As sementes da economia sustentável
Vencedores do Prêmio Angola 2011: prêmio em dinheiro e convite para estagiar na Organização
Isalino Neganga é estudante do 4° ano de Engenharia Eletromecânica da Universidade Jean Piaget de Angola. Em agosto de 2010, ele e os colegas António Llola e Osvaldo Mazanga tiveram uma ideia simples, mas que poderia resultar em economia de recursos e dinheiro nos edifícios de Luanda: por que não reaproveitar a água da condensação dos aparelhos de ar condicionado para lavar a fachadas, regar as plantas e utilizar na descarga dos sanitários?
A iniciativa resultou em um dos projetos vencedores do Prêmio Odebrecht para o Desenvolvimento Sustentável, voltado a estudantes universitários angolanos. Com seu resultado divulgado em dezembro, a 2ª edição do Prêmio Angola teve outros dois trabalhos vencedores, inscritos pela Universidade Privada de Angola e pela Universidade Independente de Angola, e contou com 23 grupos inscritos. Concorreram, ao todo, 45 alunos e 23 orientadores de nove instituições de ensino.
Evitando desperdício
“Água é um recurso escasso em Angola. Por que não aproveitá-la melhor num país que está crescendo, se desenvolvendo?”, questiona Isalino. Ele conta que a ideia surgiu em uma aula de termodinâmica, em que ele e os colegas estudavam o ciclo das máquinas frigoríficas. A partir disso, conceberam um mecanismo simples e economicamente viável, através do qual a água seria canalizada de todos os aparelhos de ar para um recipiente único, onde seria armazenada.
“Exceto para o consumo humano, poderemos utilizar essa água para mil coisas. É uma forma simples e barata de evitar o desperdício”, acrescenta o estudante, um dos autores do projeto Reaproveitamento da Água de Condensação de Ar Condicionado. Estudantes, orientador e universidade responsáveis pelos projetos vencedores receberam, cada um, o prêmio de US$ 7.500. Aos alunos vencedores também foram oferecidos estágios na Odebrecht Angola.
“Os ganhadores da edição 2010, por exemplo, hoje são integrantes da Odebrecht. Nós percebemos que o prêmio em dinheiro não é o único atrativo do concurso, pois muitos enxergam nele uma porta de entrada para seguir uma carreira na Organização”, salienta Celeste Borges, responsável pelo prêmio. Atualmente, 93% da força de trabalho da Odebrecht Angola são compostos de angolanos, dos quais, 70% encontram na empresa sua primeira oportunidade profissional.
Ecológico e socialmente viável
De acordo com Celeste, a avaliação dos projetos considerou aspectos como a contribuição da engenharia para o desenvolvimento sustentável. Também foram levados em conta clareza, fundamentação, contribuição técnica e aplicabilidade prática. “Os pilares da sustentabilidade foram observados em cada um dos trabalhos. Não adianta, por exemplo, um projeto trazer benefícios ambientais se ele não tiver uma aplicabilidade social e econômica”.
A partir desses critérios, dois outros trabalhos foram premiados. Um deles, Reciclagem de Resíduos Eletrônicos – Uma Aposta para o Desenvolvimento Sustentável em Angola, da Universidade Independente, propõe que os equipamentos eletrônicos descartados pelas empresas sejam reutilizados, o que evitará acúmulo de materiais pesados e tóxicos na natureza e diminuirá o descarte em excesso desses aparelhos nos lixões do país.
“O rápido avanço tecnológico e o consumismo têm contribuído para o amontoado de lixo eletrônico em casas e empresas. Além disso, não existe em Angola uma legislação que proporcione e facilite o descarte desse lixo”, observa Dúnia Fernanda Couto, que, em parceria com a colega Elizandra Agostinho, desenvolveu a ideia e a colocou no papel. Ambas são estudantes de Engenharia Eletrônica e Telecomunicações.
O terceiro projeto vencedor foi Reciclagem de Resíduos Sólidos – Força Motriz para o Desenvolvimento Sustentável de Angola, de autoria do estudante de Engenharia Civil Elísio Baptista Alexandre, da Universidade Privada de Angola. O trabalho desenvolvido por Elísio apresenta sugestões para a solução do descarte inadequado de lixo em Luanda, geralmente direcionado às valas e, por isso, causador de entupimentos na rede de esgoto durante as chuvas.
“A sustentabilidade é o primeiro compromisso de cada uma das empresas da nossa Organização. E investir na formação dos profissionais angolanos é um elemento essencial na nossa contribuição para o desenvolvimento sustentável do país”, afirma Ernesto Baiardi, Diretor-Superintendente da Odebrecht Angola. “Incentivar estudantes universitários a pensarem sua profissão em alinhamento com uma nova perspectiva socioambiental vai, portanto, ao encontro do que nós acreditamos”, enfatiza.
