nº 115 - novembro/dezembro de 2004
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 Publicação interna da Organização Odebrecht – Odebrecht S.A, Construtora Norberto Odebrecht, Braskem e Fundação Odebrecht
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A segura travessia do tempo
Presente na Venezuela há 12 anos, Odebrecht realiza obras que
contribuem para aprimorar a realidade socioeconômica do país

Um relacionamento histórico
de entendimento e cooperação
   
   
Cláudio Lovato Filho ◦ texto
Tsutomo Sassaki ◦ fotos

O Rio Orinoco é um símbolo da Venezuela. De sua origem, na divisa com o Brasil, até o delta, no Oceano Atlântico, são 2.140 km, ao longo dos quais é alimentado por 194 rios e 600 subafluentes. Foi às margens do Orinoco, o terceiro rio mais caudaloso do mundo, que se estabeleceu grande parte das etnias indígenas ancestrais venezuelanas. Nesse rio de águas turvas, a Odebrecht constrói uma ponte rodoferroviária de mais de 3 km de extensão, decisiva para a integração de três estados. A atuação das equipes no empreendimento, que exige a compreensão desse rio mitológico, obtida a partir de completo respeito a ele, emblematiza, de certa maneira, a história de 12 anos da Odebrecht na Venezuela: uma história feita de grandes desafios, superados com base na motivação, persistência e capacidade de integração à realidade do país.

A segunda ponte sobre o Rio Orinoco se localiza no sudeste do país, na região da Ciudad Guayana – formada por Puerto Ordaz, onde está instalado o canteiro de obras, e San Félix. Faz parte do projeto a construção de 166 km de rodovias. Além da ponte, a Odebrecht participa de outros quatro empreendimentos na Venezuela: a construção das linhas III e IV do Metrô de Caracas, a Linha de Metrô de Los Teques, cidade da região metropolitana da capital, e o recém-iniciado projeto de irrigação El Diluvio, na região de Maracaibo, a segunda maior cidade do país.

A construção da ponte, realizada por mais de 2.300 trabalhadores, irá aproximar os estados Anzoátegui, Bolívar e Monagas, assegurar um melhor escoamento para a produção das indústrias de transformação, mineração e madeireiras, as locomotivas da economia da região de Guayana, que corresponde a cerca de 50% do território venezuelano, e facilitar a integração rodoviária com o Brasil através da ligação com Boa Vista e Manaus. Ao ligar a Amazônia brasileira ao Mar do Caribe, a ponte viabilizará a importação e exportação de produtos. A obra, começada em fevereiro de 2001, é uma iniciativa da Corporación Venezuelana de Guayana – CVG, empresa governamental responsável pelo desenvolvimento da região, e conta com financiamento do programa de apoio às exportações de bens e serviços do Banco do Brasil.

Até outubro, todos os 39 pilares da ponte estarão colocados e as quatro torres terão sido concretadas ao nível de sua primeira travessa. Com isso, estará liberada a montagem dos trechos metálicos do tabuleiro em sua posição final. Em maio, foi iniciada a movimentação dos módulos que irão compor o primeiro trecho da superestrutura da ponte. A estrutura metálica está sendo fabricada no Brasil, em Ipatinga (MG), e montada em módulos de 12 m em indústrias da região de Guayana.

“A execução das fundações tem sido um de nossos principais desafios construtivos”, relata Estevão Timponi, Diretor do Contrato. “Chegamos a perfurar a quase 100 m abaixo do nível do rio, em áreas nas quais foi necessário atravessar camadas de até 70 m de areia”. Depois disso, foi preciso perfurar a rocha de fundo de forma a engastar as estacas de até 2,5 m de diâmetro.

Para atravessar a espessa camada de areia, foi utilizado o mais potente martelo vibratório do mundo (o PTC HD 240). Com ele, foi feita a cravação das camisas metálicas. Foi preciso ainda injetar cimento especial, com a finalidade de consolidar a areia de fundo, em contato com a rocha, e garantir a vedação necessária para a perfuração da rocha, executada com um equipamento de última geração fabricado pela empresa alemã Wirth.

>> Como é feita a perfuração para execução das fundações

Essa solução resultou de diversas seções de sugestões e debates, nas quais os integrantes da equipe da Odebrecht no projeto lançaram mão de seu conhecimento acumulado. “Temos aqui uma equipe bastante experiente”, salienta Timponi. “A experiência dá tranqüilidade. E, numa obra como esta, tranqüilidade é fundamental.”

O Orinoco, um rio de proporções amazônicas, pode, dependendo da época do ano, subir até 12,5 m acima de seu nível normal, com suas águas adquirindo velocidade de até 3,5 m/s. Isso altera o ritmo dos trabalhos e exige cuidados especiais com a segurança de pessoas e equipamentos. “É um fator limitador”, admite Timponi. Limitador, mas que não impedirá que seja alcançado o grande objetivo da inauguração da obra em 2005. Isso devido a um rigoroso planejamento dos serviços, à capacitação da equipe e ao acúmulo de conhecimento sobre um rio que não mais irá separar, regiões mas sim consolidar-se como um elo, um aliado.

>> Obras em andamento na Venezuela

OBRAS METROVIÁRIAS – Na capital do país, e em sua região metropolitana, a Odebrecht realiza três empreendimentos que garantirão a melhoria da qualidade de vida das pessoas que nelas vivem ou trabalham: a construção das linhas III e IV do Metrô de Caracas e da Linha de Metrô do município-satélite de Los Teques.

A Linha IV, com 5,5 km de extensão, terá capacidade para transportar 550 mil passageiros por dia e ligará as estações de Capuchinos e Plaza Venezuela, ambas no centro de Caracas. A obra, que tem a participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES e da Corporação Andina de Fomento – CAF como agentes financiadores, foi concebida para desafogar a Linha I, na região central da cidade. O projeto inclui a construção das estações Plaza Venezuela, Parque Central, Nuevo Circo e Teatros, e a modernização e ampliação da Estação de Capuchinos. Em maio, metade das obras civis foram concluídas. Houve comemoração quando uma das duas máquinas Shield, que perfuram os túneis, chegou à Estação Nuevo Circo.

A celebração foi mais do que justa. Estava superada a etapa mais difícil da obra, durante a qual prédios tiveram de ser escorados e redes de eletricidade, água, gás e telefonia, remanejadas. “São desafios típicos de uma obra urbana”, acentua Antonio Carlos Daiha Blando, Diretor do Contrato. “Estamos hoje com 60% dos serviços realizados. Nosso grande objetivo é entregar a obra até junho de 2006, de acordo com o que foi pactuado com o cliente (a Companhia Autônoma Metrô de Caracas).”

Totalmente subterrânea, a Linha IV terá cerca de 5 km dos túneis perfurados pelos shields e o restante pelo método tradicional NATM (New Austrian Tunneling Method), com retroescavadeiras. O destaque, no momento, é a escavação das estações Teatros e Parque Central e dos túneis entre elas, na qual estão sendo utilizados os dois shields de forma simultânea. Em janeiro de 2006, as estruturas da estações deverão estar concluídas. Os anéis de concreto usados para revestir os túneis são produzidos pela Odebrecht em uma fábrica própria.

A Linha III terá 6 km de extensão, entre as estações El Valle (já existente) e La Rinconada, em execução na região do Hipódromo de Caracas. Ali, a Linha III estará conectada ao sistema de trens intermunicipais. Entre El Valle e La Rinconada, três estações serão construídas (Los Jardines, Coche e Mercado), em áreas densamente povoadas, o que vem exigindo um rigoroso trabalho de planejamento dos serviços, para que sejam superados os desafios das interferências e cumpridos os prazos.

INTEGRAÇÃO DE COMUNIDADES – Devido às características geológicas da região, serão aplicados três métodos construtivos: trincheira coberta, túnel mineiro (feito com retroescavadeiras) e escavação com shields fabricados pela alemã Herrencknecht (a mesma dos shields da Linha IV). A perfuração começou em 2 de julho, com o shield “Andreína”, nome dado em homenagem a uma integrante da equipe de engenheiros e arquitetos da C.A. Metrô de Caracas. O equipamento é capaz de perfurar rocha e solo. “A Herrencknecht é uma grande parceira da Odebrecht”, destaca Antonio Carlos Daiha Blando. “A empresa acompanha toda a operação e nos oferece um apoio de alta qualidade”, acrescenta.

Pela Linha III, poderão ser transportados até 240 mil passageiros/dia. O empreendimento permitirá a integração das comunidades dos Valles del Tuy, na região sul de Caracas, com o centro da capital, através de um sistema de transporte rápido e seguro. A obra será realizada em duas frentes simultâneas de escavação. Mas, diferentemente do que ocorre na Linha IV, os shields irão operar em sentidos opostos. A conclusão do empreendimento está prevista para 2006. A Odebrecht será responsável pelo prolongamento da Linha III, entre as estações de La Rinconada e Zoológico, esta situada na Linha II. A obra é fundamental para a completa integração do sistema metroviário de Caracas.

A participação nos empreendimentos das linhas III e IV tem proporcionado à Odebrecht aprofundar seu conhecimento sobre o cliente C.A. Metrô de Caracas e o país. São obras em que a interação com os representantes do cliente e com a comunidade é freqüente e intensa. A interação é essencial para que os objetivos, convergentes, sejam atingidos. “Nossas equipes são preparadas para atuar de acordo com os princípios da Tecnologia Empresarial Odebrecht em cada uma das ações no dia-a-dia”, relata Daiha Blando. “O intuito é dar condições para que as pessoas que atuam na Odebrecht – sejam brasileiros, venezuelanos ou originários de outros países – estejam cada vez mais integradas, motivadas e capacitadas.”

A Linha de Metrô de Los Teques, com 9,5 km de extensão, irá conectar Los Teques, cidade de 140 mil habitantes na Grande Caracas, ao sistema metroviário da capital. A maioria da força de trabalho de Los Teques desenvolve suas atividades em Caracas. Hoje, a viagem de cerca de 30 km entre as áreas centrais das duas cidades é feita por uma estrada velha, estreita e sem conservação ou pela Rodovia Panamericana, mais moderna, mas já sem condições de dar vazão à quantidade de veículos que trafegam por ela.

O empreendimento é uma iniciativa da C.A. Metrô Los Teques, cujos acionistas são o Governo do Estado Miranda, a Prefeitura do Município de Guaicaipuro (do qual fazem parte Los Teques e outras seis cidades) e a C.A. Metrô de Caracas. As obras civis são realizadas pelo Consórcio Metrô Los Teques, liderado pela Odebrecht e do qual fazem parte a italiana Astaldi e a venezuelana Vinccler. A Odebrecht é responsável pelo gerenciamento da construção. A Astaldi e a Vinccler, além de sócias da Odebrecht, são também subcontratadas, junto com a venezuelana Dycvensa e outras construtoras locais.

Os serviços na Linha de Metrô de Los Teques começaram em abril de 2002. A obra, executada de forma simultânea em seis frentes de trabalho, com a participação de mais de 2 mil pessoas, inclui a execução da Estação El Tambor, na área central de Los Teques. Ela terá 9 mil m2, 135 m de extensão e, anexos a ela, um estacionamento com 650 vagas, um centro comercial e um terminal de ônibus. Compõem ainda o projeto cinco túneis, dos quais o maior é o Carrizalito, com 3,5 km de extensão. Haverá seis pontes ferroviárias e três rodoviárias, além de oito trechos de vias de superfície e trincheiras (estruturas de concreto armado apoiadas sobre estacas ou enterradas). O Rio San Pedro, que corre em paralelo à obra, foi canalizado em quatro trechos.

O trajeto de 9,5 km será percorrido em 10 minutos. Hoje, contando apenas com as duas rodovias, o morador de Los Teques tem de sair de casa às 5 horas da manhã, em alguns casos até mais cedo, para retornar somente depois de 9 horas da noite. A linha terá capacidade para transportar até 60 mil passageiros por dia. Mais de 70% da obra já estão executados. A conclusão está prevista para o segundo semestre de 2005.

O encontro da Linha de Los Teques com o Metrô de Caracas será na Estação Las Adjuntas. Ao lado dela, foi construída a nova sede da Escola Cláudio Feliciano, com cinco andares, na qual estudam 2.110 alunos. O antigo prédio da escola ficava exatamente no traçado da obra e teria de ser desapropriado. A instituição é muito tradicional e a comunidade reivindicou sua reconstrução em outro lugar, em vez da desapropriação. O pedido foi aceito. O novo prédio foi inaugurado em agosto.

JARDIM TERAPÊUTICO – No outro extremo da obra, em Los Teques, no teto da trincheira de concreto junto à Estação El Tambor, será construído um jardim terapêutico para uso da comunidade e dos pacientes do Hospital Victorino Santa Elta, situado nas proximidades. Será uma espécie de praça, com gramados, árvores e bancos, para lazer e descanso.

As ações sociais são destaque na obra da Linha de Metrô de Los Teques. O Consórcio Metrô Los Teques implantou serviços da rede elétrica e saneamento, ergueu postos de saúde, asfaltou ruas e construiu escadas para os moradores dos morros. Participou de campanhas de vacinação contra dengue e febre amarela, em parceria com a Prefeitura de Guaicaipuro e com o Governo Federal. “O relacionamento com a comunidade é uma prioridade permanente para nós”, afirma Marcelo Colavolpe, Diretor do Contrato. “A obra se desenvolve em uma região densamente povoada. São comunidades que têm muitas carências. O consórcio tem contribuído, de acordo com suas possibilidades, para melhorar a qualidade de vida na região.”

Euzenando Azevedo, Diretor-Superintendente da Odebrecht na Venezuela, salienta que as ações sociais são uma marca da atuação da Odebrecht na Venezuela. “O envolvimento com a comunidade é um reflexo da consolidação da Odebrecht como empresa venezuelana”, ele afirma. Outro aspecto importante nesse processo permanente de integração ao país é a abertura de oportunidades para as empresas venezuelanas. “Temos presença e nome consolidados no país, executamos grandes contratos em regiões importantes, mas queremos trabalhar com as empresas venezuelanas. Não abrimos mão disso. Para nós, é um compromisso.” Ele cita exemplos da colocação em prática desse compromisso. “Mais de 230 empresas da Venezuela já tiveram participação na obra da ponte sobre o Rio Orinoco. Na Linha IV do Metrô de Caracas, foram mais de 80. Nas obras da Linha de Metrô de Los Teques, estão presentes mais de 20 empresas venezuelanas.”

A formação de equipes é outro ponto-chave na atuação da Odebrecht na Venezuela. Nos cinco empreendimentos em execução, as oportunidades para jovens empresários brasileiros e venezuelanos são outra prova da determinação da empresa de fazer com que suas raízes no país se aprofundem cada vez mais.

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