nº 114 - julho/agosto de 2004
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 Publicação interna da Organização Odebrecht – Odebrecht S.A, Construtora Norberto Odebrecht, Braskem e Fundação Odebrecht
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Hora de parar para ficar melhor
Equipes da Odebrecht participam de paradas
para manutenção em quatro plataformas da
Petrobras que operam na Bacia de Campos

Programa de educação é destaque
   
   
Simone Goldberg texto
Roberto Rosa fotos

Laerte Antônio de Sousa nasceu há 41 anos no estado brasileiro de menor extensão litorânea: o Piauí. Talvez por isso o destino tenha lhe reservado uma compensação. Laerte trabalha em alto-mar, a bordo de plataformas de petróleo na Bacia de Campos, a serviço da Odebrecht. Nos últimos três anos, Laerte, quando está trabalhando, passa 14 dias ininterruptos no mar. Fica de serviço 12 horas e descansa nas outras 12. Depois de duas semanas de batente, tem 14 dias de folga, dos quais gasta quase quatro para ir, de ônibus, para sua cidade natal, São Julião, e voltar. “São 36 horas de viagem de Campos até minha casa”, conta. “Quase 3 mil quilômetros.” O sacrifício vale a pena. É lá que vivem Maria das Dores, sua esposa, e Vitória, a filha de seis anos, além do pai, da mãe e dos irmãos, tios e amigos.

Em maio, o caldeireiro Laerte integrou o grupo que trabalhou na parada de manutenção da P-12, uma das quatro plataformas do chamado Ativo Sul da Petrobras. A atuação de Laerte envolvia atividades de corte, montagem e preparação para soldagem de chapas metálicas que estavam sendo substituídas em uma das quatro pernas (colunas de sustentação) da plataforma. Parte da empreitada foi feita praticamente ao nível do mar, o que exigiu atenção especial devido ao local e às condições climáticas adversas.

“Quando estamos no serviço não dá tempo para ter saudade da família. Precisamos de concentração no que estamos fazendo. A saudade bate quando largamos o trabalho e não temos aquela rotina normal de voltar para casa”, explica Laerte. No período de descanso, ele procura se distrair jogando dominó com os colegas ou assistindo à televisão. A comida é farta e de ótima qualidade nas plataformas, o que também ajuda. De vez em quando, ele telefona para casa.

Além da P-12, as outras plataformas que pararam sua produção para que os serviços pudessem ser executados de maneira simultânea foram Enchova e Pampo, esta a maior das plataformas fixas da América do Sul. No contrato de cinco anos para montagem e manutenção industrial firmado entre a Odebrecht e a Petrobras está também a plataforma P-7, cuja parada para manutenção ocorreu em novembro de 2003. Na média, essas plataformas produzem 30 mil barris diários de petróleo e 35 mil m3 de gás. As obras da parada de manutenção de Pampo, Enchova e P-12 começaram em 9 de maio, com prazo de conclusão de 30 dias. “Foi desafiador executar três paradas de produção, de forma simultânea, no prazo, com qualidade e com segurança, garantindo a plena satisfação do nosso cliente”, relata Miguel Gradin, Diretor de Contrato da Odebrecht. Segundo ele, o segredo do êxito de uma obra dessa envergadura, para a qual foram mobilizadas 1.000 pessoas, 800 das quais trabalhando diretamente nas plataformas, é o planejamento.

“Além do planejamento, a capacitação profissional da equipe e a logística de pessoal e materiais são elementos básicos para o sucesso das paradas de produção”, ressalta Miguel Gradin. E sucesso, neste caso, é a entrega do serviço ao cliente dentro do prazo estipulado. Ou, de preferência, antes. Exatamente como ocorreu com a P-7, a P-12 e Enchova, que tiveram as obras encerradas de dois a três dias antes da data acordada. Durante a parada, as plataformas não estão produzindo. Quanto mais cedo a atividade voltar ao normal, menor será a perda de receita da Petrobras.

As obras realizadas pela Odebrecht durante a parada das plataformas do Ativo Sul começaram muito antes do início dos serviços em alto-mar. O contrato com a Petrobras foi assinado em julho de 2003. A partir de agosto, o planejamento começou a tomar forma. Nele, Odebrecht e Petrobras definiram o cronograma da obra, passo a passo, estipulando o número de pessoas envolvidas, os materiais e equipamentos e os procedimentos de execução de cada serviço. Quando pronto, o planejamento – uma espécie de bíblia da obra – foi distribuído para as várias áreas da Base Macaé da Odebrecht: engenharia, suprimento, fabricação, manutenção, montagem, logística de material, pessoal e controle de qualidade. Elas trabalharam em rigorosa sintonia, de forma a manter a eficiência logística, um dos pilares do processo.

Durante a parada nas plataformas, várias peças, como tubos e conexões, precisaram ser removidas e substituídas. A fim de evitar a perda de tempo, muito antes de chegar o momento da substituição esses tubos já haviam sido projetados e fabricados pela Base da Odebrecht em Macaé. As válvulas que tiveram de ser trocadas haviam sido encomendadas com antecedência e pré-testadas. “Em janeiro foi disparado o processo de compras. Em abril, tivemos o ápice das inspeções, com quase 2 mil itens avaliados. Entre janeiro e março compramos cerca de 8.100 itens para as três plataformas”, relembra Everson Ferreira Pinto, Responsável por Suprimentos e Qualidade da Base Macaé.

Para dar conta do prazo, o trabalho nas plataformas ocorreu durante as 24 horas do dia, com troca quinzenal de equipes. “O perfil do pessoal vai mudando no decorrer da empreitada”, esclarece Eduardo Ferreira, Responsável pelo Planejamento e Engenharia da Base Macaé. “No começo, temos muitos montadores de andaimes e ajudantes. Depois, caldeireiros, encanadores, soldadores, eletricistas e instrumentistas e, por fim, pintores.”

Um mês antes de a parada começar, teve início a montagem de andaimes nas plataformas e o envio e distribuição das peças que iriam substituir as existentes. Foi o período de pré-parada. Em seguida, foi iniciada a parada propriamente dita, quando a plataforma deixou de operar e os serviços de desmontagem e remontagem de sistemas e equipamentos foram realizados. Uma vez executadas essas tarefas, os principais sistemas operacionais foram liberados e as plataformas voltaram a produzir, mas as equipes da Odebrecht continuaram trabalhando, na fase de pós-parada, quando aconteceu a retirada de andaimes.

“Além do tempo escasso, outro grande limitador é o fato de que, nas plataformas, temos vagas contadas. Em terra, podemos aumentar o efetivo de pessoal, mas no mar não. Planejamos a maximização da fabricação, da inspeção e dos testes dos tubos e válvulas em terra”, informa Pablo Lemos Martinez, Gerente de Construção e Montagem da Odebrecht no Ativo Sul.

Somadas, as três plataformas exigiram mais de 550 autorizações de serviço. Cada autorização é uma intervenção ou uma obra específica. Na plataforma de Pampo, foram trocados mais de 2.700 válvulas e 4.257 m de tubulação, para garantir o fluxo de produção. Em Enchova, plataforma fixa assim como Pampo, a parada incluiu a substituição de linhas de óleo e gás, com a troca de 414 m de tubos e de 198 válvulas, algumas em locais de difícil acesso como o spider deck, estrutura que fica embaixo da plataforma. E na P-12 (semi-submersível como a P-7), foram efetuados serviços de substituição das linhas de óleo e gás e substituição das chapas metálicas de duas das quatro pernas da plataforma.

A P-12 foi a única das três plataformas que exigiu reformas na estrutura. Para executá-las, foi preciso montar andaimes e uma plataforma de trabalho, ao nível do mar. O trabalho no local só era possível com condições favoráveis de vento e mar. Com as chapas novas instaladas, pintores alpinistas passaram horas trabalhando pendurados por uma corda, fazendo a pintura externa. “Perdemos alguns dias de serviço por conta de más condições de mar e vento e tivemos de recuperá-los com o aumento da produtividade”, salienta Marcelo Rennó, Coordenador da equipe da Odebrecht na P-12.

As obras nas colunas de sustentação foram especialmente desafiadoras. “A plataforma estava fora de sua elevação normal. Mais alta, ela ficou menos estável, o que dificultou a movimentação de carga, como as chapas de aço”, lembra Rennó. Cada chapa pesava cerca de 1,5 t, tinha 18 mm de espessura e media 6 m por 2 m. De uma das pernas da plataforma, a mais crítica, foram retiradas 11 chapas e colocadas outras 11, numa movimentação superior a 20 t de carga. Um desafio e tanto para o operador de guindaste instalado no convés principal. Sem visão da coluna, embaixo da plataforma, o operador era orientado por rádio pelo rigger, um profissional cuja função é posicionar-se estrategicamente no local onde a carga precisa chegar e ser os olhos do guindasteiro.

A parada para manutenção das plataformas do Ativo Sul atende às necessidades da Petrobras de, a cada dois anos, empreender uma campanha de manutenção e modernização dos equipamentos. É a hora de executar uma carteira de serviços impossível de ser levada adiante com as plataformas operando. Outros serviços de manutenção industrial previstos no contrato entre Petrobras e Odebrecht são executados com a plataforma produzindo. Mas haverá sempre o momento em que a parada será necessária. “O objetivo é aumentar a confiabilidade das instalações, evitando perda de produção”, sintetiza José Alfano da Cunha, da Petrobras, Gerente da P-12.

 
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