nº 115 - novembro/dezembro de 2004
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 Publicação interna da Organização Odebrecht – Odebrecht S.A, Construtora Norberto Odebrecht, Braskem e Fundação Odebrecht
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Tecnologia e inovação
que agregam valor
No Pólo de Triunfo, equipe de 150 profissionais garante
à Braskem avanços em Pesquisa e Desenvolvimento
   
   
César Faccioli ◦ texto
Roberto Rosa ◦ fotos

Uma espécie de esquadrão de elite a serviço da ciência dos plásticos mantém-se de prontidão no Centro de Tecnologia e Inovação Braskem, no Pólo Petroquímico de Triunfo (RS), com a missão de rastrear, por mais discretos que sejam, os movimentos que apontem para novas tendências na utilização do plástico em todo o mundo. Batizada de Grupo de Estudos da Ciência dos Polímeros, essa equipe, composta de 10 pesquisadores, combina competência, experiência e juventude em doses certas e tem dado à Braskem grande contribuição para a criação de valor.

Cada real aplicado em Pesquisa e Desenvolvimento traz um retorno seis vezes maior para a empresa. Expresso de outra forma, isso significa que os lançamentos de produtos feitos nos nove primeiros meses de 2004 representaram uma receita líquida adicional de US$ 50 milhões, segundo Luís Fernando Cassinelli, Responsável pelo Centro de Tecnologia e Inovação Braskem. Ao todo, são 83 projetos em curso, dos quais 63 em processo adiantado de maturação, a poucos passos de chegarem ao mercado. O que elevaria a receita líquida adicional para, no mínimo, US$ 160 milhões em três anos. As patentes, registros para proteção de direitos de exploração comercial detidos ou depositados pela empresa, somam 105 e devem chegar a 120 até o fim do ano. Atualmente, a Braskem é uma das cinco maiores companhias nacionais depositadoras de patentes.

Na Braskem há uma clara visão da importância do desenvolvimento tecnológico para o aumento da competitividade da indústria petroquímica e do plástico, razão pela qual a inovação é um dos focos estratégicos da empresa. Para tornar mais efetivos os investimentos nessa área, logo após sua criação, a maioria dos ativos voltados à pesquisa e ao desenvolvimento, avaliados em mais de R$ 300 milhões, foi concentrada no Centro de Tecnologia e Inovação. A iniciativa deu origem ao mais moderno e completo núcleo de pesquisa da indústria petroquímica da América Latina, com 11 laboratórios de diferentes especializações que ocupam uma área de 3 mil m2.

Cerca de 150 profissionais, entre cientistas, pesquisadores e pessoal técnico, têm como foco atuar no desenvolvimento de produtos e de aplicações que atendam às necessidades dos clientes, em apoio ao suporte técnico prestado pela empresa. Na vanguarda desse esforço está o Grupo de Estudos da Ciência de Polímeros, criado em 2003, que imprime uma visão de futuro aos projetos voltados para as necessidades mais imediatas dos clientes. Um desafio que ilustra bem esse trabalho é a busca de um tipo de plástico capaz de receber pintura de alta performance. Com isso, abre-se o caminho para a substituição do aço em produtos como máquinas de lavar, em proporção bem maior do que a atual.

Com uma maioria de mestres ou doutores entre os pesquisadores, a equipe do Centro de Tecnologia e Inovação Braskem não pode dispensar a atualização permanente. O processo envolve diálogo com clientes, universidades e centros de pesquisa, no Brasil e no exterior. O esforço se estende ao acompanhamento de congressos especializados e à literatura científica. Em setembro, a doutora Susana Liebermann, que faz parte do "esquadrão de elite", apresentou trabalhos no Simpósio Internacional de Caracterização em Polímeros, na Alemanha, e em um encontro nos Estados Unidos.

Os integrantes desse grupo apresentam dissertações ligadas ao trabalho na Braskem, em aulas da graduação ou da pós-graduação. Um bom indicador dessa permanente renovação é o interesse pelos trabalhos acadêmicos desenvolvidos por pesquisadores do Centro, freqüentemente aceitos por publicações especializadas de peso, como o Journal of Applied Polymer Science. Também chegam com certa regularidade pedidos para que eles, a exemplo do que já ocorreu com a própria Suzana e sua colega Adriane Simanchi, revisem textos de pesquisadores estrangeiros antes de sua publicação por revistas especializadas, procedimento comum só para quem teve estudos publicados.

Recém-integrado ao Grupo de Ciência de Polímeros, 26 anos e aparência de calouro universitário, Fábio Mota traz no currículo um doutorado no Canadá, um dos principais centros em desenvolvimento de resinas plásticas do mundo. Mota é especialista em uso de raios infra-vermelhos e ressonância magnético-nuclear na pesquisa de polímeros. Sua natural familiaridade com o ambiente acadêmico fez dele o responsável por coordenar a aproximação com a Universidade Luterana do Brasil, a Ulbra, mais conhecida fora do Rio Grande do Sul pela excelência das equipes de futebol de salão e vôlei que montou.

Como nos colleges norte-americanos, ali competência esportiva rima com tecnologia de ponta. Sediada em Canoas, na Grande Porto Alegre, a Ulbra instalou em seu campus um moderno laboratório de catálise, com recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), que entrou com R$ 7 milhões, e da Braskem, com R$ 3 milhões. O equipamento analisa performance e realiza experiências com catalisadores, substâncias que deflagram e direcionam as reações químicas, processo central no caso dos polímeros, em que a extensão das cadeias de carbono na estrutura molecular determina propriedades de uso, como tenacidade, elasticidade e resistência de cada composto.

O direcionamento para produtos e processos, a chamada pesquisa aplicada, ainda é menor no Brasil do que em economias mais desenvolvidas. Convênios com empresas facilitam a redução dessa distância e propiciam ganhos mútuos. Neste caso concreto, o acordo permite à Ulbra o acesso a equipamentos de última geração, que a instituição dificilmente teria condições de manter isoladamente. Para a Braskem, a parceria reforça os laços com o meio acadêmico, fonte importante de oxigenação das idéias, ao mesmo tempo em que otimiza a relação custo/benefício da pesquisa nesta área.

Convênios semelhantes, de abrangência variável, são mantidos, entre outros, com o Instituto de Macromoléculas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o Centro Federal de Educação Tecnológica do Rio Grande do Sul, o Instituto de Pesquisa de Energia Nuclear, o Cien-tec-BA e as universidades federais da Bahia (Ufba) e da Paraíba (UFPB). A busca de contatos mais formais estende-se a centros de pesquisa universitária nos EUA, Itália e Espanha.

O empenho em atualização constante reflete-se não apenas na rotina dos pesquisadores, mas em investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento que no caso da Braskem são de R$ 40 milhões ao ano, bem superiores à média do setor no Brasil. Some-se a isso a propagação de um conceito de inovação para toda a empresa em certa medida único na petroquímica brasileira, já que a Petrobras, embora muito atuante nessa área, não direciona suas pesquisas para o segmento de resinas poliméricas. Esse conjunto singular traduz-se em lançamentos freqüentes, refletindo aplicações novas e necessidades dos clientes.

O apoio do Centro de Tecnologia e Inovação aos clientes da Braskem tem garantido a implementação de um amplo programa de substituição de matérias-primas tradicionais por resinas termoplásticas. Caso do primeiro polietileno base metaloceno produzido no Brasil, o Braskem Flexus. A tecnologia empregada permite a produção de embalagens mais resistentes ao impacto e à perfuração, com maior brilho e transparência, entre outras características.

Fabricado no Pólo Petroquímico de Camaçari (BA), sob licença da norte-americana Univation, o polietileno linear base metaloceno está sendo comercializado desde o primeiro trimestre deste ano. O Centro atua, nesses casos, para permitir aos clientes testes das resinas sem a interrupção de suas unidades de produção. Até o fim do ano, estima-se que as vendas do produto atinjam US$ 30 milhões, incluindo as primeiras exportações brasileiras dessa família. O potencial de mercado dessa resina é de cerca de US$ 100 milhões por ano até 2006. Até o lançamento do Braskem Flexus, a demanda por polietileno com tecnologia metaloceno no país era suprida exclusivamente por importações.

Da mesma forma, com o apoio do Centro, a empresa desenvolveu um selante para filmes de polipropileno biorientado (BOPP), lançado em 2004 com a marca Braskem Symbios®, que também contribui para a melhoria da balança comercial brasileira na medida em que possibilita a substituição de importações. Com uma demanda potencial estimada em 20 mil t ou US$ 25 milhões por ano, esse tipo de filme é muito utilizado em embalagens de alimentos, como biscoitos, snacks, chocolates, sorvetes, além de embalagens de cigarros e rótulos de garrafas de refrigerantes. Para o consumidor final, a novidade traz maior confiabilidade, uma vez que a utilização de um selante de qualidade em embalagens flexíveis proporciona um sistema de fechamento mais eficiente.

O empenho do Centro no desenvolvimento de novas aplicações em polipropileno tem se revelado um rico filão para a Braskem, seus clientes e, em última análise, para o consumidor final. Graças a esse empenho, por exemplo, a Brasilit, empresa do grupo Saint Gobain, tornou-se a primeira empresa do mundo a utilizar o polipropileno em substituição ao amianto e ao PVA na fabricação de telhas, placas de revestimento e caixas d´água.

A novidade é fruto do trabalho conjunto das duas empresas desde 1999. A partir da solicitação da Saint Gobain, a Braskem desenvolveu uma resina plástica que pode ser transformada em fios de altíssima tenacidade – uma tecnologia inédita no mercado brasileiro. O mercado potencial de polipropileno para esse tipo de aplicação no Brasil varia de 20 mil t a 25 mil t do produto por ano. A resina tem propriedades diferenciadas que garantem alto desempenho, graças à sua maleabilidade e resistência à umidade.

Em outra linha de pesquisa com polipropileno conduzida pelo Centro, a Braskem identificou uma oportunidade de mercado na utilização dessa resina como substituto do poliestireno em copos descartáveis. Então, em parceria com um cliente, a Zanatta, desenvolveu uma solução completa para esse fim, baseada na termoformagem (moldagem plástica a quente), que inclui um tipo de polipropileno com maior cristalinidade e rigidez, a tecnologia de produção e um novo maquinário, fabricado com exclusividade para a Braskem.

Além de assinalar um novo patamar no relacionamento com seus clientes, a iniciativa dá à empresa exclusividade no fornecimento de polipropileno por um período estabelecido em contrato – todas as 28 máquinas previstas na fase inicial do projeto, que vai até meados de 2005, já estão comprometidas para a Zanatta e dois outros fabricantes de descartáveis. O preço desse equipamento, cedido aos clientes em regime de comodato, corresponde a cerca de um terço do custo de importação de um similar produzido na Europa ou nos Estados Unidos, que pode chegar a US$ 1,3 milhão. Tanto o processo quanto o maquinário são patenteados.

O ritmo das inovações na Braskem deve continuar forte, a julgar pelas obras para instalação de uma nova planta piloto em Triunfo – a sexta adquirida pela empresa, perfazendo um investimento total de aproximadamente R$ 120 milhões. As plantas piloto, além de antecipar mudanças no processo produtivo das fábricas, permitem elevar a escala de teste das resinas solicitadas pelos clientes a um patamar superior ao dos laboratórios, da ordem de 2 t/dia. Esforço sintonizado com a meta de encarar inovação como uma fonte permanente de valor para os acionistas e de ganho de produtividade para clientes industriais e consumidores finais dos plásticos.

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