Um novo modelo de desenvolvimento


texto Thereza Martins
fotos Edu Simões

Instalada no Parque dos Atletas da Rio+20, usina transformou resíduos plásticos em peças de madeira

A Braskem participou da Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, representada por uma equipe de mais de 30 integrantes de diferentes áreas, que deram sua contribuição em debates, conferências, exposições e outras atividades que fizeram parte do encontro mundial.

A empresa também patrocinou eventos paralelos, atuou na demonstração de novas tecnologias destinadas a processos e produtos sustentáveis e foi a fornecedora oficial de materiais de apoio à conferência. Foram 50 mil sacolas, 50 mil squeezes (recipientes utilizados para armazenar água) e 600 contêineres coletores de resíduos, tudo feito com polietileno “verde”, produzido a partir de matéria-prima de origem renovável, a cana-de-açúcar.

“Além de um fórum de debates e decisões globais, a Rio+20 foi um espaço de exposição e aprendizagem”, avalia Ligia Vannucci, Coordenadora de Marketing de Relacionamento da Braskem. “Foi um momento valioso para demonstrar nosso compromisso com o diálogo e com o uso de matérias-primas renováveis”, ela acrescenta. Uma das ações educativas levadas pela empresa foi a instalação de uma usina de transformação de resíduos em peças de madeira plástica.

A usina de reciclagem foi instalada no Parque dos Atletas, onde foram realizados alguns dos eventos da conferência. Em parceria com a Cetrel – empresa controlada pela Braskem que atua em engenharia ambiental – integrantes demonstraram como é possível iniciar um novo ciclo produtivo a partir do pós-consumo e criar peças como bancos, mesas e lixeiras plásticas semelhantes às de madeira natural rústica, já utilizadas em parques públicos.

 

Compromisso

Carlos Fadigas, Líder Empresarial da Braskem, participou da mesa de abertura do Business Day, uma das importantes reuniões empresariais da Rio+20. Compareceram também representantes de governos, empresas e ONGs, que durante a abertura discutiram os caminhos para se alcançar a chamada “economia verde”, expressão usada para qualificar um cenário de negócios economicamente viável, ambientalmente responsável e socialmente justo.

No encontro, Fadigas representou o Conselho Internacional de Associações da Indústria Química (ICCA). Em sua apresentação, destacou o papel da indústria química e as contribuições do setor para a redução do consumo de água e energia e das emissões de gases do efeito estufa. Fadigas ressaltou também a importância de se desenvolver a indústria a partir da utilização de fontes renováveis de matéria-prima.

Também presente na Rio+20, Jorge Soto, Diretor de Desenvolvimento Sustentável da Braskem, participou de diversos eventos laterais. Neles, falou sobre a importância de as empresas aliarem seus resultados econômicos com indicadores sociais e ambientais. “Na Braskem, buscamos vivenciar o compromisso com a sustentabilidade em cada uma de nossas ações, do planejamento à produção, da gestão ao relacionamento com clientes, fornecedores e comunidades vizinhas às unidades da empresa”, afirma.

Soto menciona alguns dos resultados já obtidos pela empresa em sua jornada pelo desenvolvimento sustentável. Um deles foi a redução, entre 2008 e 2011, de 11% no indicador de intensidade de emissão de gases de efeito estufa (GEE). Outros foram a reutilização, em 2011, de 18% de toda a água consumida nas unidades de produção; o avanço em estudos de novas matrizes de energia e nos indicadores de segurança do trabalho, tema que também faz parte da agenda da sustentabilidade.

“A Visão 2020 da Braskem é ser líder mundial da química sustentável, inovando para melhor servir às pessoas. Nesse sentido, queremos atuar e ser reconhecidos como protagonistas do desenvolvimento sustentável. Como em qualquer empresa ou atividade humana, as atividades da Braskem geram impactos ambientais e sociais, mas atuamos com firmeza para mitigar os eventuais efeitos negativos e potencializar os positivos. Queremos ser vistos como parte da solução para a sustentabilidade”, salienta Soto.

 

Diálogo e colaboração

Bem antes do início da Rio+20, integrantes da Braskem já participavam de reuniões e fóruns realizados com o objetivo de delinear posições e propostas sobre temas ligados à sustentabilidade. Em 2010, por exemplo, Jorge Soto foi convidado a participar da primeira rodada de discussões entre empresas sobre a conferência mundial. O encontro foi na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. Em 2011, foi a vez de colaborar para a versão preliminar do documento base para a conferência, conhecido como O Futuro que Queremos.

A versão preliminar, ou “draft zero”, foi fruto da contribuição de países, grupos regionais, organizações internacionais e da sociedade civil. Durante a Rio+20, o conteúdo do documento foi negociado, revisto e, por fim, aprovado em um novo texto pelos Estados Membros da ONU. “Nessas ocasiões, a contribuição da Braskem se dá por meio de associações setoriais, como a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), ou de organizações internacionais das quais faz parte e é signatária, como o Pacto Global da ONU”, explica André Leal, da equipe de Desenvolvimento Sustentável da empresa.

Na Rio+20, o espaço aberto à troca de ideias, sugestões e experiências permitiu que as maiores corporações do mundo definissem novos compromissos. Um novo acordo foi firmado por 226 empresas e organizações com atuação no Brasil, entre elas a Braskem. A maioria delas já era signatária do Pacto Global. Nesse compromisso, estão definidos princípios e ações como a redução das emissões de GEE, maior eficiência energética, melhor aproveitamento de recursos hídricos e distribuição correta de resíduos. “Trata-se de um compromisso empresarial com ações concretas e contribuições relevantes na promoção de um novo modelo de desenvolvimento”, avalia André Leal.

Equipe da Braskem na Rio+20 (da esq. para a dir.): André Leal, Jorge Soto, Carlos Fadigas, Frank Alcântara, Nelson Letaif, Ligia Vannucci, Marcelo Lyra e Carlos Parente