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Imigração Germânica
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O sobrenome Odebrecht está fincado em terra brasileira
desde 1856, quando o estudante Emil Odebrecht chegou
a uma pequena colônia agrícola em Santa Catarina,
no bojo da imigração alemã para o Brasil
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Os imigrantes de origem germânica que chegaram ao Brasil no século XIX traziam o coração cheio de esperanças. Aldeias inteiras deixavam para trás uma sociedade em crise, após as frustradas tentativas de unidade nacional. A maioria preferiu os Estados Unidos. Alguns, o Brasil. Agricultores em sua maioria, queriam principalmente terras.
Nos lugares de onde vinham, a terra era, em geral, propriedade eterna e inconteste de várias gerações de uma mesma família. Não podia ser comprada nem vendida. No Brasil, ao contrário, tratava-se de um bem disponível para transação e ocupação. Aqui, nas colônias recém-criadas, o trabalho e as chances de prosperidade eram reduzidos, mas possíveis. A vida no Brasil trazia desafios e oportunidades.
Emil Odebrecht, nascido na Pomerânia (região até recentemente dividida entre a extinta República Democrática Alemã e a Polônia), no Reino da Prússia, era um deles. Tinha 21 anos em 1856, quando chegou a Blumenau acompanhado por dois colegas de ginásio, Meletin e Kreplin. Eles gostaram do que viram. Tanto que, em 1859, Emil naturalizou-se brasileiro e voltou para a Prússia, onde se diplomou engenheiro pela Universidade de Greifswald.
Em 1861 estava outra vez em Santa Catarina para trabalhar ao lado do lendário Dr. Hermann Bruno Otto Blumenau, num momento decisivo para a consolidação da colônia que foi batizada com o nome dele. Emil e outro imigrante, Hans Breithaup, formaram a dupla de engenheiros que deu inestimável colaboração ao trabalho do Dr. Blumenau.
Eles realizaram diversos serviços, entre os quais os de topografia e agrimensura, fundamentais para que o imigrante se sentisse capaz de ter acesso à terra e à proteção contra todas as contestações futuras em relação a sua posse.
Além de agricultores e engenheiros, a pequena elite econômica da colônia era composta de ferreiros, carpinteiros, marceneiros, médicos, naturalistas, teólogos, professores, militares, pequenos e médios comerciantes. Todos simbolizados na figura do farmacêutico e químico, Dr. Hermann Blumenau.
Traziam uma formação religiosa de origem luterana. Para eles, o trabalho era o principal sentido da vida, um dever permanente. Buscavam servir com simplicidade e humildade, com base em sólidos princípios éticos. Por isso mesmo, os frutos do trabalho constituíam uma riqueza justa e digna. Não era feio ser rico – pelo contrário. A idéia do trabalho e da riqueza como legítimas realizações do Ser Humano, Emil Odebrecht a transmitiu a seus 15 filhos.
Os imigrantes ocuparam primeiro o litoral, seguindo depois os vales dos rios rumo ao interior. A colônia Blumenau foi fundada em 1850 na barra do ribeirão Garcia com o rio Itajaí-Açu, num local muito favorável ao comércio porque ali nem corredeiras nem quedas de água interrompiam a navegação que vinha da bacia do Itajaí. O fato de o Dr. Blumenau ter se empenhado na construção de estradas e pontes, mesmo com o benefício do transporte fluvial, ajuda a mostrar por que a colônia foi a mais bem-sucedida de todas. Seu fundador arregimentou colonos e enfrentou com eles todas as adversidades dos primeiros tempos, da floresta densa e invasão de fronteiras à reação armada de grupos indígenas. Eram companheiros constantes do Dr. Hermann Blumenau, o naturalista Fritz Müller, o médico Friendereich e Emil Odebrecht.
A colônia teve outras peculiaridades. Uma delas é a de que, ao contrário do que acontecia na economia brasileira em geral, lá jamais se desenvolveu o latifúndio à base do trabalho escravo. Praticava-se uma economia voltada para o mercado interno. Em 1859, o Dr. Blumenau desistiu de tocar a colônia como projeto particular e vendeu-a ao governo brasileiro, que o manteve no cargo de diretor. Aí expandiram-se os investimentos em obras públicas. Nos 11 anos seguintes, a população da colônia cresceu mais de 500%, saltando de 1.000 para 6.286 habitantes.
Datam dessa época de expansão os trabalhos exploratórios desenvolvidos por Emil Odebrecht. Recém-casado com a alemã Berta Brichels, e nascido o primogênito Edmundo, ele fez a medição e discriminação dos lotes dos colonos. Participou do batalhão voluntário de imigrantes alemães no primeiro ano da guerra do Paraguai (1865), voltando com o posto de tenente.
Retomando suas atividades civis, viveu dez anos, a partir de 1867, na exploração do Alto Itajaí. Lá cuidou da abertura de um caminho entre Blumenau e o planalto de Lajes e Curitibanos, fazendo a conexão com a estrada da Mata ou das "Tropas", entre o Rio Grande do Sul e o Paraná. Levantou linhas e foi engenheiro-chefe do Distrito de Santa Catarina na Repartição dos Telégrafos. Aposentou-se nesse cargo. Morreu em 6 de janeiro de 1912, aos 76 anos.
Teve tempo de compartilhar o sucesso da sua terra de eleição. Município em 1880, no começo do século XX Blumenau já era considerada cidade-modelo em Santa Catarina. Nessa época começou a industrializar-se, com ênfase na tecelagem. Os trilhos da estrada de ferro Santa Catarina chegaram em 1909, e duas hidrelétricas logo depois.
A prosperidade era crescente e os horizontes, por isso, mais amplos. Os filhos de Blumenau começaram a estudar em São Paulo e na capital federal, o Rio de Janeiro. A descendência de Emil Odebrecht não escaparia desse destino.
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