nº 120 - Setembro/Outubro de 2005
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 Publicação interna da Organização Odebrecht – Odebrecht S.A, Construtora Norberto Odebrecht, Braskem e Fundação Odebrecht
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Aulas de vida e de obras
Técnicos e encarregados da Linha 2 do Metrô de São
Paulo têm oportunidade de aprender, ensinar e crescer
Profissionais experientes se reciclam
   
   
Eliana Simonetti ◦ texto
Luciana De Francesco ◦ fotos

Adão Francisco Dave é paranaense de Pinhão. Tem 50 anos de idade e 28 de trabalho na Odebrecht. Começou como auxiliar, passou a nivelador, depois se tornou topógrafo e hoje é encarregado geral de topografia das obras da Linha 2 do Metrô de São Paulo. Estudou e aprendeu muito, em cursos e, sobretudo, na prática, interagindo com seus líderes e colegas. Quando começou sua carreira, usava planilhas para registrar os dados que media com um equipamento rudimentar. Hoje tem uma máquina computadorizada, que detecta os acidentes naturais e artificiais do terreno e transmite as informações diretamente a um computador, e um programa produz os gráficos necessários para o trabalho da engenharia. Domina suas tarefas, mas voltou à sala de aula para aprender mais. “Estou conhecendo o que fazem as outras pessoas que estão na obra. Sempre estive muito envolvido com produção. Agora sei as origens das informações que recebo, a importância do controle de custos, e entendo o que fazem as pessoas que trabalham no canteiro.”

O Programa de Desenvolvimento de Técnicos e Encarregados, do qual Adão participa, está sendo desenvolvido no canteiro de obras da Construtora Norberto Odebrecht na Linha 2 do Metrô de São Paulo. Durante duas horas, três vezes por semana, no intervalo para o almoço, ele e outros 39 técnicos e encarregados participam de aulas sobre os mais diversos temas, ministradas por engenheiros e contadores, além de outros técnicos e encarregados, todos integrantes da equipe do contrato.

O programa é realizado no contexto do Rotas do Conhecimento, cujo principal objetivo é potencializar a prática da Tecnologia Empresarial Odebrecht (TEO) e a educação pelo trabalho e utilizar a educação para o trabalho, através de programas – como o de Técnicos e Encarregados – planejados e implementados a partir da mobilização, do comprometimento e do engajamento de líder e liderado.

“Temos priorizado o investimento na formação e no desenvolvimento dos nossos integrantes, e este programa vem atender à demanda no âmbito de técnicos e encarregados”, afirma Benedicto Júnior, Diretor-Superintendente da Área Sul da Construtora Norberto Odebrecht – CNO.

Os 40 inscritos no curso são divididos em duas turmas. Assistem a aulas teóricas e participam de trabalhos de grupo. Trocam experiências, conhecem colegas que sequer cumprimentavam no passado, por estarem muito envolvidos em suas atividades ou por serem de áreas muito distantes. Para Manfredo Mathias de Faria Filho, Encarregado de Manutenção que integra a Odebrecht há apenas cinco meses, essa é uma experiência gratificante. “Para trabalhar bem é preciso criar, trocar idéias. Isso faz toda a diferença do mundo.” Com 44 anos de idade e 28 anos de experiência como mecânico, Manfredo freqüentou muitos cursos. Nunca havia participado de aulas que lhe proporcionassem uma formação mais abrangente.

Raimundo Cruz, nascido em Portugal há 60 anos, 30 deles vivendo no Brasil, é chamado por todos de “tio”. Seu aparelho celular não pára de tocar. Ele recebe todo tipo de demandas na obra. Raimundo ingressou na CNO em 1988. É encarregado da manutenção das redes elétricas e hidráulicas na Linha 2. “Eu conhecia as pessoas e o meu trabalho. Agora, com esse programa, estou aprendendo de tudo, entendendo um pouco de todas as áreas.”

O programa vem sendo implantado sob a orientação institucional de Vera Gaspar, Responsável por Desenvolvimento de Pessoas na CNO. “Precisamos de pessoas que não sejam meras executoras de tarefas, mas pessoas de conhecimento, que estejam alinhadas com seus líderes, saibam traçar suas rotas e sejam capazes de se desenvolver para enfrentar os desafios atuais e os futuros.” O programa já foi implementado em Angola, em Portugal e no Peru. Em breve estará em outros ambientes no Brasil e no exterior.

“As pessoas estão mais motivadas, sentem-se valorizadas na empresa e planejam melhor o que fazem, porque entendem que de seus procedimentos dependem a produtividade e a rentabilidade da obra”, diz Fábio Gandolfo, Diretor do Contrato da Linha 2.

Mais próximo da turma, Celso Rodrigues, Gerente Operacional, um professor que explica com palavras simples as mais complexas operações para a construção de uma obra de engenharia, conta que o programa tem sido adaptado à demanda dos alunos. Muitos estão interessados em segurança do trabalho; outros no balanço que é feito no encerramento da obra. Esses temas foram incluídos nas aulas. “Pessoas que passavam despercebidas fazem perguntas perspicazes, surpreendentes, mostram curiosidade aguçada. As aulas, além de tudo, facilitam a identificação de talentos.”

Ivan Correa, Responsável por Administração e Finanças e Coodenador Operacional do programa na Linha 2, afirma: “É gratificante perceber o engajamento dos integrantes da equipe, atuando como educadores e educandos de maneira simultânea.”

Ciro Barbosa, Responsável por Administração, Planejamento e Finanças da Área Sul da CNO, observa: “O Rotas do Conhecimento pressupõe o desenvolvimento contínuo dos integrantes, transformando a equipe do contrato em fonte de geração e transmissão permanentes de conhecimento e assegurando a preparação das pessoas para os desafios do futuro”.

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