A ciência da competitividade

Letícia Socal: troféus em formato cúbico que, a cada edição, são agregados à mesma base
Para estimular a busca de soluções inovadoras, proteger essas ideias e reconhecer o esforço de seus pesquisadores, a Braskem criou, em 2011, o Programa de Incentivo aos Inventores. Por meio do programa, são oferecidos estímulos para a produção do capital intelectual, transformando-o em Patentes (PI), Modelos de Utilidade (MU) e Desenhos Industriais (DI).
Os profissionais que depositam patentes no Brasil e no exterior são reconhecidos com um troféu, entregue em um jantar do qual participam o Líder Empresarial Carlos Fadigas e outros Líderes da Braskem. O troféu, contudo, é apenas um detalhe quando se analisam a importância que o programa tem para o aprimoramento da competitividade da empresa e o grau de realização e crescimento que é capaz de proporcionar aos inventores.
“A Braskem tem tradição de patentear, mas identificou também a necessidade de valorizar a figura do inventor”, explica Letícia Socal, Gerente de Propriedade Intelectual e Gestão do Conhecimento da empresa. Nessa primeira edição do prêmio, entregue em fevereiro passado, 23 pesquisadores receberam um troféu personalizado em formato de “cubo mágico”, que é agregado a uma base. De acordo com Letícia, a cada ano os troféus terão o mesmo formato cúbico, a fim de que sejam incorporados à mesma base.
Além de receberem troféus, os inventores também farão parte de uma espécie de “hall da fama”, que publicará na intranet da empresa a foto dos homenageados e sua biografia. Letícia Socal observa que cerca de 300 profissionais da Braskem atuam com pesquisa e desenvolvimento e são, portanto, inventores (alguns deles, potenciais). No ano passado, a Braskem depositou 32 patentes em todo o mundo, sendo 12 delas prioritárias, ou seja, patentes que correspondem à criação de produtos totalmente novos.
Patentear é preciso
“Gerar patentes é um processo extremamente trabalhoso. Requer pesquisa bibliográfica detalhada, que permita saber se a ideia é realmente nova, se pode ser patenteada, se tem direito intelectual protegido”, salienta Edmundo José Correia Aires, Vice-Presidente de Tecnologia Corporativa da Braskem. “Além disso, a invenção requer do pesquisador qualidades como criatividade e iniciativa. Por tudo isso, precisa ser valorizada”, ele acrescenta.
Um dos integrantes premiados na primeira edição do programa foi Luis Fernando Cassinelli, Diretor de Inovação Corporativa da Braskem, que desenvolveu um novo método para a obtenção de etileno, gás incolor utilizado para fins como a fabricação de polietileno. Ele explica que a patente criada foi consequência do seu trabalho de gestão dos integrantes, que já vinham desenvolvendo pesquisas sobre o assunto. “Eu buscava uma ideia inovadora e o meu cotidiano profissional acabou me levando até ela”, comenta Cassinelli, lembrando que uma patente nova pode ser elaborada em apenas alguns meses ou em anos.
“Queremos mostrar que, no dia a dia, surgem oportunidades constantes de inovar e criar patentes, algo valioso tanto para a companhia como para a própria carreira do profissional”, destaca Edmundo Aires. Ele explica que projetos nas áreas de produtos renováveis, sustentabilidade, catálise e biotecnologia têm sido frequentemente patenteados pela Braskem.
Dedicada à pesquisa na área de catálise, a engenheira química Márcia Silva Lacerda Miranda está há 15 anos na Braskem. Pesquisadora Especialista I, ela é uma das inventoras da empresa com mais patentes depositadas: foram cinco no total, até agora. A última – pela qual recebeu o prêmio neste ano – foi elaborada por ela e pelo colega Rodrigo Brambilla, em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Trata-se de um novo tipo de catalisador. Catalisador é uma substância que acelera uma reação química diminuindo a energia utilizada na sua ativação. “O programa incentiva as pessoas a pensarem em novas formas de inovar”, argumenta Márcia com entusiasmo.
