nº 116 - janeiro/fevereiro de 2005
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 Publicação interna da Organização Odebrecht – Odebrecht S.A, Construtora Norberto Odebrecht, Braskem e Fundação Odebrecht
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Respeito ao passado, olhos no futuro
Alguns pensamentos de Marcelo Odebrecht
   
   
José Enrique Barreiro ◦ texto
Holanda Cavalcanti ◦ fotos

“Qualquer conquista de hoje, por maior que seja, já é passado amanhã”, diz Marcelo Odebrecht, Líder Empresarial do negócio Engenharia e Construção da Odebrecht. Muito cedo, ele aprendeu a admirar a experiência e a reconhecer nos desafios do passado uma fonte de aprendizados essenciais. No entanto, é enfático: a chave para que a Odebrecht continue no rumo da perpetuidade é a permanente renovação de pessoas alinhadas com a Tecnologia Empresarial Odebrecht. Serão elas as responsáveis pelo prosseguimento de uma história de 60 anos de prestação de serviços de engenharia e de constante busca de soluções criativas para cada desafio. Com delegação planejada e foco na satisfação dos clientes, serão os agentes de uma atuação cada vez mais qualificada. “Por isso, nosso maior desafio e nossa maior concentração serão sempre a identificação e a integração de novos talentos”, diz ele.

Odebrecht Informa – Da empresa fundada por Norberto Odebrecht até hoje, a Odebrecht tem uma trajetória de crescimento contínuo. Qual a chave desse processo?
Marcelo Odebrecht
– A chave é a prática da TEO por nossas equipes. Em especial, a integração de novos empresários-parceiros e outros talentos, a delegação planejada e o foco na satisfação do cliente.

OI – Quais os principais desafios atuais do seu negócio? E quais as suas áreas de concentração?
MO
– Nosso maior desafio e nossa maior concentração serão sempre a identificação e integração de novos talentos. Neste momento em especial, em que as oportunidades são muitas, estamos limitados somente pela nossa capacidade de integrar novos empresários-parceiros e novas equipes. Os demais desafios e concentrações são dinâmicos como o nosso negócio, e alteram-se a todo instante.

OI – A Odebrecht está completando 25 anos de atuação no exterior. Você poderia fazer um balanço geral dessa trajetória?
MO
– Fomos cuidadosos no início e, assim, sobrevivemos sem abortar o processo de internacionalização. Ousamos quando as operações no Brasil nos permitiam ousar, e com isso aprendemos e criamos as bases para o crescimento. Até que chegamos ao ponto em que, com mais de 80% de nossa receita no exterior, não conseguimos nos imaginar no rumo da perpetuidade limitados ao mercado doméstico e mesmo aos mercados em que atuamos neste momento.

OI – O que vem determinando o êxito de atuação em alguns países como Peru, Angola, Portugal, Equador, República Dominicana, Estados Unidos e Venezuela?
MO
– Devemos considerar em primeiro lugar nossas competências internas, oriundas da prática da TEO, notadamente a delegação planejada, que permite a nossos empresários-parceiros e respectivas equipes atuar localmente com total alinhamento com os acionistas. Além disso, devemos reconhecer, e principalmente compreender, as características desses mercados – e, em muitos casos, a geopolítica brasileira – como fatores que nos possibilitam uma atuação qualificada.

OI – Por outro lado, a Odebrecht esteve presente em vários países nos quais terminou não consolidando sua presença, a exemplo de alguns países africanos (Botsuana, África do Sul e Moçambique), de países europeus (Alemanha e Inglaterra, principalmente) e de algumas nações asiáticas. Como você analisa a não-continuidade nesses países?
MO
– Cada um desses países foi uma história distinta, mas em geral podemos dizer que ou não tínhamos os empresários-parceiros adequados e/ou não conseguimos nos diferenciar junto aos clientes desses países.

OI – O que a Odebrecht tem de diferente a oferecer a seus clientes?
MO
– Essencialmente, toda uma organização voltada para servi-los. Mais do que a simples prestação de serviços de engenharia, esta organização está preparada para oferecer, sempre, através dos nossos empresários-parceiros, as soluções mais criativas para garantir eficiência total em cada negócio.

OI – Qual a importância das alianças estratégicas que a Odebrecht vem estabelecendo fora do Brasil, para o êxito de sua atuação no exterior?
MO
– Pode-se observar os bons resultados dessas parcerias em duas vertentes. Por um lado, melhoram nossa atuação ao agregar competências e conhecimento local às nossas equipes e, por outro lado, ampliam nossas oportunidades ao alavancar a identificação e a atuação em outros mercados delegados.

OI – Sabe-se que uma questão relevante, na atuação internacional, é a questão cultural. É importante que os integrantes da Odebrecht conheçam as peculiaridades das culturas locais e busquem se adaptar a elas. Como esse processo ocorre e o que é mais difícil nele?
MO
– Não há outra opção: ou nos adaptamos, ou nos adaptamos. É um processo que ocorre naturalmente na educação pelo trabalho, na labuta do dia-a-dia, liderando pessoas de outras culturas ou sendo liderados por elas, e na busca por satisfazer os clientes locais. Sempre entendendo que o cliente final é a sociedade a que estamos servindo. Como possuímos uma cultura muito forte, o mais difícil talvez seja reconhecermos nossas limitações e o quanto temos de aprender de cada cultura e cada ambiente em que atuamos.

OI – Você disse que, se cada um dos mais de 90 empresários-parceiros da Odebrecht que lideram contratos fizesse uma ação social relevante, a Odebrecht já teria feito muito. Qual é exatamente a responsabilidade social da Odebrecht na área de Engenharia e Construção?
MO
– Ao criar oportunidades de trabalho, ao gerar e distribuir riquezas cada vez maiores, entendemos que estamos realizando nossa maior responsabilidade social. Além disso, desenvolvemos ações sociais nas comunidades em que atuamos. Não são ações assistencialistas, mas um esforço – que deve caber a todo empresário – para reduzir as carências ou o impacto causado pelas obras nessas comunidades.

OI – A Tecnologia Empresarial Odebrecht é flexível em relação às culturas locais? Há diferenças de prática da TEO entre os diversos países, em função das peculiaridades locais?
MO
– A TEO é um conjunto único, que reúne valores essenciais que se aplicam a todos os países em que atuamos. A prática da delegação planejada e a atuação de nossos empresários e seus parceiros é que nos traz a necessária flexibilidade em relação às peculiaridades locais.


“Nossos principais ativos são as pessoas e a prática da TEO. Temos integrantes comprometidos, capacitados e com delegação para satisfazer o cliente” - Marcelo Odebrecht


OI – Um processo mais ou menos recente é a expatriação de não-brasileiros. Ou seja: pessoas formadas pela Odebrecht fora do Brasil e que já atuam em outros países. Quantos são e onde estão? Como isso foi construído e o que significa para o negócio Engenharia e Construção da Odebrecht?
MO
– Esse processo tem de ser visto de modo natural, à medida que criamos raízes mais fortes em outros países, e positivo, pois representa maior riqueza de competências. Hoje, são 41 expatriados não-brasileiros, oriundos da Colômbia, Chile, Peru, Panamá, México, Portugal e Equador atuando na Venezuela, Equador, Peru, Djibouti, República Dominicana, Estados Unidos e Colômbia.

OI – Quais os principais ativos intangíveis do negócio Engenharia e Construção e como eles revertem em benefícios para o cliente e para a Odebrecht?
MO
– Nossos principais ativos são as pessoas e a prática da TEO. Temos integrantes comprometidos, capacitados e com a delegação para satisfazer o cliente e, ao mesmo tempo, alinhados na criação de riquezas cada vez maiores.

OI – Como a Odebrecht se prepara hoje para continuar a satisfazer plenamente seus clientes no futuro? Em que medida a renovação de pessoas é uma estratégia decisiva para isso?
MO
– Nossa preparação se dá através da integração de novos talentos com ênfase na educação pelo trabalho, e reforço da educação para o trabalho. Neste sentido a renovação de pessoas é um processo natural, prioritário, perseguido a todo instante.

OI – O que é importante lembrar nos 60 anos da Organização Odebrecht?
MO
– Sem desmerecer os resultados alcançados até hoje, o que vai garantir nossa sobrevivência, nosso crescimento e nossa perpetuidade é o que faremos nos próximos anos e não o que fizemos nos últimos 60 anos. Qualquer conquista de hoje, por maior que seja, já é passado amanhã.

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