nº 115 - novembro/dezembro de 2004
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 Publicação interna da Organização Odebrecht – Odebrecht S.A, Construtora Norberto Odebrecht, Braskem e Fundação Odebrecht
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É preciso saber conviver
Construção da Hidrelétrica de Peixe Angical,
em Tocantins, tem forte integração entre as
equipes do consórcio responsável pela obra
   
   
Cláudio Lovato Filho ◦ texto
Eduardo Moody ◦ fotos

A convivência de empresas com histórias e culturas diferentes no ambiente de um consórcio é complexa. Elas precisam estar abertas para defender seus princípios e pontos de vista e, ao mesmo tempo, compreender e aceitar o que suas parceiras têm a oferecer. É essencial que as pessoas estejam motivadas a buscar a integração, em todos os programas, em cada procedimento no dia-a-dia do canteiro de obras. Na construção da Usina Hidrelétrica de Peixe Angical, em Tocantins, a sinergia entre as empresas que compõem o Consórcio Construtor de Peixe (CCP) é uma marca do empreendimento. Contribuiu para isso a experiência anterior que praticamente a mesma equipe teve na Hidrelétrica Deputado Luiz Eduardo Magalhães – Lajeado, também em Tocantins.

Assim como ocorreu em Lajeado, a execução da Hidrelétrica de Peixe, no Rio Tocantins, é de responsabilidade da Odebrecht e da Andrade Gutierrez, que lidera este projeto. “As pessoas se gostam, existem vínculos fortes de amizade, somos como uma família aqui”, afirma Ricardo Muzzi Guimarães, Diretor de Contrato. Integrante da Andrade Gutierrez, ele foi um dos que estiveram em Lajeado. “Essa experiência anterior ajudou muito. Eu e o Isaías (Isaías Amâncio de Souza, da Odebrecht, Responsável pelas Obras Civis), por exemplo, estamos juntos desde 1998.” Outro fator que, segundo Ricardo, tem contribuído para a integração das equipes é a mescla, na obra, de profissionais experientes com jovens. “A transmissão de conhecimentos fortalece o entrosamento”, ele afirma.

A hidrelétrica, situada no município de Peixe (a 350 km de Palmas), é fruto de um investimento da Eletricidade de Portugal – EDP (59%), de Furnas Centrais Elétricas (40%) e do Grupo Rede (1%), que constituíram a Enerpeixe. A obra começou em abril de 2002. Em outubro do mesmo ano, foi paralisada devido a problemas de financiamento. A retomada aconteceu em outubro de 2003. Hoje, 55% das obras civis estão feitas. Mais de 4.200 trabalhadores estão no canteiro.

“Para a Odebrecht, Peixe significa a oportunidade de dar continuidade à atuação em Tocantins, onde já participamos da execução das hidrelétricas de Cana Brava e Lajeado”, destaca Sérgio Roberto Macedo, Diretor de Contrato da empresa no empreendimento. “Representa, sobretudo, a possibilidade de nos aproximarmos ainda mais do cliente EDP e de fortalecermos nossa relação com Furnas, um de nossos clientes mais tradicionais.”

A conclusão da obra, que inclui uma barragem com 5.755 m de comprimento e 39 m de altura, está prevista para maio de 2006, quando a primeira das três turbinas
(cada uma com capacidade de 150 MW) começará a gerar energia. As outras duas máquinas passarão a operar em 10 de julho e 30 de setembro de 2006.

São prazos desafiadores para uma obra desse porte. Na busca por atendê-los, a integração e a sinergia têm de ir além do âmbito das duas construtoras consorciadas. O bom entendimento com a empresa projetista, a Themag, tem sido decisivo para a qualidade do desempenho obtida no andamento dos trabalhos. “Temos grande interação. Nosso diálogo é franco e permanente. Existe a consciência, que se reflete no dia-a-dia de trabalho, de que buscamos os mesmo objetivos”, diz Isaías Amâncio de Souza. Esse ambiente de qualidade nos relacionamentos terá, mais adiante, a participação da Voith Siemens-Bardella, fornecedora dos equipamentos eletromecânicos.

Na Odebrecht há 32 anos, Isaías é um dos mais experientes barrageiros da empresa. Já participou da execução de 12 projetos hidrelétricos, no Brasil e no exterior. Apesar dessa longa trajetória, Isaías está impressionado com o ambiente de Peixe. “Existe integração entre todas as áreas. Aqui todo o mundo quer participar ativamente da realização do empreendimento.”

A Enerpeixe, cliente no projeto, tem colhido os bons resultados desse entendimento – e participado dele. “Temos uma parceria proativa com o consórcio construtor”, enfatiza Nelson Caproni Júnior, Superintendente de Construção da Enerpeixe, barrageiro com 28 anos de experiência, 26 dos quais como integrante de Furnas. “Nosso cronograma é apertado e, por isso, antever os desafios é fundamental. Isso só se consegue quando existe o compromisso de todas as partes com o nosso objetivo maior, que é gerar energia com qualidade e no prazo determinado. Hoje, menos de um ano depois da retomada da obra, nossas metas estão sendo atingidas. A construção do vertedouro, por exemplo, já está adiantada em relação ao prazo.”

Luís César Moreira, Responsável por Produção no CCP, afirma que o consórcio foi bem-sucedido na integração de culturas. “O resultado disso é que as pessoas passaram a ter, de fato, os mesmo objetivos. Com isso, estamos obtendo um elevado desempenho na obra, o que evidencia o foco de todos na satisfação do cliente.” Integrante da Andrade Gutierrez, Luís César salienta que o entrosamento entre as empresas se reflete com força nas frentes de serviço. “Conseguimos tornar ainda mais eficaz o nosso sistema de mobilização de pessoas e equipamentos.”

O alto grau de integração de áreas e programas, com a freqüente necessidade de os integrantes das equipes atuarem de forma polivalente, faz com que a consciência de cada um em relação à sua responsabilidade se torne ainda mais importante. Fábio de Castro, Responsável por Engenharia, integrante da Odebrecht, salienta que, em Peixe, as pessoas participam do cotidiano de outros programas além daqueles aos quais estão vinculadas. Em uma obra com a complexidade e os prazos de Peixe, esse tipo de decisão gerencial é fundamental. “O planejamento da obra é elaborado em total sintonia com a produção, por exemplo. Há um compromisso entre as áreas para que se cumpra o que foi combinado entre elas, nos menores detalhes. Para isso, é preciso conhecer o trabalho do companheiro.”

Um caso emblemático de programa que depende do conhecimento e da participação de todos para ser eficaz é o Sistema de Gestão Integrada (SGI). Através dele, são executadas as ações de Saúde, Segurança no Trabalho, Meio Ambiente e Qualidade. Sob a liderança do engenheiro Marino Mastrodonato, o SGI, em fase de implantação em Peixe, é o instrumento para que a obra atinja a excelência nessas áreas.

“A conquista de nossos objetivos em saúde, segurança, preservação do meio ambiente e qualidade é assegurada pelo trabalhador em cada um de seus atos,” ressalta Marino. “A implementação do SGI é feita por pessoas para pessoas. O foco é o Ser Humano. Da equipe dirigente ao operário, todos são responsáveis.” Ele destaca que o propósito é preparar o profissional para a obra atual e para as próximas em que ele atuará. “Tentamos mostrar a importância de que eles assumam compromissos com a empresa e com eles próprios”, observa. Marino mantém contato permanente com os responsáveis por Saúde, Segurança, Meio Ambiente e Qualidade na Andrade Gutierrez e na Odebrecht e recebe apoio deles.

Reinaldo Freitas, 35 anos, engenheiro civil nascido em Recife, ingressou na Odebrecht há 12 anos, através do Programa Jovem Parceiro. Desde novembro de 2003 ele atua no Programa de Produção em Peixe. Está obtendo aprendizados essenciais. “É preciso ter humildade para trabalhar num consórcio. Mas, ao mesmo tempo, deve haver firmeza para expor idéias e fazer sugestões. Acho que esse equilíbrio se consegue buscando sempre o que é certo. A Tecnologia Empresarial Odebrecht dá a base para isso.” Reinaldo participa da segunda edição do Programa de Desenvolvimento de Empresários (PDE) da Construtora Norberto Odebrecht. “Esse exercício de integração e convívio aqui em Peixe está me proporcionando um grande aprendizado. Percebo que estou aprimorando minha capacidade de influenciar e ser influenciado.”

É possível que Reinaldo dê seqüência a seu aprendizado durante a construção da Hidrelétrica de São Salvador, também em Tocantins. O empreendimento, a ser iniciado nos primeiros meses de 2005, é da empresa Tractebel, que, para realizá-lo, contratou o consórcio formado pela Odebrecht (líder), Andrade Gutierrez e Voith-Siemens, com a Intertechne como projetista.

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