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Uma obsessão
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Índices obtidos no Projeto hidrelétrico San
Francisco e na Base Macaé refletem busca constante
da Odebrecht pela excelência na segurança do trabalho
Obras estão seis meses adiantadas |
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Cláudio Lovato Filho ◦ texto
Américo Vermelho ◦ fotos |
O Projeto Hidrelétrico San Francisco, no Equador, e a Base da Odebrecht em Macaé (RJ) chegaram, em junho, respectivamente às marcas de 5 milhões e 12 milhões de horas/homem trabalhadas sem acidentes com afastamento. Esses números – que resultam do cálculo de horas trabalhadas pelo efetivo da obra – correspondem, o primeiro, a um ano e meio com índice zero desse tipo de ocorrência; e o segundo, a três anos. São conquistas cuja explicação reside muito além da correta utilização do EPI (Equipamento de Proteção Individual).
“É preciso ser persistente para conscientizar as pessoas sobre a importância de seguir as orientações sobre segurança, e capacitá-las para isso”, afirma Orlando Santini, Responsável por Segurança no Trabalho em San Francisco, líder de uma equipe de 40 pessoas, entre engenheiros e técnicos de segurança, médicos e pessoal de apoio. “A conquista dos resultados depende, acima de tudo, de apoio gerencial, do envolvimento de todos e da atitude de cada um.”
Para o Diretor de Contrato José Conceição Santos, as ações de segurança devem estar presentes já na fase de orçamento da obra. “Não se pode improvisar com isso.” Ele diz que a maturidade da equipe e a forte integração das pessoas são fatores determinantes para o êxito do programa de segurança em San Francisco. A experiência de José Conceição em projetos de mineração ajudou muito. “Esta é uma obra perigosa. Cem por cento dos serviços são realizados no subsolo. Adotamos, por isso, conceitos de segurança utilizados em obras de mineração, nas quais o alto risco leva à mais absoluta rigidez e a cuidados especiais relacionados, por exemplo, a ventilação, escoramento e iluminação das frentes de serviço.”
Trabalham no projeto 1.360 pessoas. A maioria delas é originária da região e, na época da admissão, não tinha experiência anterior em grandes obras. A integração desses trabalhadores foi precedida de ampla capacitação. A segurança foi um ponto especialmente crítico nesse processo. Até julho de 2005, foram realizadas 1.500 ações de treinamento e capacitação e 1.040 inspeções de campo, veículos e equipamentos. Mais de 100 análises de risco, com treinamentos específicos, e 70 procedimentos foram elaborados e implementados.
Os TDTs, treinamentos diários de trabalho, são de extrema importância. Chamados de charla em espanhol, essas conversas de alguns minutos, realizadas antes do início de uma atividade e coordenadas pelos encarregados, servem para orientar, relembrar e fazer com que todos entrem no espírito da tarefa que têm pela frente.
Nain Galarza Bermeo, encarregado de Obras Civis, afirma que é preciso, acima de tudo, transmitir confiança. “Os trabalhadores têm de entender que está tudo preparado, que tudo foi pensado. O líder precisa inspirar confiança para ser seguido.” O Engenheiro de Segurança equatoriano Luís Joel Burgos Bernal, desde 1998 na Odebrecht, afirma que se deve ser “objetivo na comunicação e claro no enfoque”. Burgos foi operário por 16 anos até se formar em Engenharia Industrial, em 1980. “Procuramos identificar os riscos da tarefa, definir os procedimentos e então orientar. Depois, cobramos, com seriedade e respeito.” Compatriota de Burgos e também Engenheiro de Segurança, Victor Mosquéra salienta: “É importante demonstrar conhecimento e experiência, e abordar de forma respeitosa, com foco na capacitação”.
Para Eduardo Barbosa, Responsável Administrativo e Financeiro, um dos fatores que mais contribuíram para a chegada às 5 milhões de horas/homem trabalhadas sem acidentes com afastamento foi a sinergia entre as equipes dos diversos programas, obtida através de um sistema de comunicação eficaz.
Ele destaca o trabalho intenso dirigido aos encarregados, que estão na frente de serviço e são o elo com o efetivo. Através do encarregado, frisa Eduardo, os trabalhadores percebem a atenção dada a eles pela equipe gerencial, e dessa forma se motivam a adotar a atitude preventiva. “Com credibilidade e exemplo, vamos criando os fundamentos de segurança que devem permear todos os níveis da obra. Estamos conseguindo isso aqui em San Francisco.”
Segurança é valor também em Macaé
Os mesmos cuidados com a segurança podem ser percebidos no dia-a-dia da Base da Odebrecht em Macaé, que fornece apoio à Petrobras para serviços de montagem e manutenção de suas plataformas instaladas na Bacia de Campos, no litoral do Rio de Janeiro, de onde vem 80% da produção nacional de petróleo. A Base Macaé executa hoje três contratos, o maior dos quais é o Ativo Sul da Petrobras, formado por quatro plataformas e no qual a Odebrecht mantém cerca de 600 profissionais. Tanto para o pessoal que trabalha em terra, quanto para os trabalhadores embarcados, os procedimentos de segurança chegam ao ponto da obsessão.
“Buscamos de forma crescente o comprometimento de todos”, afirma Edney Coutinho, Responsável por Segurança no Trabalho na Base Macaé. As ferramentas para conseguir isso são, sobretudo, o treinamento e a informação, mas a equipe também põe em prática o Programa de Auditoria Comportamental e a Campanha Acidente Zero, oferecendo prêmios e bonificações por serviços realizados com produtividade e segurança.
Os cuidados com a segurança dos integrantes da Base Macaé começam no consultório do médico Nelson Salen, que coordena a realização de exames periódicos, programas de condicionamento físico, testes psicológicos (para verificar a capacidade de atuação em ambiente confinado, por exemplo) e campanhas informativas. A meta é o desembarque zero por motivo de doença. A gripe é a enfermidade que mais freqüentemente causa o retorno precoce para terra. O apoio à família do trabalhador embarcado é uma característica da atuação da área médica da Base Macaé. “O consultório está sempre de portas abertas para os familiares dos integrantes”, diz Nelson. “Eles ficam distantes de casa 15 dias a cada embarque. Se o trabalhador souber que sua família está sendo bem-assistida, ele fica tranqüilo e consegue manter o foco em suas atividades. Temos de ser proativos.”
O Técnico em Segurança no Trabalho Augusto César Raguzzoni sabe o quanto é importante ser proativo no setor offshore. “Temos de saber detalhes da saúde de cada pessoa: se está apta a trabalhar em ambiente confinado, se sofre de pressão alta ou tem outro tipo de problema.” Augusto passa grande parte de seu tempo embarcado. Mesmo em se tratando de plataformas da Petrobras, sempre que houver mais de 50 integrantes da Odebrecht trabalhando, a presença de técnicos de segurança da empresa, em sistema de revezamento, é obrigatória. “Nas plataformas, cada procedimento depende de PTs (permissões de trabalho), o que dá uma boa idéia do rigor com que a atuação se desenvolve.”
“Exemplos que precisam ser seguidos”
O Diretor de Contrato Miguel Gradin tem convicção de que conseguir resultados como as 12 milhões de horas/homem trabalhadas sem acidentes com afastamento depende de um conjunto de fatores, como sinergia e trabalho em conjunto com o cliente, competência e conscientização da equipe, educação, treinamento constante e presença da gerência e da supervisão nas frentes de serviço. “Antes de tudo isso, porém, é preciso acreditar que é possível”, ele enfatiza. “Para nós, a segurança é um valor, que se origina na real preocupação com cada um de nossos integrantes. Priorizamos a prevenção e empreendemos todos os esforços para que as pessoas possam focar e desenvolver bem o seu trabalho. Nesse contexto, nossa atuação com a família do trabalhador tem se revelado fundamental.”
A idéia de família, por sinal, permeia o ambiente da Base Macaé.
“Aqui os companheiros cobram uns dos outros o tempo todo o uso de equipamentos de segurança e a atitude de prevenção. Sabemos que o acidente pode acontecer a qualquer momento e, por isso, estamos sempre atentos, em relação a nós mesmos e aos demais”, afirma Valdecir Botelho, o Badeco, Encarregado de Caldeiraria. “Somos como uma família unida.”
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