Odebrecht Informa


Desperdiçar, nem pensar

Ciclo completo: os restos de alimento viram adubo usado na horta que ajuda a abastecer o refeitório

O refeitório

Participantes dos programas Dupla Face

Costurando Vidas: disseminação da cultura de sustentabilidade

texto Válber Carvalho foto Élvio Luiz

Da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, vêm exemplos de iniciativas criativas de reciclagem

O desafio foi lançado pelo Diretor de Contrato Antenor de Castro à sua equipe, em alinhamento com a missão do Conest: promover ações de sustentabilidade com foco no meio ambiente, por meio do uso racional dos recursos e da aplicação de práticas eficientes para tratamento e reciclagem de resíduos. Buscou-se, então, identificar oportunidades para o desenvolvimento de programas de Responsabilidade Socioambiental, em sintonia com as vocações das comunidades do entorno da obra que ele lidera, de maneira a fomentar a geração de trabalho e renda. Antenor sabia que esse era o caminho a seguir.

Formado pela Odebrecht Engenharia Industrial e a OAS, o Consórcio Rnest Conest é responsável pela implantação de dois dos maiores contratos em execução na Refinaria Abreu e Lima (Rnest), localizada em Suape, a 40 km de Recife: UDA (Destilação Atmosférica) HDT/UGH (Hidrotratamento/Geração de Hidrogênio), totalizando oito unidades. O cliente é a Petrobras. No atual estágio da construção, o Conest tem 5 mil trabalhadores no canteiro de obras, mas a previsão é de que seja superada a marca de 7 mil integrantes no pico dos serviços.

Os frutos não demorariam a surgir. O projeto que viria a se chamar Reciclando deu seu primeiro passo através de uma extensa pesquisa interna que identificou a necessidade de descarte de resíduos em três locais de operação do consórcio: o próprio site da obra da refinaria, o pipe shop, onde são fabricadas as tubulações utilizadas na construção, e a Vila Residencial, na qual estarão alojados cerca de 3.500 integrantes, entre encarregados e oficiais de produção que estão vindo de cidades distantes ou de outros estados.

Esse diagnóstico detectou a necessidade de ações imediatas para destinação dos resíduos. Nos refeitórios, onde atualmente mais de 10 mil refeições são preparadas e fornecidas todos os dias, são geradas 40 t de resíduos que, inicialmente, eram descartadas em aterros sanitários.

 

Transformando resíduos em oportunidades

Além dos resíduos alimentares, o levantamento também revelou um número expressivo de sobras de papelão e um volume significativo de uniformes danificados. Esses resíduos eram transportados e descartados no Centro de Tratamento de Resíduos de Jaboatão dos Guararapes, cidade da região metropolitana de Recife.

“Partimos então para o segundo passo: identificar programas que pudessem propiciar destinação e tratamento para esses resíduos. O terceiro movimento foi envolver as comunidades do entorno, de tal forma que pudéssemos levar conhecimento e capacitação, gerar trabalho e renda, além de despertar, nos integrantes e na comunidade, uma consciência ambiental que se tornasse um legado do Conest”, explica Antenor de Castro.

Surgia assim o Projeto Reciclando, abrangendo os programas Dupla Face, que utiliza resíduos de papelão, Costurando Vidas, que reaproveita os uniformes descartados, e Verde Vida, que transforma resíduos alimentares em adubo orgânico a ser utilizado em hortas e jardins do próprio Conest e de comunidades agrícolas.

Para estimular os integrantes a participarem da coleta seletiva dos resíduos orgânicos desde a sua geração, a equipe de Segurança do Trabalho e Meio Ambiente do Conest criou recipientes de descarte com várias “bocas”, uma para cada tipo de material, e eles foram instalados nos restaurantes. Com isso, o lixo orgânico passou a ser descartado em um único destino, os plásticos em outro, e os guardanapos de papel em um terceiro. Um técnico de segurança fiscaliza a execução dessa tarefa em cada refeitório.

Depois de separado, o lixo orgânico é conduzido em bombonas até a Vila Residencial, onde funciona o Galpão de Compostagem do programa. “Após 60 dias, o composto é transformado, por meio de técnicas de compostagem e vermecompostagem, em adubo orgânico, que já está garantindo a produção de uma horta, cultivada no local e cujos produtos serão utilizados nos refeitório do Conest”, explica Waldir Martins, Coordenador Técnico do Reciclando.

O Verde Vida também já está mudando o cotidiano de algumas comunidades agrícolas. Formado por cinturões de agricultores familiares sem acesso à assistência técnica, o entorno da região de Suape registra o uso indiscriminado de pesticidas e a dificuldade de escoamento da produção. Agricultores dessas comunidades estão sendo convidados a conhecer o Galpão de Compostagem, onde receberão capacitação para aprender a utilizar seus restos de alimentos como adubo orgânico. Dessa forma, poderão vender o que produzem para a empresa terceirizada responsável pelas refeições no canteiro de obras. A agricultora familiar Neide Rodrigues afirma que perde a maior parte do muito que produz, e apela: “Estamos tentando nos livrar dos produtos químicos porque queremos ter a saúde dentro das nossas casas. O uso do orgânico vai dar certo!”, garante.

 

Descobrindo talentos

Em Cabo de Santo Agostinho, município vizinho à Refinaria Abreu e Lima, toda semana um caminhão do Conest entrega o papelão na sede da futura Cooperativa de Arte Reciclável, onde trabalha um grupo de artesãos que participam do Projeto Dupla Face.

Depois de passar por nove meses de detenção, após uma condenação por tráfico de drogas, Ildelvândio Duarte encontrou a chance de reabilitação e hoje ganha a vida como artesão de papelão. “Quando saí da cadeia, estava desempregado, e aí uma porta se abriu aqui no Dupla Face. Com o dinheiro que ganhei já construí minha casinha e comprei o enxoval de minha filha.”

Na mesma cidade, a costureira Marluce dos Santos, 60 anos, só pensava em se aposentar, até ser convidada para o Programa Costurando Vidas: “Quando vi o início da obra dessa refinaria, nunca pensei que viesse chegar até mim. Hoje eu reforço a renda da minha casa e acredito que mais e mais pessoas vão vir para cá”, comenta, em meio aos chapéus de lona e pochetes reciclados a partir de velhos uniformes higienizados e de bolsas confeccionadas com lonas reaproveitadas de banners.

Toda essa matéria-prima volta para o consórcio transformada em produtos valorizados pelos integrantes da obra, como peças de decoração e brindes, que são sorteados durantes as campanhas realizadas no canteiro. Dessa forma, o Programa Reciclando contribui para disseminar em todo o Conest uma cultura de sustentabilidade.

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