E tudo começou com um dicionário
A história da realização de um sonho inspirado no amor pelos livros
Quando, na minha infância e adolescência, encontrava uma palavra da qual não sabia o significado, “gritava”: “Mamãe, o que significa?” A resposta, invariavelmente, era a mesma: “Vá olhar no dicionário!”. É evidente que eu ficava furiosa. Mas não tinha jeito. Ou ia verificar no “pai dos burros” ou ficava sem saber.
Ela, uma mulher muito culta, sabia todos aqueles significados despertados por minha curiosidade. Porém, com seu zelo, fez com que eu criasse o hábito de procurar cada palavra, conhecer seu significado, raiz, gênero etc. Dessa forma, eu fixava o vocábulo e ia me aculturando. Lógico que fiquei um ás em procurar no dicionário e rapidinho encontrava a palavra-alvo de minha curiosidade estudantil.
Em 1972, quando iniciei minha vida profissional na Odebrecht, encontrei, perdidos na Sede do Km 0 (Bairro do Retiro, em Salvador), quatro volumes do Dicionário Michaelis (inglês-português e português-inglês). Como não dispúnhamos de uma biblioteca, algum desavisado quis jogá-los fora. Não deixei e os adotei…
Ao longo dos anos, como uma mãe zelosa, fui tomando conta deles! A Sede mudava (Pituba…Caminho das Árvores… Avenida Paralela…) e lá iam eles comigo! E eu inconformada porque a Odebrecht não tinha uma biblioteca…
Com o passar de tantos e tantos anos, vi muitos livros serem jogados fora – ou porque quem os tinha não se interessava em guardá-los ou porque não havia espaço nas novas salas. Mas àqueles quatro volumes foram se juntando livros comprados ou ganhos por Dr. Norberto.
Sempre que ele ganhava um ou se interessava em comprar algum, após conhecê-lo, perguntava: “Dona Hebe, o que vai fazer com esse exemplar?” E eu o guardava nos armários da sala dele.
Em 2008 e 2010, faleceram o Sr. Carlos Conde e Dona Julinha Conde, dois baianos amantes dos livros. Possuíam uma vasta biblioteca, com livros raros e todos cuidadosamente encadernados. Ilka Odebrecht Queiroz, filha de Dr. Norberto, ficou encarregada de doar a coleção.
Por essa época, foram feitas algumas mudanças nas instalações da Fundação Odebrecht. Aí, pensei: “Por que não trazer esses livros para uma biblioteca nossa?” A esses se juntariam muitos livros doados pela própria Fundação, por Dr. Norberto, por Bruno Malaguti (meu filho), por Augusto Cruz e por mim.
Pedi apoio a Júnior, Responsável pela Administração da Sede em Salvador, e consegui duas salinhas na Fundação. Começamos os trabalhos de higienização. Depois, chegou o momento da catalogação. Só que, para isso, teríamos custos… O nosso orçamento não comportava…
Com minha “cara de pau”, pedi apoio a Márcio Polidoro. E fiz o pedido na presença de Dr. Norberto! Coitado de Márcio. Coloquei-o em uma saia justa. Se pensou em negar, não conseguiu. Ele deve ter intuído que dali sairia algo diferenciado para enriquecer o nosso Núcleo da Cultura Odebrecht. Dessa forma, “minha” pretensão ganhou um aliado. Foi contratada a Empresa DocExpõe para o serviço.
Tudo estava caminhando para um simplório espaço, que ficaria sob minha responsabilidade e que serviria de lazer cultural para os integrantes que trabalham na Sede.
De repente, o crescimento da Organização impôs a necessidade de mais espaço para pessoas que estavam chegando. Perdi minhas salas, mas, em contrapartida, recebi um pedaço do auditório do andar térreo, que estava sendo pouco usado em razão da construção do novo auditório, no prédio ao lado, muito mais amplo.
A arquiteta Doriane Meyer aceitou o convite para fazer o projeto. Ocorreram novas reuniões e, com a aprovação de Marcelo Odebrecht, a ideia ganhou outra dimensão. O espaço restante do auditório nos foi cedido. Tínhamos, então, uma bela área.
Começamos a correr contra o tempo para que a inauguração se desse ainda em agosto, mês no qual a Odebrecht comemora seu aniversário de fundação.
Foi um desafio e tanto, pois já estávamos em meados de junho e dependíamos de fornecedores diversos. A cada dia que conseguíamos concluir uma etapa, vibrávamos.
As equipes da Administração do Edifício e de Comunicação em Salvador, esta sob a liderança de José Raimundo Lima, não mediam esforços para realizar o belo sonho.
Visitas ao Edifício-sede da Organização Odebrecht, em Salvador
Ano: 2011 (até 20 de novembro)
• Universidades/Escolas:
117 visitas – 3.815 alunos
• Programa de Educação Ambiental:
104 visitas – 4.521 alunos
• Eventos na Biblioteca Hertha Odebrecht:
4 visitas – 301 visitantes
Total: 225 visitas – 8.637 visitantes
Além da biblioteca, foi criado um espaço para apresentações, palestras e pequenas exposições. Tudo acessível aos integrantes da Organização e também aos visitantes, clientes e amigos, ratificando o desejo de Dr. Norberto de que o prédio da Avenida Paralela seja o prédio da comunicação da Odebrecht com a comunidade baiana.
No dia 18 de agosto de 2011, com muita emoção, na presença de membros do Conselho de Administração e de alguns líderes de líderes, a biblioteca foi inaugurada, também como uma homenagem a Dr. Norberto pelos seus 90 anos. O nome escolhido não poderia ter sido outro: BIBLIOTECA HERTHA ODEBRECHT
“Minha Mãe foi educada na Prússia para ser Mulher e Mãe, saber criar, educar e alimentar os Filhos.
Em casa, sob sua Liderança, vivíamos um ambiente familiar Educativo, Religioso e de Confiança. Desde cedo, com Disciplina e Organização, minhas irmãs e eu fomos preparados para a Vida e para o Trabalho. Os Ensinamentos sempre visavam à busca da Verdade e do que era o Certo e melhor para Todos.
Credito, pois, à minha Mãe tudo o que sou hoje como Homem. Ela foi responsável pela minha Educação Filosófica para a Vida.
Com a Base Educacional que tive na Infância e Adolescência, pude enfrentar os Desafios que a Vida me impôs e, especialmente, reconhecer a sua importância. Investir na Formação das novas Gerações, educando para a Vida, pelo Trabalho, para Valores e Limites é a nossa grande Missão.”
Norberto Odebrecht
Assim, a primeira exposição, sob responsabilidade de Ângela Petitinga, foi em homenagem a Dona Hertha Odebrecht e, nela, foram mostrados aspectos de sua vida. Uma mulher que, com disciplina e respeito, foi, acima de tudo, uma Mãe Educadora de três filhos, conduzindo-os no caminho de uma vida pautada por valores morais e que, marcadamente, fez toda a diferença para Dr. Norberto Odebrecht, que nos legou a Tecnologia Empresarial Odebrecht, a qual, mais que uma Tecnologia Empresarial é uma Filosofia de Vida aplicada ao trabalho e ao ato de servir.
Hebe Meyer é Assessora da Presidência do Conselho de Curadores da Fundação Odebrecht


