A consolidação de uma nova tecnologia


texto Da Redação
fotos Consórcio Rio Paraguaçu/Divulgação

Pela segunda vez na história, uma plataforma de petróleo é lançada na água a partir de outro corpo flutuante

Em São Roque do Paraguaçu (BA), criatividade, planejamento e inovação tecnológica fazem história na indústria offshore: pela segunda vez, uma plataforma de petróleo é lançada na água a partir de outro corpo flutuante. O lançamento da P-60, da Petrobras, ocorreu a cerca de 3 km do canteiro de obras onde foi construída e montada pelo Consórcio Rio Paraguaçu (formado pela Odebrecht Engenharia Industrial, pela Construtora Queiroz Galvão S/A e pela UTC Engenharia).

Realizado em outubro, o lançamento da P-60 foi possível graças a outro procedimento de sucesso, que permitiu a consolidação e o aperfeiçoamento de uma tecnologia empregada de forma pioneira pelas empresas do consórcio: o lançamento da P-59, também da Petrobras, ocorrido em junho 14 Segundos que Entraram para a História – OI 155. O método desenvolvido integralmente no Brasil, e agora repetido pela mesma equipe, prova que o uso de balsas submersíveis para o lançamento de plataformas autoelevatórias é seguro e economicamente viável.

“Na operação da P-60, utilizamos os nossos rebocadores em um momento em que o vento e a correnteza eram maiores. Com isso, a operação pôde ser testada em condições climáticas menos restritivas que as anteriores”, relata Mário Moura, Gerente de Produção e Responsável pela atividades de Engenharia de Campo do consórcio. “A operação de lançamento da P-60 foi um sucesso. Os dois corpos flutuantes (plataforma e balsa) se comportaram da maneira esperada”, acrescenta.

 

Atividade paralela

Moura, que trabalhou na construção e no lançamento das duas plataformas, explica que o próximo desafio da equipe é finalizar a construção da P-59 até o fim de fevereiro, quando a plataforma estará pronta para o seu tow-out (reboque) para alto mar. “No momento, estamos finalizando o comissionamento do drilling – sistema de perfuração submersa com altíssimo nível de automação – e terminando de montar suas pernas, que chegarão até 140 metros de altura cada”, diz. Para a montagem, será utilizado um guindaste de 1250 t, um dos maiores já usados pela Odebrecht.

A finalização da P-59 ocorre paralelamente às etapas de lançamento e construção da P-60, que recentemente passou pelo jacking de pernas (movimento em que as bases de sustentação são estabilizadas no fundo do rio, próximo ao estaleiro). Antes de caírem na água, as duas plataformas foram submetidas ao procedimento de load-out, que consiste na colocação da plataforma sobre a balsa, ainda em terra firme. A transferência é realizada com o auxílio de patins de embarque, que recebem um revestimento de teflon e uma camada de sebo de carneiro, de forma a reduzir o atrito da operação.

Tanto a P-59 como a P-60 são projetadas para operar em áreas próximas à costa, com até 110 m de lâmina d’água. A capacidade de perfuração de cada uma delas é tem proporções abissais: quando já estiverem no mar, as plataformas permitirão uma inspeção de até 10 mil m de profundidade, o que possibilitará à Petrobras alcançar a camada de pré-sal.

 

Menos custo, mais flexibilidade

O lançamento da P-60 foi executado com apoio da Marinha do Brasil e da Capitania dos Portos e durou um segundo a mais que o lançamento da P-59. Em um quatro de minuto, a gigante de 7.100 t e 60 m de altura deslizou sobre a balsa BGL-2 da Petrobras (também utilizada no lançamento anterior) até se estabilizar nas águas do Rio Paraguaçu, próximo de sua foz. A utilização da BGL-2 representa, na prática, menos custo e mais flexibilidade para o consórcio, já que utiliza a tecnologia disponibilizada pelo próprio cliente.

“A tecnologia desenvolvida em São Roque possibilitou a construção desse tipo de plataforma em canteiros de relativa simplicidade, em vez de em estaleiros navais”, afirma José Luís Coutinho, Diretor de Contrato da Odebrecht. Antes das duas operações, os métodos conhecidos de lançamento de autoelevatórias exigiam a existência de um dique seco ou de uma carreira fixa (estrutura semelhante a um estaleiro) além da opção de utilização de uma balsa submersível, cuja locação é bastante cara e a disponibilidade, reduzida.

De acordo com Coutinho, três anos de trabalho e estudos trouxeram resultados positivos não apenas para a Organização. Um deles é a qualificação de trabalhadores em São Roque do Paraguaçu. O outro é a capacitação tecnológica das empresas envolvidas na construção das duas plataformas, o que possibilitará lançamentos futuros com tecnologia totalmetne nacional. “Contratualmente, o cliente poderá optar pela construção de uma terceira Jack-up. E nós poderemos, a partir de então, utilizar todo o nosso aprendizado com as P-59 e P-60”.

Assim como a P-59, a P-60 é projetada para operar em áreas próximas à costa, com até 110 m de lâmina d’água