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Relação bem-cultivada
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Construção de acesso à Via Expressa Sul, em Florianópolis,
e recuperação e prolongamento do Molhe Sul do Porto de
Laguna dão seqüência ao relacionamento histórico entre a
Odebrecht e Santa Catarina
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Cláudio Lovato Filho ◦ texto
Eneida Serrano ◦ fotos |
Santa Catarina está presente na história da Odebrecht desde o início. Em 1856, quando Emil Odebrecht chegou ao Vale do Itajaí, começavam a ser lançadas as primeiras sementes do que viria a ser a Organização. Emílio Odebrecht, um de seus netos, pai do fundador Norberto Odebrecht, transferiu-se para o Nordeste do país, mas a ligação com Santa Catarina nunca se desfez. Ao contrário. Obras como a Ponte dos Arcos, em Indaial, a Ponte Colombo Salles, que liga as partes insular e continental de Florianópolis, a duplicação da BR-101 na região da Grande Florianópolis, e a Hidrelétrica de Itá, no Rio Uruguai, na divisa com o Rio Grande do Sul, contribuíram para tornar esse elo indissolúvel. Hoje, a Construtora Norberto Odebrecht realiza dois importantes empreendimentos para o aprimoramento da infra-estrutura de transportes em Santa Catarina: a ligação da Via Expressa Sul ao Trevo da Seta, em Florianópolis, e a recuperação e o prolongamento do Molhe Sul do Porto de Laguna.
Florianópolis e Laguna aguardam com ansiedade a conclusão das obras. “A expectativa é muito grande, devido à importância delas para o aprimoramento da infra-estrutura e ao benefício socioeconômico que trarão, com os conseqüentes impactos positivos no dia-a-dia da população”, afirma José Eduardo Amorim de Almeida, da Odebrecht, Responsável pelos empreendimentos.
A obra na capital permitirá que seja liberado para o tráfego um trecho de 2 km da Via Expressa Sul, executada pela Odebrecht e concluída em 2002. Sua extensão total é de 6 km. A construção do encontro da via com o Trevo da Seta dependia do fechamento de um canal (veja infográfico), o que só foi realizado depois de muitos estudos por parte do Governo do Estado e da Construtora Norberto Odebrecht e de intenso diálogo com a comunidade da Costeira do Pirajubaé, bairro do sul da cidade no qual são realizados os trabalhos e que abriga uma populosa e ativa colônia de pescadores. O Trevo da Seta está passando por reformas (com ampliação das pistas em seu entorno, entre outros serviços) para melhorar a distribuição do tráfego entre o Centro e o Aeroporto e entre o Centro e as praias do sul da Ilha.
Para tornar possível a ligação, que tem 400 m de extensão e quatro pistas, o canal foi aterrado: as equipes usaram 130 mil m3 de areia e brita, com aplicação de 74 mil m2 de manta geossintética importada e 110 mil m de drenos verticais, devido às características do solo – uma camada de 20 m de solo mole (veja infográfico). “Os drenos verticais facilitam o adensamento do solo mole, pois aceleram a eliminação da água e possibilitam, com isso, que sejam alcançados, em meses, resultados que, de outra forma, só seriam obtidos em quatro ou cinco anos”, explica Geraldo Monteiro, da Odebrecht, Responsável por Produção e Engenharia.
A obra apresenta a imprevisibilidade típica dos projetos que envolvem aterro sobre solo mole e, por isso, a aplicação de ferramentas tecnológicas avançadas é marcante. Entre elas estão os piezômetros e os inclinômetros, instrumentos que monitoram a movimentação do aterro e indicam o momento e o local precisos para aplicação da sobrecarga e da camada de brita que antecede a pavimentação. O inclinômetro é composto de um cabo com sensores e pode chegar a 25 m de profundidade. Ele capta informações que, depois de processadas, são usadas para determinar a situação do subsolo, sobretudo sua movimentação.
Entretanto, apesar da importância do acervo de soluções tecnológicas disponíveis, a experiência das equipes tem sido o fator determinante para a conquista dos resultados esperados. Roberto Scalabrin é Gerente de Projetos Especiais do Departamento de Infra-estrutura (Deinfra) da Secretaria de Transportes e Obras de Santa Catarina. Engenheiro civil formado em 1978, há 30 anos no serviço público, ele afirma: “Esta é uma obra complexa e imprevisível, que exige a presença constante dos engenheiros e encarregados na frente de serviços, acompanhando cada passo dos trabalhos”.
Roberto percorre a obra diariamente. “Aprende-se muito a cada dia.” Esse aprendizado, segundo ele, vem sendo proporcionado pela necessidade de superar os dois principais desafios do projeto: o aterro do canal, serviço delicado que envolveu cuidados especiais em relação ao método executivo e ao impacto ambiental, e o relacionamento com a comunidade. Obra tipicamente urbana, sua realização tem demandado um permanente diálogo com a população, em especial com os moradores da Costeira do Pirajubaé e as famílias de pescadores que ali vivem e trabalham.
>> Localização da obra e o sistema de drenos verticais
O Governo do Estado construiu ranchos de pesca na área em que as margens da Baía Sul passaram a estar depois de aterrada a área de 1,3 milhão de m2 sobre a qual foi construída a Via Expressa Sul. Os pescadores tentam se adaptar à nova realidade. Movimentam-se de suas casas (a maioria delas vizinha à Rodovia SC-401) até os ranchos utilizando canais de navegação e passarelas de pedestres, incluídas no projeto da Via Expressa. Manoel Antonio Rocha é um dos líderes da Comissão Unificada dos Pescadores da Costeira do Pirajubaé, que representa cerca de 500 pescadores. Ele se diz satisfeito com o nível do diálogo entre a comissão e os responsáveis pelo empreendimento. “A conversa e o entendimento existem. Nossas reivindicações são sempre atendidas pelo Deinfra e pela Odebrecht.”
Romualdo Theophanes de França Júnior, Diretor-Geral do Deinfra, salienta que o Governo de Santa Catarina prioriza o tratamento social no entorno de suas obras. “Estamos atentos aos efeitos das obras. No caso da Via Expressa Sul, foram construídos ranchos, passarelas e trapiches. A ligação com o Trevo da Seta foi executada de uma forma que permite a oxigenação do canal sobre o qual passa a via. Existe respeito ao meio ambiente e à população; respeito que se verifica, na prática, através do diálogo transparente com os órgãos ambientais e com a comunidade. Nesse esforço, a contribuição da Odebrecht tem sido decisiva. A empresa executa uma obra de qualidade para os catarinenses, utilizando as soluções de engenharia mais avançadas e demonstrando total compromisso com o alcance dos objetivos estabelecidos, o que nos dá segurança.” Ele acrescenta: “A Via Expressa Sul é um marco no desenvolvimento da engenharia em Santa Catarina”.
A prioridade dada pela Odebrecht à contratação de trabalhadores e empresas locais vem fortalecendo continuamente a interação com a comunidade, segundo José Eduardo Amorim. Ele ressalta que a Odebrecht tem procurado apoiar o Governo do Estado em todos os aspectos relacionados à execução do empreendimento. “Queremos estar sempre ao lado do cliente, como parceiros, prontos para contribuir para o alcance dos seus objetivos.” Em uma obra do porte e da importância da Via Expressa Sul, esse apoio tem sido crucial.
A Via Expressa Sul teve suas obras iniciadas em 1995, paralisadas em 1997 e retomadas em 1999. Liga o Centro ao sul da Ilha de Santa Catarina, como é conhecida a parte insular de Florianópolis. Ela foi concebida para solucionar o problema dos engarrafamentos na região localizada entre o Aeroporto Hercílio Luz e o Centro da cidade e para facilitar o acesso às praias do sul. A obra também afastou o risco de enchentes na região dos bairros Saco dos Limões e Costeira do Pirajubaé.
Edson Bez de Oliveira, Secretário de Transportes e Obras do Estado, comemora o bom andamento dos trabalhos. “A obra é de fundamental importância para Florianópolis e, de um modo geral, para Santa Catarina, pois vai ajudar a pôr fim ao maior gargalo do trânsito da capital, que produz congestionamentos gigantescos nos horários de pico. Os moradores dos bairros do sul da Ilha e os usuários do aeroporto conseguirão abreviar, em muito, o tempo de deslocamento.” Edson Bez diz que a experiência e a qualificação da Odebrecht são elementos importantes para que o Governo atinja seu intento de concluir a obra com a maior brevidade possível. Iniciados em abril de 2004, os serviços deverão estar terminados no primeiro trimestre de 2005.
No Porto de Laguna, no sul do estado, a Odebrecht participa da recuperação e do prolongamento do Molhe Sul integrando um consórcio do qual fazem parte ainda as empresas Sulcatarinense e Carioca Christiani-Nielsen Engenharia. A obra, que foi retomada em julho de 2004 e tem conclusão prevista para março de 2005, permitirá o aumento do calado (profundidade necessária para navegação) do canal de acesso ao porto, de 4 m para 9 m, o que tornará possível a entrada e saída de embarcações de maior porte. A expectativa é que a pesca, a principal atividade econômica da cidade, receba um novo e vital impulso. Tanto a pesca oceânica quanto a realizada nas três grandes lagoas da região (Santo Antonio, Mirim e Imaruí) serão favorecidas.
“Hoje, dependendo das condições climáticas, as embarcações ficam impedidas de entrar na Barra de Laguna e sair dela”, diz Walter Tavares, Administrador do Porto de Laguna. “Com a obra no Molhe Sul, isso vai acabar. O aumento do calado possibilitará ao porto receber atuneiros e traineiras de maior porte. O novo traçado do molhe dará mais proteção contra os ventos fortes e as ondas. A elevação do nível de salinidade nas lagoas melhorará as condições para a produção de camarões em cativeiro.” Walter destaca ainda os benefícios ambientais do empreendimento: a diminuição do tempo de renovação das águas do complexo lagunar e o conseqüente aumento da oxigenação e da capacidade de autodepuração.
A obra no Molhe Sul, realizada em uma extensão de 490 m, consiste na retirada de parte da estrutura de enrocamento existente e em sua reconstrução em um nova posição, a sudeste da atual, alargando a entrada do canal de acesso ao porto (veja infográfico). Com a remoção das rochas, o banco de areia que se formou ao longo dos anos na entrada do canal, devido à atual curvatura do molhe, será eliminado pela ação das ondas de origem sudeste, típicas da região, e por futuras dragagens. Dessa forma, estarão assegurados o aumento do calado e uma maior proteção às embarcações.
As rochas removidas da estrutura existente são reutilizadas na construção do novo molhe ou descartadas, dependendo do seu tamanho e da sua forma. O consórcio também extrai rochas em uma pedreira no perímetro da obra. Todas elas são selecionadas, classificadas e posicionadas de acordo com a granulometria (medida da proporção entre os tamanhos dos grãos contidos em uma rocha) e um minucioso planejamento. Em um trecho de 150 m (que formará a extremidade do novo molhe), serão lançados, sobre as rochas, 3.770 tetrápodes, estruturas pré-moldadas de concreto que pesam 8 t e que, em razão de sua forma, dissipam o impacto das ondas.
“É uma obra com elevado grau de dificuldade, sobretudo em decorrência da necessidade de remoção de pedras submersas”, afirma João Aires Pinheiro, engenheiro residente, responsável pela fiscalização da obra, integrante da Diretoria Aquaviária do Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes (Dnit). O Dnit é o principal órgão executor do Ministério dos Transportes e cliente no empreendimento.
Com 25 anos de experiência em obras portuárias, João participa pela primeira vez de um projeto com essas características. Mineiro criado no Paraná, protagonista de uma longa trajetória de participação em projetos no Brasil todo, ele se diz desafiado. “Nunca vi obra assim”, garante. “É preciso retirar uma grande quantidade de pedras que estão sob a água, grandes e pequenas. Em alguns casos, os operadores dos equipamentos não conseguem ver as rochas que precisam remover. Surpresas podem acontecer. É preciso muita calma para que tudo saia conforme o planejado.” No total, 105 mil t de rochas serão removidas.
O encarregado geral João Carlos Klemp compartilha da opinião de João Aires: é preciso agir com segurança, buscando em conjunto as soluções para cada caso e apoiando, passo a passo, os operadores em sua difícil missão. Profissional da construção há 33 anos, com larga experiência em barragens, ele faz sua estréia em obras marítimas. O noviciado em trabalhos no mar ele compensa com grande conhecimento em movimento de rochas. “Gosto de desafios, de ver coisas novas e aprender”, acentua o paulista João Carlos, que começou sua carreira construindo estradas quando estava no Exército.
>> Recuperação e prolongamento do Molhe Sul do Porto de Laguna
Outro desafio da obra é a logística. A área para trabalhar é exígua. “Temos uma restrição de espaço”, admite Flávio Luís de Campos, da Odebrecht, Responsável Comercial e por Administração Contratual. O paulista Flávio, de 29 anos, ingressou na Odebrecht há quatro anos, através do Programa Jovem Parceiro. É um dos responsáveis pelo relacionamento direto, no dia-a-dia de trabalho, entre o consórcio e o cliente e entre a Odebrecht e as outras empresas que formam o consórcio. O desafio da logística vem sendo superado através da otimização do trabalho dos caminhões que carregam, transportam e descarregam as rochas, e na definição precisa da seqüência de posicionamentos das retroescavadeiras que retiram as pedras da estrutura existente.
Laguna está situada em uma das quatro plataformas pesqueiras do Brasil, definidas em 2003 pelo Governo Federal. Essas plataformas são pólos pesqueiros cujo desenvolvimento é prioridade governamental. Em média, o porto recebe de 70 a 80 embarcações por mês, cada uma delas com 15 tripulantes. Isso representa de 140 a 160 atracações mensais. O cais tem extensão de 300 m; de acordo com os planos de expansão, em um período de sete a 10 anos passará a ter 1.200 m. Atualmente, o porto gera 350 oportunidades diretas de trabalho. Com o término da obra do Molhe Sul, esse número deverá triplicar. “A médio e longo prazo, haverá condições de investirmos em turismo e lazer, além de na pesca”, acredita o administrador Valter Tavares.
José Eduardo Amorim observa que, para a Odebrecht, a participação em obras como a recuperação e o prolongamento do Molhe Sul do Porto de Laguna e a ligação da Via Expressa Sul com o Trevo da Seta, em Florianópolis, é um passo decisivo para o crescimento da empresa em Santa Catarina. “São empreendimentos estratégicos para a consolidação e o prosseguimento de nossa presença no Estado.
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