A alegria de uma nova alvorada
Energia Social: um programa que transforma a vida de integrantes da ETH e das comunidades onde eles atuam
Adriana Pereira dos Santos nasceu em Sertãozinho (SP). Da mesma forma como fizeram muitos de seus amigos e conhecidos, ela decidiu, em certo momento da vida, deixar a terra natal em busca de oportunidades de trabalho. Encontrou o que procurava em Nova Alvorada do Sul (MS). Aos 34 anos, Adriana é hoje tratorista na Unidade Santa Luzia da ETH Bioenergia. Com uma motivação que se manifesta na fala e no brilho do olhar, ela conta que chegou à vitória mais importante de sua vida profissional graças aos cursos oferecidos pela empresa por meio do Programa Energia Social para a Sustentabilidade – uma iniciativa da ETH que centraliza todas as ações de Responsabilidade Social concebidas para as comunidades onde a empresa atua. “Agora eu posso dizer que tenho uma profissão”, afirma Adriana, operando seu equipamento pesado em um dos canaviais que abastecem a Unidade Santa Luzia.
Ela participa do plantio da safra 2012/2013, que, segundo o Gerente Industrial Eliandro de Jesus Romani, será suficiente para permitir à unidade atingir a capacidade máxima de produção em 2013: a moagem de 6 milhões de t de cana-de-açúcar e a consequente produção de 540 milhões de litros de etanol e de 450 milhões de Gw/hora de energia. Na empresa desde março de 2011, Adriana já realizou o sonho da casa própria, onde vive com o marido e duas filhas. Segundo a equipe do Programa Energia Social, 80% dos alunos certificados nos cursos de Nova Alvorada do Sul foram absorvidos pelo mercado de trabalho local. “Dos 279 formados, 127 ingressaram na ETH”, informa Isabel Verônica Rodrigues dos Santos Silva, Coordenadora de Desenvolvimento de Pessoas da empresa no Polo Mato Grosso do Sul e integrante da Comissão Temática de Educação do Programa Energia Social no município.
Desde 2009, com a chegada da ETH a Nova Alvorada do Sul e a consequente dinamização da economia local, inverteu-se a lógica do desemprego para a de oferecimento de oportunidades no município de quase 17 mil habitantes localizado no entroncamento das BRs 267 e 163. Em dois anos, a sustentabilidade econômica e social na cidade tornou-se referência regional. De acordo com o Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM), instrumento criado pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro para medir o crescimento de cidades em todo o Brasil, Nova Alvorada do Sul é a cidade do Mato Grosso do Sul com maior desenvolvimento em geração de emprego e renda. O crescimento, em apenas um ano (2008/2009) foi de 50,5%.
O Programa Energia Social, entretanto, não se resume à qualificação para o mercado profissional. Aplicado nas nove cidades em que a ETH mantém operações – Cachoeira Alta, Caçu, Mineiros e Perolândia, em Goiás; Alto Taquari, no Mato Grosso; Costa Rica e Nova Alvorada do Sul, no Mato Grosso do Sul; e Mirante do Paranapanema e Teodoro Sampaio, em São Paulo –, ele é um instrumento para o desenvolvimento da comunidade nas áreas de cultura, saúde e geração de trabalho e renda em diversos setores de atividade, em apoio ao relacionamento das equipes das unidades industriais da ETH.
O trabalho é estruturado em quatro comissões temáticas – Atividades Produtivas; Educação e Cultura; Saúde e Segurança; e Preservação Ambiental – e em um Conselho Comunitário, formado por representantes da ETH e da Prefeitura e líderes da sociedade civil. Da ação integrada desses agentes, vem o resultado inovador e indutor do crescimento econômico e sociocultural em cidades como Nova Alvorada do Sul, a primeira a receber o programa. Nas reuniões abertas à comunidade, integrantes das comissões e conselheiros debatem prioridades, identificam oportunidades e elaboram os projetos e as ações para a coletividade.
“O grande diferencial desse programa é a gestão participativa, por meio da qual as ações são pensadas de maneira sinérgica. Conseguimos ótimos resultados, e 2011 foi muito importante para o programa. Estamos implantando 20 projetos”, salienta Carla Pires, Responsável por Sustentabilidade na ETH e pela gestão do Energia Social.
Participação feminina
Em Nova Alvorada do Sul, as mulheres têm desempenhado papel importante na execução do programa. Maria Auxiliadora Coimbra é uma delas. Aos 43 anos, a assistente social participa ativamente do programa, o que a incentivou a abrir um pequeno estabelecimento comercial, há seis meses. Integrante da Comissão de Educação, ela afirma que o Energia Social e as oportunidades de trabalho que ele propicia têm sido responsáveis por mudanças na mentalidade dos moradores, especialmente entre mulheres e jovens, que passaram a ter uma nova perspectiva de vida. “Ao tratar de temas como meio ambiente, relações humanas, segurança e legislação, os cursos formam cidadãos.”
Entre as atividades complementares do programa está o Cine Energia Social, iniciativa que oferece palestras a comunidades carentes e exibe filmes educativos. “Um dos objetivos do programa é criar uma consciência de sustentabilidade”, diz Rosemeri Brendle, facilitadora do Energia Social em Nova Alvorada do Sul, após uma sessão na Escola Estadual Antônio Coelho.
Sustentabilidade é o conceito presente em cada uma das ações do programa, cujas iniciativas também avançam no campo da saúde. O debate entre os setores sociais da cidade priorizou a construção do prédio do novo Laboratório de Análises Clínicas Municipal, em funcionamento desde maio de 2011. O espaço de 147 m2, construído com investimento da ETH, apresenta uma realidade bem diferente da que havia na área antiga, com 30 m2 e apenas uma divisória interna. Atualmente, a capacidade de realização de exames, inclusive mais complexos, como o de hanseníase e tuberculose, praticamente dobrou. “Em janeiro de 2011, quando iniciou-se a obra, processamos 1.154 exames. Em setembro de 2011, chegamos a 1.980”, relata a Secretária Municipal da Saúde, Fabiana Martins Amaral.
É na área cultural, porém, que está, de acordo com o Prefeito de Nova Alvorada do Sul, Arlei Barbosa, a menina dos olhos do Energia Social. “A construção do Ponto de Cultura para a Sustentabilidade, no parque Nelson Tereré, será um marco para a cidade”, ele diz. Diferentemente do atual, que funciona em uma pequena casa alugada, o novo prédio, com 6 mil m2, terá espaço de sobra, com concha acústica, quadra de ensaios, salas multiusos para teatro, música e artes plásticas, estúdio de rádio e vídeo. Tudo em um projeto arquitetônico e de engenharia sustentáveis, com aproveitamento da água, fossas biossépticas e energia solar.
Nova Alvorada do Sul integra uma região marcada pelo conflito da luta pela terra e que foi palco de experiências da reforma agrária, ainda em curso no Brasil. São nove os assentamentos na área, e a participação, no Energia Social, das famílias que os compõem, determinou a criação do projeto de hortas orgânicas circulares. Voltado à geração de renda e ao aumento da oferta de hortaliças orgânicas, o projeto beneficiará inicialmente a 27 famílias, que poderão abastecer escolas e empresas, além de comercializar parte da produção na Feira do Produtor. O Presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura Familiar de Nova Alvorada do Sul e Região, José Caetano Santana (Dedé), enfatiza: “Projetos como este, de geração de oportunidades de trabalho, são fundamentais para a nossa região”.




