nº 118 - Maio/Junho de 2005
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 Publicação interna da Organização Odebrecht – Odebrecht S.A, Construtora Norberto Odebrecht, Braskem e Fundação Odebrecht
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A história do compromisso
de uma empresa com um país
Presente em Angola desde 1984, a Odebrecht transferiu
tecnologia, formou mais de 10 mil profissionais angolanos
e participa da construção de empreendimentos decisivos
para o desenvolvimento da jovem nação africana
   
   
Simone Goldberg ◦ texto
Holanda Cavalcanti e Emanuel Requião ◦ fotos

O jovem angolano Evaristo Fernando Manuel começava a engatinhar quando, em 1984, a Construtora Norberto Odebrecht assinou seu primeiro contrato em Angola, para a construção da hidrelétrica de Capanda. Vinte anos depois, Evaristo, que cresceu ouvindo o nome da Odebrecht como parceira da reconstrução da infra-estrutrura do país, é estagiário da empresa. Desde meados do ano passado, quando terminou o curso médio de desenhista de projetos, o rapaz trabalha no projeto Luanda Sul, de requalificação urbana. "É o meu primeiro trabalho e uma experiência ótima, pela qual aprendo na prática o que vi nas aulas", diz o jovem angolano. Ele vai estudar engenharia civil e sonha com uma carreira promissora. "Depois de tudo o que Angola passou, com a guerra civil, é preciso reconstruir o país. É por isso que quero ser engenheiro."

Evaristo começou sua vida profissional no lugar certo para alcançar sua meta: uma empresa que há duas décadas participa do desenvolvimento de Angola realizando obras de infra-estrutura. Elas não apenas trazem melhoria de qualidade de vida para milhões de pessoas como também preparam o país para realizar seu potencial de crescimento. Há um boom de investimentos estrangeiros na Angola do pós-guerra, principalmente na área de petróleo e diamantes, as principais riquezas do país. Mas Angola tem outros potenciais – como agricultura – e diversas demandas. Precisa desenvolvê-los e atendê-las. A Odebrecht, nascida na Bahia, estado brasileiro com a maior influência de Angola, divide com angolanos como Evaristo esse sonho.

Além da hidrelétrica de Capanda, a construtora desenvolve os projetos Saneamento de Luanda, Águas de Luanda (para tratamento de água), Luanda Sul (de redesenho urbanístico), Águas de Benguela, também para tratamento de água, o projeto de irrigação do Canal da Matala, além de investimentos e participações, como o condomínio Atlântico Sul, e associações para a produção de diamante – como a Sociedade Mineira de Catoca e a Sociedade de Desenvolvimento Mineiro de Angola – e petróleo.

Durante esses 21 anos de presença em Angola, a Odebrecht colocou em prática sua filosofia empresarial e, com base nos princípios da Tecnologia Empresarial Odebrecht (TEO) de educação para e pelo trabalho, formou cerca de 10 mil profissionais angolanos. Transferiu tecnologia, e substituiu gradativamente equipes brasileiras por equipes locais. Realizou ações sociais, como o programa de combate à Aids – reconhecido internacionalmente –, reforma e construção de escolas – um exemplo recente é a escola Dom Bosco em Luanda, em parceria com a Congregação Salesiana, que atende 5.580 alunos – e ofereceu apoio a projetos culturais, como a biblioteca de literatura angolana, formada por 24 volumes. Atuando em várias províncias do país, estimulou ainda a economia nacional e sua descentralização, com a contratação crescente de serviços e colaboradores locais.

"Um dos marcos dessa parceria entre Angola e a Odebrecht é a hidrelétrica de Capanda. Mas há muito a fazer para que os resultados plenos em termos de distribuição de energia sejam percebidos", observa o Diretor-Superintendente da Odebrecht em Angola, Luiz Antônio Mameri. "A Odebrecht gerou uma força de trabalho qualificada no país e muitos negócios floresceram em torno das nossas atividades. Pelo menos cem empresas nacionais, sobretudo prestadores de serviço, se desenvolveram junto com a construtora", destaca.

O nascimento da parceria entre a empresa e o país africano foi possível, em 1984, graças à linha de crédito estabelecida pelo governo brasileiro para Angola. "É um dos grandes instrumentos da relação bilateral Brasil-Angola. Há 21 anos, não havia empresa brasileira atuando no país. Nosso pioneirismo trouxe um conhecimento diferenciado da logística, geografia e costumes locais, potencializando nossa integração", afirma Mameri.

Capanda, na Província de Malanje, foi o primeiro desafio. O projeto de construir uma hidrelétrica no Rio Kwanza já existia desde o período colonial. A obra – a maior estrutura erguida pela Odebrecht no país e uma das maiores da África –, uma vez contratada pelo Governo angolano, ficou nas mãos de um consórcio russo-brasileiro. Os russos são responsáveis pelo projeto, pelo fornecimento e pela montagem dos equipamentos. A Odebrecht responde pelas obras civis. A hidrelétrica já produz, com suas primeiras duas turbinas em operação, 260 MW de energia para Luanda e Malanje. Outras duas turbinas devem entrar em operação em 2007, dobrando a capacidade atual. "Capanda vai fornecer energia para o país todo, mas não é suficiente para atender às perspectivas de crescimento", destaca o Diretor de Contrato, Carlos Mathias.

Ele conta que o grande desafio era fazer a obra numa região vulnerável por conta da guerra e a 450 km de Luanda. "Era uma logística complicadíssima para trazer pessoas, equipamentos e mantimentos." Outro desafio, lembra Mathias, era a pouca disponibilidade de pessoas qualificadas, que tiveram de ser preparadas pela construtora. "A Odebrecht foi pioneira na capacitação de pessoal local. No primeiro ano de Capanda, havia 1.100 brasileiros e 300 angolanos. Em 1992, no pico da obra, quando tivemos o maior efetivo, dos 4.200 trabalhadores, 530 eram brasileiros.”

Um desses trabalhadores angolanos que cresceram na Odebrecht é Pedro Manuel Garcia, 60 anos. Ele começou como motorista no início do projeto Capanda, em 1985, e é o mais antigo colaborador angolano da empresa. Com o segundo grau completo e um dom especial para a matemática, Garcia passou por reciclagens, aprendeu a dinâmica financeira do projeto e hoje é técnico em finanças. Cuida do levantamento dos salários, transferências de recursos e pagamentos de encargos. "A Odebrecht trouxe muita coisa para Angola, principalmente a capacitação de pessoas. Um de meus filhos, por exemplo, aprendeu a ser técnico em energia na empresa, trabalhando em Capanda. Depois que foi desmobilizado, não teve dificuldade em encontrar outro emprego", conta. "A qualificação fez a diferença."

Enquanto Capanda já gera energia para Angola, outros projetos estão melhorando a qualidade de vida para os habitantes de Luanda. Inchada com a guerra civil, que expulsou milhões das províncias, a capital tem infra-estrutura para cerca de 450 mil pessoas, mas abriga mais de 4 milhões. A cidade cresceu de forma desordenada, dificultando o acesso da população a serviços básicos como água, saneamento, vias de trânsito pavimentadas, coleta de lixo. Mas a situação vem melhorando gradativamente. O projeto Águas de Luanda, por exemplo, que tem o objetivo de reforçar o abastecimento e a distribuição de água a partir da captação no Rio Kwanza, já tem duas etapas concluídas, que incluíram a construção da Estação de Tratamento de Água (ETA) Luanda Sudeste, implantação de 66 km de adutoras, reabilitação e construção de centros de distribuição, além da instalação de cerca de 50 km de redes de distribuição domiciliares, 4,8 mil ligações domiciliares e fontanários em áreas densamente povoadas e de difícil acesso para a rede canalizada.

Águas de Luanda já está beneficiando 1,6 milhões de pessoas e quando estiver concluído, com a ampliação da ETA, instalação de nova adutora, mais 230 km de redes domiciliares e 25 mil novas ligações domésticas, alcançará mais de 2 milhões de pessoas. “A vida ficou muito melhor com água na torneira. O que eu gastei de dinheiro em mais de 21 anos sem água encanada, comprando água de caminhão, dava para comprar outra casa", conta dona Maria Adelaide Leitão Ribeiro, 66 anos, moradora do Bairro Popular.

O desperdício de dinheiro não era o único contratempo de dona Maria Adelaide, 13 filhos e oito netos. "Muitas vezes o caminhão não vinha e eu tinha de caminhar horas procurando água, que nem sempre era de boa qualidade, para dar banho nas crianças e cozinhar." A água encanada começou a sair das torneiras de Dona Maria Adelaide em 2002. Agora, a senhora angolana pode manter sua creche informal, onde cuida de dezenas de crianças das redondezas enquanto os pais vão para o trabalho.

"O Águas de Luanda é o projeto social mais importante do país desde a independência. Água tratada nos padrões da Organização Mundial de Saúde – OMS tem reflexos imediatos na qualidade de vida da população, além de reduzir os custos da saúde pública", destaca o Diretor de Contrato, Fábio Januário. "A carência é muito grande em Luanda. É preciso dar continuidade aos investimentos em abastecimento." Hoje, o projeto já responde por 54% da capacidade de abastecimento existente na cidade. No fim da terceira etapa, esse percentual saltará para 65%, com o sistema tratando 2.500 litros de água por segundo.

Ao mesmo tempo que a água tratada chega a um número cada vez maior de pessoas, projetos como o de Saneamento na região da Samba têm a requalificação urbana como ponto-chave. As obras de saneamento a cargo da Odebrecht incluem um conjunto de soluções completas. A partir do escopo inicial do projeto, que contemplava basicamente a macrodrenagem – a canalização das águas das chuvas para o mar – visando evitar enchentes, as obras passaram a incluir outras intervenções. Foram feitas cinco valas de drenagem totalizando 4,5 km, duplicados 2,5 km da Avenida da Samba, implantados 3,4 km de novas vias e instalados 29 km de redes técnicas (água, luz, telefones, coletor para futura rede de esgoto domiciliar), além de 4 km de iluminação pública. Estão sendo construídas, ainda, cinco passarelas para pedestres. Mais duas valas de drenagem estão previstas na próxima etapa, assim como outros 2,5 km de duplicação da Avenida e mais redes técnicas. O projeto de Saneamento gera 1,5 mil oportunidades de trabalho nas redondezas.

"As obras do sistema viário beneficiam pelo menos 500 mil pessoas que circulam pela região. E o saneamento básico, outras 200 mil na área da Samba", diz o Diretor de Contrato, André Vital. Antes da intervenção da Odebrecht, as valas existentes estavam subdimensionadas e, com as chuvas, transbordavam. Além dos transtornos provocados pelas inundações, carregadas de lixo, o risco de doenças era grande. Agora o problema no ponto crítico da Samba foi resolvido. "O acesso das pessoas a suas residências foi facilitado e essa população vai poder ter serviços como coleta de lixo e transporte público mais perto de casa", diz Vital.

Apesar do crescimento desordenado, há pontos em Luanda onde uma ocupação urbana planejada é possível. Este é justamente o objetivo do projeto Luanda Sul, que a Odebrecht faz em parceria com a Edurb (Empresa de Desenvolvimento Urbano de Luanda), que foi formada com transferência de tecnologia da Odebrecht e é uma empresa de economia mista, resultante da associação do Governo da Província de Luanda com o grupo Prado Valladares. O projeto está dotando uma área de 1,6 mil hectares de redes de luz, água, esgoto e vias pavimentadas para ocupação residencial, comercial e de serviços. Já foram instalados 155 km de redes de abastecimento de água, 225 km de rede elétrica, 78 km de iluminação pública, 64 km de sistemas viários, 62 km de redes de drenagem e 71 km de redes de esgoto. Pelo menos 100 mil pessoas já tiram proveito da nova infra-estrutura e vários condomínios estão surgindo no local.

"Com Luanda Sul estamos mostrando que é possível fazer desenvolvimento urbano planejado com participação privada e movimentar o negócio imobiliário, que tem crescido bastante nos últimos anos", diz Wolney Longhini, Diretor de Contrato, representante da Odebrecht na Edurb. A construtora também vem deixando um legado permanente de conhecimento para Angola. No começo da Edurb, em 1995, a maioria dos funcionários era brasileira. Hoje, dos 33 funcionários, apenas dois são brasileiros. Muitos angolanos, como o engenheiro Rodrigo de Sousa Alves dos Santos, galgaram posições de destaque. Ele, um ex-professor universitário que entrou na Edurb como topógrafo no nascimento da empresa, se tornou diretor em 1998 e é atualmente um dos maiores especialistas do país em planejamento urbano.

Rodrigo foi escolhido, há poucos meses, para atuar no Programa Habitacional Emergencial do Governo de Angola. Diz que deve boa parte de sua ascensão profissional à Odebrecht, que lhe proporcionou vários cursos de capacitação e uma enriquecedora troca de experiências. "Sou um produto vivo da transferência de tecnologia que a construtora trouxe para Angola. Aprendi com a Odebrecht um know-how, como ter uma atitude diferenciada em relação ao trabalho, valorizando o fazer bem-feito e a satisfação do cliente", ressalta o executivo angolano.

Mas não é só a população de Luanda que vai usufruir de melhorias de infra-estrutura e de serviços básicos. O projeto Águas de Benguela vai atender 1,7 milhão de pessoas nas cidades de Benguela, Catumbela e Baía Farta até 2006. Lá, está sendo construído um sistema de tratamento de água integrado que, através de uma captação única do Rio Catumbela, vai distribuir água para as quatro localidades, que têm abastecimento precário. As primeiras comunidades beneficiadas serão Benguela e Lobito. O projeto está reabilitando antigas estruturas de condução, captação e reserva de água e construindo uma estação de tratamento de água, uma estação de captação e bombeamento de água bruta, 70 km de adutoras e 290 km de redes de distribuição, além de dois centros de distribuição com capacidade de 15 mil m2 de reserva de água. Faz parte ainda do escopo do projeto a reabilitação de uma barragem no Rio Catumbela, com o reperfilamento de um canal de água bruta do rio, local da captação.

O sistema integrado de Benguela terá capacidade para produzir 131 milhões de litros por dia. Para as regiões periféricas de Benguela e Lobito, a água tratada chegará nos mais de 400 chafarizes que servem às populações mais carentes. "Essas obras são as primeiras da Odebrecht na província de Benguela e já têm uma magnitude expressiva. Estão em ritmo acelerado, com 10 frentes simultâneas, já que temos o compromisso social de concluí-las dentro do prazo. É um grande desafio", diz o Diretor de Contrato, José Carlos Prober. Para enfrentar esse desafio, a Odebrecht investiu em equipamentos novos e formação de equipes locais.

Uma obra já terminada pela Construtora é a reabilitação dos 42,6 km do Canal da Matala, na Província de Huíla, para a irrigação da região, considerada um dos celeiros do país. Novecentos hectares já estão irrigados e produzindo com modernas técnicas agrícolas. Agricultores foram capacitados para tirar o melhor proveito do solo e aprender a manejar os equipamentos. O objetivo da obra – retomar a capacidade produtiva da agricultura angolana – está sendo atingindo. Já há colheitas com bons níveis de produtividade de milho, batata, cebola, repolho, tangerina, manga e banana.

Nos investimentos, a Odebrecht confirma seu compromisso e sua confiança no país em diversos projetos. Além das já conhecidas atividades no setor de diamante e petróleo, a construtora aposta no ramo imobiliário. O exemplo é o condomínio Atlântico Sul. São 209 mil m2 de área privativa e urbanizada, com 105 lotes para a construção de residências de alto padrão e uma ampla área de lazer, que inclui quadras esportivas, salão de festas, piscinas e ciclovia. As casas já estão todas vendidas. O Atlântico Sul, que está praticamente terminado, nasceu junto com o projeto Luanda Sul.

"É uma forma de a empresa mostrar sua confiança no Luanda Sul e abrir uma nova perspectiva no conceito de moradia na cidade", diz o Diretor de Contrato Carlos Nostre. Segundo ele, o mais importante é que, graças ao Atlântico Sul, dezenas de jovens angolanos puderam encontrar uma formação profissional. No início das obras, praticamente todos os encarregados e operários mais especializados vinham do Brasil. Eram 120 brasileiros em funções mais específicas e na liderança. Hoje, são apenas 20, que trabalham como encarregados.

"Formamos mão-de-obra local e hoje posso construir uma casa de alto padrão com 100% de pessoal angolano dedicado", garante Nostre. Um dos jovens que agarrou com vontade a oportunidade de aprender foi Gabriel Manuel Tchipeku, 24 anos, o primeiro encarregado angolano do Atlântico Sul. Tchipeku foi identificado como tendo grande potencial para liderança e indicado para o curso de média liderança, que forma encarregados. "O curso me ajudou a compreender na teoria o que eu já via na prática, facilitou minha leitura de projetos, aprendi sobre produtividade e racionalização de custos, segurança do trabalho. Hoje passo para o meu pessoal esse aprendizado", diz.

Tchipeku, conhecido como Boca, entrou na Odebrecht há oito anos como ajudante, sem nenhuma formação. Acumulou experiência e responsabilidade para tocar, como encarregado, as obras de três casas do começo ao fim. Para tanto, comanda um grupo de 60 operários. O rapaz, que pretende estudar mais e crescer na empresa, sonha com um dia montar seu próprio negócio na área de construção civil. Diz que o talento para liderança é hereditário. "Meu pai foi encarregado da Odebrecht em Capanda. Devo ter herdado esse dom."

O curso de formação de encarregado ou média liderança é um dos programas administrados por Justino Amaro, Responsável por Pessoas na Odebrecht Angola. A primeira turma foi criada em junho de 2004, com 67 alunos – 55 angolanos e 12 brasileiros – dos projetos Luanda Sul, Saneamento e Atlântico Sul. O curso teve cinco meses de duração. "Foi uma experiência piloto dentro da empresa, que escolheu aplicá-la em Angola. O objetivo é capacitar angolanos não só para substituir os expatriados mas também para incentivá-los a fazer carreira na Odebrecht", diz o angolano Amaro. Desse modo, a empresa contribui mais um pouco para a criação de quadros especializados, uma das grandes carências do país.

Na produção de diamantes, a Odebrecht é sócia de dois projetos: Sociedade de Desenvolvimento Mineiro de Angola (SDM), em parceria com a Endiama (Empresa Nacional de Diamantes, de Angola) e Sociedade Mineira de Catoca (SMC), juntamente com a Endiama e dois outros sócios, Alrosa S.A. e Daumonty Finance. A SDM, que prospecta numa área de 3 mil m2 no Rio Cuango, na região mineira de Luzamba (província de Lunda Norte), está com seu tempo limitado. Em 2003, produziu 620 mil quilates. No ano seguinte, a produção atingiu 610 mil quilates. Este ano deve produzir 400 mil quilates.

"Provavelmente em 2006 vamos ter exaurido as reservas diamantíferas de produção", diz o Diretor Geral da SDM Marcelo Gomes. Em 2004, a SDM ganhou uma nova área de concessão para prospectar diamantes em aluvião, em Muanga, 180 km ao sul do local atual do projeto. "Ainda é cedo para qualquer projeção, porque a fase de prospecção vai durar até 2007", diz Gomes. A SMC, que atua na província de Lunda Sul, apoiada em estudos que dão à mina um potencial de 165 milhões de quilates, está investindo cerca de US$ 90 milhões para produzir 7 milhões de toneladas anuais em 2005. A presença da Odebrecht na exploração de petróleo se dá por meio de consórcio, no qual figuram a Sonangol, estatal angolana, a canadense CNR/Ranger e a americana Devon. O consórcio, cujo contrato de partilha de produção foi assinado em agosto de 2002, está em fase de prospecção no chamado Bloco 16, que vai exigir um investimento total de US$ 100 milhões. O contrato estabelece um prazo de quatro anos de exploração, podendo ser estendido por mais três de acordo com os resultados obtidos.

A volta para casa

A atuação diversificada por regiões e setores de atividade não impede o investimento social da Odebrecht. No entorno das obras, escolas são reformadas e há apoio logístico para campanhas de vacinação. Justamente por saber que a atividade extrativa de diamantes é temporária, a SDM desenvolveu uma série de ações sociais visando dar alguma auto-suficiência às populações locais. Na lista de atividades estão reforma e construção de escolas, atendimento médico no ambulatório do canteiro de obras, cursos de alfabetização para adultos, um programa de agricultura de subsistência e outro de alimentação, com distribuição de derivados de soja para cerca de 4 mil crianças. Lá, há ainda um Centro de Formação Profissional, que já preparou cerca de 250 angolanos. Em Catoca, vários programas sociais levam benefícios à comunidade local, entre eles a construção de uma escola, fornecimento de material didático, móveis e alimentação para estudantes, a distribuição diária de leite de soja e de vaca para 1.500 crianças, fornecimento de água canalizada para os bairros no entorno do projeto e apoio ao hospital da província. Também na SDM e em Catoca, como em todas as obras da Odebrecht, houve a forte presença do programa de combate à Aids, com ampla divulgação de informações sobre prevenção e formação de agentes educadores.

Outros programas sociais desenvolvidos em Angola

O programa de combate à Aids, cujo mote é a prevenção pela educação, foi iniciado em agosto de 2002 com um investimento de US$ 1 milhão. Os recursos se esgotaram no final do ano passado. Mas o programa deve continuar no âmbito da empresa. A campanha formou 900 agentes educadores entre funcionários da Odebrecht Angola e pessoas de diversas comunidades angolanas. "Também formamos 26 instrutores, que vão formar novos agentes educadores, e 33 aconselhadores, que orientam as pessoas antes e depois do teste de HIV", diz Jorge Preto, integrante da equipe do programa. Cerca de 1,2 milhão de preservativos foram distribuídos e o programa alcançou, pela multiplicação da informação, um número igual ou superior de pessoas.

Um dos pilares da campanha de combate à Aids é o Programa Saúde da Mulher, que aconselha quanto às doenças sexualmente transmissíveis, tenta evitar, na medida do possível, a transmissão vertical da Aids – de mãe para filho –, realiza exames pré-natais e trata doenças oportunistas. "Fizemos um estudo e comprovamos que a maioria das mulheres nunca fez exame ginecológico. A conscientização é muito importante para a prevenção", diz a médica ginecologista Rahel Hailemichael Woldemariam, consultora da Odebrecht e responsável pelo programa. O envolvimento dos jovens das comunidades tem sido fundamental para o sucesso do programa. Manoel Chaves, conhecido como "Delano", tem 26 anos e participa de um grupo de teatro. No ano passado, fez o curso de agente educador. Ele se interessou tanto que fez o de instrutor. Desde então, insere nos espetáculos de seu grupo o tema Aids.

Parceria com a Odebrecht possibilita desenvolvimento de empresas

"Com o teatro, passamos de uma forma interessante e compreensível a mensagem da prevenção. As pessoas entendem com imagens que marcam", conta. Depois de cada apresentação, Chaves e seu grupo distribuem panfletos informativos e camisinhas. Outro agente educador, Manuel Raimundo da Costa, 43 anos, é funcionário da Odebrecht Angola há 15. Trabalha como técnico na área de informática. Ele conta que teve amigos infectados pelo HIV que morreram. "Percebi que podia ajudar minha comunidade com informações e resolvi me engajar na campanha da Odebrecht." Seu Raimundo, como é chamado pelos colegas, foi um dos primeiros agentes educadores formados pelo programa e o primeiro a levar a mensagem da prevenção para sua comunidade, Cacuaco, de 7 mil moradores. Hoje ele é também instrutor e já ajudou a formar 200 agentes educadores. "A falta de informação é um problema muito grave, que deixa muito espaço para o preconceito. É preciso manter todo o esforço para ganhar essa luta."

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