nº 119 - Julho/Agosto de 2005
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 Publicação interna da Organização Odebrecht – Odebrecht S.A, Construtora Norberto Odebrecht, Braskem e Fundação Odebrecht
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Por entre antigas ruas e avenidas
Obras da Linha Vermelha do Metrô de Lisboa são realizadas
em áreas repletas de edifícios, a maioria deles tombados,
exigindo procedimentos especiais com segurança e comunicação
   
   
Marco Antonio Antunes ◦ texto

A execução da fase 2 da Linha Vermelha do Metrô de Lisboa, na região central da cidade, apresenta desafios constantes para a equipe da obra. O traçado corta áreas repletas de edifícios, alguns seculares, quase todos tombados. Liga as estações Alameda, Saldanha e São Sebastião, já em operação, e inclui duas novas estações, Saldanha II e São Sebastião II, que se somam às existentes. Esta linha ligará transversalmente as outras três linhas do Metrô de Lisboa – Azul, Verde e Amarela –, cruzando-as em áreas comerciais e residenciais de intenso tráfego de veículos e pedestres. Com isso, facilitará a vida dos atuais usuários do Metrô e atrairá novos usuários.

As duas novas estações estão sendo implantadas no eixo de uma importante artéria da capital, a Avenida Duque D’Ávila. Na Estação de São Sebastião, o alinhamento das estacas de contenção chega a distar apenas 2 m das fachadas dos edifícios em alguns casos, o que torna ainda mais complexo o trabalho dos técnicos e engenheiros.

Entre as obrigações contratuais dos construtores está a realização de vistorias nos edifícios situados na área de influência do projeto. O Responsável pelo programa da Linha Vermelha, Walter Carletti Júnior, relata: “Essas vistorias são feitas em mais de 100 edificações e resultam em relatórios e registros fotográficos dando conta de seu estado de conservação e anomalias existentes”.

Contratadas pelo Metropolitano de Lisboa, as obras estão sob a responsabilidade de um Agrupamento Complementar de Empresas (ACE), do qual Carletti é Diretor Comercial. O ACE – uma empresa com características próprias e não um consórcio – é formado pela Bento Pedroso Construções S.A. – BPC, subsidiária da Odebrecht em Portugal (com 26,32% de participação), Somague Engenharia S.A. (26,32%), Mota-Engil Engenharia e Construções S.A. (23,68%) e Spie Batignolles Europe (23,68%).

Os trabalhos da fase 2 foram iniciados em julho de 2003 e devem ser finalizados em 51 meses a partir daquela data. Atualmente, 300 pessoas atuam no empreendimento, um terço das quais é contratado de forma direta pelo ACE e o restante, pelas subempreiteiras e prestadoras de serviços.

O ACE também responde contratualmente pelos desvios de tráfego e desvios de redes no subsolo, os quais são realizados antes do início da execução das estações. A implantação dos canteiros de obra em áreas tão densamente ocupadas também restringe a circulação de veículos e de pessoas, o que exige diálogo permanente com a população. As pessoas são informadas previamente sobre os problemas acarretados pelas obras através dos meios de comunicação mais eficazes, com total sintonia entre a Câmara Municipal de Lisboa e as empresas envolvidas no projeto.

Rede do metropolitano de Lisboa

O controle ambiental é outra preocupação constante, devido às características do empreendimento e ao rigor determinado pelo cliente. A ACE monitora periodicamente o nível de ruído, as vibrações, a qualidade do ar no interior dos túneis em execução e o grau de contaminação das terras escavadas. Para reduzir o impacto da obra no ambiente foi ainda necessário recorrer a barreiras acústicas, à implantação de tanques de decantação e ao uso de lava-rodas nos vários canteiros para que os caminhões não sujem as vias circundantes, entre outros cuidados.

As medidas de controle ambiental, entre outras, estão de acordo com as exigências dos contratos dos fundos de coesão da Comunidade Européia, que financiam mais de 85% do empreendimento.

Na obra, estão sendo usadas as mais modernas metodologias de construção e controle existentes. Nas escavações da maior parte (pouco mais de 1,5 km) dos 2,5 km de túneis do novo trecho da Linha Vermelha está sendo utilizado um shield com 9,80 m de diâmetro e cerca de 600 t de peso, que começou a operar em outubro de 2004. Em outras áreas, devido à existência de solos basálticos (mais resistentes), o método de perfuração escolhido foi o NATM (New Austrian Tunnelling Method), que no Brasil é mais conhecido como túnel mineiro, e usa fresas para realizar as escavações. Esse equipamento foi responsável pela execução de 980 m de galerias.

O regime do contrato entre a ACE e o Metropolitano de Lisboa é por preços unitários, no valor total inicial de 86,51 milhões de euros e compreende a execução das obras civis dos túneis e das estações. Outras empresas responderão pelos trabalhos de acabamento e instalação das linhas e dos sistemas de controle das composições.

O Metrô de Lisboa tem hoje 37 km de rede e 48 estações em operação. Transporta 176 milhões de passageiros/ano, o que representa 37% do total de passageiros do transporte coletivo da cidade.

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