio Grande, no sul do Rio Grande do Sul. Com um processo de desenvolvimento historicamente vinculado ao porto – que voltou a receber vultosos investimentos para o aumento de sua capacidade de movimentação de carga e para sediar grandes obras navais –, a cidade passa agora a contar com a contribuição significativa dos parques eólicos.

O Prefeito Fábio Branco enfatiza que a intenção é diversificar as atividades econômicas respeitando as vocações da cidade. “Queremos aproveitar nosso potencial”, ele ressalta. “Para Rio Grande, a implantação dos parques eólicos é um divisor de águas, significará a quebra de paradigmas. Toda a nossa cadeia produtiva receberá impacto positivo”, ele antevê, em razão da chegada das empresas envolvidas nos projetos, nas oportunidades diretas e indiretas de trabalho, no aumento do nível da renda e no acréscimo de possibilidades para as instituições acadêmicas. “Nós, do poder público, queremos ser facilitadores do processo de instalação dos parques. Mantemos ótima relação com a iniciativa privada, neste caso representada pela Odebrecht, uma empresa que tem compromisso com as populações locais.” Fábio Branco não esconde a expectativa. “Precisamos aproveitar ao máximo e o quanto antes a nossa matéria-prima. O vento que passou aqui hoje não passará mais.”