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Reconhecimento para a pesquisadora
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Projeto sobre serviços urbanos e movimentos
sociais na Bahia é o vencedor da primeira
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Prêmio teve 109 inscrições |
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Karolina Gutiez texto
Christian Cravo fotos |
Para uma professora aposentada, que dedicou sua vida à pesquisa acadêmica desde que se formou em História, pela antiga Universidade do Brasil, a oportunidade de ter um de seus projetos patrocinado pela Odebrecht foi uma surpresa e um incentivo. Consuelo Novais Sampaio inscreveu o projeto Serviços Urbanos e Movimentos Sociais: Bahia, 1846–1946 para o Prêmio Clarival do Prado Valladares. Foi o escolhido entre 109 concorrentes de todo o Brasil.
Essa é a primeira edição do prêmio, lançado em novembro de 2003 pela Organização Odebrecht. A cada ano, um projeto será escolhido e seu autor terá o apoio necessário para torná-lo realidade. A premiação é um esforço para incentivar a pesquisa histórica e a produção editorial e, assim, contribuir para o conhecimento e a compreensão da história econômica e da evolução sociopolítica do Brasil.
O projeto da Professora Consuelo Sampaio atende, sobretudo, a um dos requisitos do regulamento que enfatiza temas universais, mas voltados para a Bahia. Em sua pesquisa, que ela define como a menina dos olhos dentre tantas outras que já desenvolveu, Consuelo quer revelar como foi a implantação dos serviços urbanos no estado de 1846 a 1946, e como a população reagiu ao surgimento dos sistemas de transportes, iluminação, abastecimento de água e saneamento.
O ano de 1846 é o marco inicial, pois foi quando a Diretoria de Obras Públicas da Bahia começou suas atividades. Consuelo Sampaio explica que os investimentos, nessa época, vinham dos empresários locais, fator que demonstra a capacidade empresarial desses comerciantes, que acumularam dinheiro com o açúcar, além de com o comércio de escravos e as primeiras negociações fora do Brasil. “Eles investiram em benefício de Salvador”, ressalta Consuelo.
A pesquisadora destaca outro marco no período analisado: no fim do século 19, “a reordenação do sistema capitalista provocou um processo de fusão entre as empresas, que passaram a contar com o capital estrangeiro”. Na Bahia, as companhias de serviços urbanos existentes foram incorporadas pela família Guinle, de São Paulo, e formaram duas empresas, uma de transportes e outra de energia elétrica. Com isso, o empresariado baiano deixou de ser o principal investidor, para cuidar da gestão desses sistemas.
Com o fim da Primeira Guerra Mundial, os americanos substituíram alemães e ingleses nos investimentos, embora tenham sido os europeus os que mais influenciaram o processo de urbanização da Bahia.
O desafio de realizar o projeto nasceu quando Consuelo leu o trabalho de Carlos Alberto Carvalho, afirmando que a Bahia teria liderado mundialmente a modernização dos transportes urbanos. O bonde sobre trilhos, por exemplo, embora inventado nos Estados Unidos, teria sido adotado em Salvador antes mesmo de em Nova York e em importantes cidades européias.
Consuelo Sampaio afirma que o tema é atual: “O bonde modernizado retornou à prancheta dos planejadores e urbanistas, depois de perder espaço para a indústria automobilística no século passado. Os transtornos causados pela poluição e pelos congestionamentos são os responsáveis pela retomada desse meio de transporte.”
A vencedora do Prêmio Clarival do Prado Valladares, que já desenvolveu projetos que resultaram nos livros Partidos Políticos na Bahia da Primeira República, Poder e Representação e Canudos, a Constituição do Medo, diz-se ansiosa por haver tantos temas a serem pesquisados. “Se eu pudesse fazer de cada baiano um pesquisador, eu faria, pois há muito que descobrir sobre a nossa história e origem”.
Ela não esconde a surpresa e a alegria por ter sido a escolhida para receber o patrocínio, mas assume que a responsabilidade é grande: “Quero que este livro fique à altura de todas as produções culturais da Odebrecht, ainda mais porque a premiação leva o nome de Clarival do Prado Valladares, que dedicou a vida à reconstrução da história e das artes no Nordeste e na Bahia”.
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