Festa no mosteiro

  • Convidados assistem à apresentação de música sacra na Basílica de São Sebastião

    Convidados assistem à apresentação de música sacra na Basílica de São Sebastião


texto José Enrique Barreiro
fotos Márcio Lima / Artur Ikishima

Lançamento de livro no Mosteiro de São Bento da Bahia tem a participação de 1.800 pessoas

Fundado em 1582, em Salvador, o Mosteiro de São Bento da Bahia foi o primeiro mosteiro construído fora da Europa, o primeiro de todo o “Novo Mundo”. Localizado no Centro Histórico de Salvador, é guardião de um precioso acervo artístico e histórico, formado a partir da chegada dos primeiros monges beneditinos ao Brasil, em 1580, e que inclui documentos históricos e um rico conjunto de pinturas, esculturas, mobiliário e ourivesaria, além da segunda mais importante biblioteca de livros raros do Brasil (atrás apenas da Biblioteca Nacional).

Na noite de 30 de novembro, o mosteiro abriu suas portas e recebeu 1.800 convidados para o lançamento do livro O Mosteiro de São Bento da Bahia, organizado por Dom Gregório Paixão. “Uma noite memorável para nossa casa”, declarou o Arquiabade Dom Emanuel D’Able do Amaral, que, com 30 monges, participou do evento.

A festa teve início na Basílica de São Sebastião (a igreja do mosteiro), onde os convidados assistiram a apresentações de música sacra e aos discursos de Dom Emanuel, Dom Gregório e de Márcio Polidoro, Responsável por Comunicação na Odebrecht.  Em seguida, todos se dirigiram ao pátio do mosteiro, onde ocorreu a sessão de autógrafos dos autores do livro: o fotógrafo Almir Bindilatti, a doutora em Letras Alicia Duhá Losé, o monge beneditino e Bispo Auxiliar de Salvador Dom Gregório Paixão, o poeta Fernando da Rocha Peres, o historiador Francisco Senna, o restaurador de obras de arte José Dirson e a arquiteta Maria Herminia Hernández. Os convidados puderam também visitar, em pequenos grupos e em silêncio, a clausura do mosteiro. Foi a primeira vez na história da instituição que mulheres visitaram a clausura durante a noite.

Ao longo do evento, houve a distribuição do livro, com cerca de 400 páginas, que retrata a história da vida monástica no Ocidente, a chegada e instalação dos beneditinos na Bahia, sua participação na vida da cidade por mais de 430 anos e as diversas etapas construtivas dos edifícios do mosteiro e mostra parte considerável dos tesouros ali guardados.

O livro é resultado do projeto vencedor do Prêmio Odebrecht de Pesquisa Histórica – Clarival do Prado Valladares em 2010. O texto de apresentação foi escrito por Norberto Odebrecht, Fundador da Organização Odebrecht. Intitulado Uma Antiga Parceria, revela sua relação de mais de 80 anos com o Mosteiro de São Bento da Bahia. “Mais que o apoio mútuo em situações específicas, trata-se de uma relação em que compartilhamos Espírito, Cultura, Ideias e Atitudes diante da vida. Uma delas é a centralidade do trabalho, o instrumento de desenvolvimento pessoal e coletivo por excelência”, diz Norberto Odebrecht.

 

Edição 2011 do prêmio tem vencedor anunciado

Em 17 de novembro, foi escolhido o projeto vencedor da oitava edição do Prêmio Odebrecht de Pesquisa Histórica – Clarival do Prado Valladares, cujo livro resultante será publicado em 2013. Trata-se do projeto Oráculos da Geografia Iluminista: Dom Luis da Cunha e Jean-Baptiste Bourguignon d’Anville na construção da cartografia do Brasil, da professora Júnia Ferreira Furtado, da Universidade Federal de Minas Gerais. Ela pesquisará a colaboração entre o diplomata português e o cartógrafo francês para a elaboração do Mapa das Cortes, apresentado pelos portugueses no Tratado de Madri, em 1750, para substituição dos limites territoriais estabelecidos no Tratado de Tordesilhas no século XV. O Mapa das Cortes reconfigurou o território brasileiro, com a anexação de vastas áreas ao oeste, ao norte e ao sul do país, e desenhou aquele que é, com poucas alterações nos séculos seguintes, o atual território do Brasil.

Cerca de 100 projetos, de vários estados brasileiros, foram inscritos na oitava edição do prêmio. Os cinco autores finalistas fizeram suas apresentações para o júri formado pelo jornalista Rinaldo Gama, os historiadores Eduardo Silva e Francisco Senna, o editor José Enrique Barreiro e Márcio Polidoro, que escolheram, ao final, por unanimidade, o projeto da professora Júnia Ferreira Furtado.