nº 120 - Setembro/Outubro de 2005
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 Publicação interna da Organização Odebrecht – Odebrecht S.A, Construtora Norberto Odebrecht, Braskem e Fundação Odebrecht
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A conquista de um projeto de vida
Quase 80 mil venezuelanos serão beneficiados com
o projeto El Diluvio-Palmar. E muitos já desfrutam,
durante as obras, de novos horizontes
“Uma Venezuela com sazón Odebrecht”
   
   
Humberto Werneck ◦ texto
Holanda Cavalcanti ◦ fotos

O projeto El Diluvio-Palmar, o primeiro grande sistema de irrigação construído na Venezuela nas últimas três décadas, levará água a centenas de pequenas propriedades rurais, criando condições para que venha a deslanchar a atividade agroindustrial na região de Maracaibo (na porção ocidental do território venezuelano), até hoje praticamente limitada à pecuária de pequeno e médio portes.

Cerca de 77 mil pessoas serão direta ou indiretamente beneficiadas com trabalho e vida melhor, e já não estarão condenadas a emigrar – o que resolverá outra grave questão, ao favorecer a ocupação racional de uma área problemática da fronteira venezuelana, atualmente exposta à ação de guerrilheiros e traficantes de drogas provenientes da Colômbia.

“O que estamos realizando aqui é bem mais do que uma obra de engenharia”, revela Ivan Joventino, da Odebrecht, Diretor de Contrato no projeto El Diluvio-Palmar. “É algo a que se agregou muito valor humano.”

Assinado no começo da década com o Instituto Nacional de Desenvolvimento Rural (Inder), órgão do Governo da Venezuela, o primeiro contrato previa apenas a construção de uma adutora e um canal, com extensão total de 48 km. Cinco anos mais tarde, a Odebrecht foi convidada para ampliar o alcance – físico e, sobretudo, social – da obra, acrescentando ramificações secundárias e terciárias ao projeto. Iniciada em novembro de 2003, a obra tem previsão para estar concluída em julho de 2007.

“Existe entre o Inder e a Odebrecht uma relação de aprendizagem mútua”, salienta a Engenheira Civil Tibisay León, Presidenta do Inder. “Estabelecemos um diálogo que abrange muito mais do que o aspecto tecnológico.” Ela acrescenta:

“Temos superado conjuntamente os obstáculos que se apresentam no empreendimento. Estamos realizando um trabalho coordenado, coeso, com espírito de equipe”. Tibisay León destaca a abertura de novos postos de trabalho na região e a valorização da cultura indígena como benefícios gerados pela obra.

A Engenheira Agrônoma Dulce Hermoso, do Inder, Coordenadora da Unidade de Gestão do Projeto El-Diluvio-Palmar, afirma: “O aporte da Odebrecht tem sido não apenas técnico, mas também humano e social”. Essas percepções gratificam José Cláudio Daltro, Responsável Administrativo e Financeiro da Odebrecht na Venezuela, que vê reconhecido “o esforço pautado pela responsabilidade social”.

Trabalho em zona de risco

Quase 30 empresas subcontratadas participam da construção da adutora e do canal. Coordenadas pela Odebrecht, elas vão trazer água da Represa El Diluvio, ainda não concluída, formada pelos rios Palmar e Lajas, a pequeníssima distância da Serra de Perijá, que divide a Venezuela da Colômbia. Nos primeiros 9 km, a água viajará através de tubos de aço; em seguida, a céu aberto, nos 38,3 km de um canal de perfil trapezoidal, revestido com geomembrana de polietileno.

Os tubos, com 9 m de comprimento, têm diferentes diâmetros – 3,20 m, 3 m e 2,80 m –, solução encontrada para facilitar o transporte marítimo entre Recife e Maracaibo, já que podem ser acondicionados uns dentro dos outros, de três em três. A água que passará por eles permitirá irrigar 20 mil ha, dos quais 10 mil ha numa primeira fase. O índice pluviométrico na planície de Maracaibo é de 1.000 mm anuais, mas não são boas as condições de acumulação de água, inclusive porque a temperatura média na
região é de 33º C.

As principais ações sociais da Odebrecht na região do projeto

O maior desafio do projeto, porém, não é técnico, mas social, já que está sendo tocado numa zona cheia de riscos. Acossados pelo Exército de seu país, ou em busca de suprimentos, guerrilheiros do país vizinho se infiltram sem maior cerimônia em território venezuelano. São freqüentes, ali, os seqüestros de pecuaristas, realizados como forma de levantar fundos para a guerrilha. De janeiro ao começo de agosto deste ano, nada menos de 13 ações desse tipo foram registradas na região. Fazendeiros tratam de comprar sua própria segurança. Mourões de cerca com marcas de tinta sinalizam as fincas vacunadas – literalmente, fazendas vacinadas, assim chamadas porque seus donos optaram por pagar para não serem levados pelos bandidos.

Na área estrita em que vem sendo construído o Projeto El Diluvio, o panorama é menos assustador, graças a um dispositivo de segurança de que participam o Exército venezuelano, a Guarda Nacional (equivalente, no Brasil, à Polícia Federal) e uma empresa privada, a Oriandes. Nas faixas de terra que vão sendo abertas para construção do canal já não pousam aviõezinhos suspeitos. “Há dois anos não se registram incidentes por aqui”, informa o Major do Exército Benjamín Santana Morales, um dos responsáveis pelo sistema de proteção.

A tranqüilidade das pessoas que tocam as obras é garantida, também, por um esquema alternativo de segurança, informal porém eficientíssimo – o chamado anillo invisible de seguridad, constituído por moradores da região. Por iniciativa própria, e sem qualquer remuneração, a população local teceu uma rede de informação permanentemente alerta para detectar e denunciar movimentos anormais na área. “Se não cuidamos de quem nos está ajudando, como vai ser?”, justifica o lavrador Julio González, líder dos 1.200 habitantes de Los Jagüeyes, um dos quatro assentamentos indígenas existentes na região.

“Somos beneficiários desta obra, temos de cuidar dela”, reforça a irmã de Julio, Maritza González, que lidera os 1.540 integrantes de outra comunidade, El Laberinto. Alguns dos benefícios a que ela se refere chegaram bem antes do canal. E estão no centro das preocupações do Engenheiro Civil peruano Julio Robles, da Odebrecht, Gerente de Desenvolvimento de Projeto: “Temos de realizar ações que permitam ao projeto ganhar raízes”, diz Robles, certo de que de nada adiantaria construir um canal que, dissociado de uma função social, acabasse reduzido a uma cicatriz na planície de Maracaibo.

É nesse sentido que se vem batalhando. A água ainda vem de longe, em caminhões-pipa (muitas vezes, por intercessão da Odebrecht), mas o panorama está mudando. “A Odebrecht é a primeira empresa que nos leva em conta”, credita Maritza, que dá um exemplo: ao contrário do que aconteceu em outras ocasiões, o pessoal que constrói El Diluvio é recrutado ali mesmo, e não trazido de fora. Com isso, abriu-se para os camponeses (60% dos quais com sangue índio, como Julio González) a perspectiva de formação e qualificação profissional, imediatamente traduzida em melhoria salarial. Para que se tenha uma idéia: enquanto um peão de fazenda ganha 40 mil bolívares (cerca de R$ 40) por semana, o salário básico diário de um operário das obras de El Diluvio-Palmar é de 19.641,25 bolívares. Já um operador de máquina – como o ex-peão Julio Cesar Cuadrado, marido de Maritza – não ganha menos de 23.950 bolíva-res por dia.

Entre as mulheres, muitas encontraram trabalho doméstico – mercado que não existia – na residência de técnicos vindos de fora para construir o canal. Ou emprego formal no acampamento da Odebrecht. Outras descobriram freguesia para os doces que poderiam fazer em casa. Segundo constatou Yarizza González, até mesmo algumas maleteras – mulheres que perambulam pela região, munidas de esteiras de praia, para vender seu corpo – já mudaram de ramo.

“A qualidade de vida por aqui melhorou em mais de 50%”, avalia Julio González. E ele não está falando só de oportunidades de trabalho. As máquinas ainda nem haviam chegado e no Natal de 2001 as crianças do lugar puderam ter, pela primeira vez, o seu Papai Noel (para elas, San Nicolás), que desde então passa por ali, a cada dezembro, semeando alegria com presentes da Odebrecht. É mais uma comprovação do que diz, em Caracas, Euzenando Azevedo, Diretor-Superintendente da Odebrecht na Venezuela, com a experiência de quem vive no país desde 1994: “Nosso modo de vida agrada ao venezuelano, e isso afasta qualquer possibilidade de rejeição”.

O modo de vida de que fala Euzenando reflete uma disposição inabalável da empresa: “A Odebrecht se sente comprometida não só com a realização de obras, mas também com o país”, ele enfatiza – e deixa claro: “Estamos aqui para trabalhar com e para os venezuelanos, viemos com uma visão de permanência, para ficar”.

Graças a esse empenho, a meninada que vive na planície de Maracaibo já não abandona as salas de aula como antigamente, pois as escolas, por iniciativa da Odebrecht, tornaram-se mais acolhedoras. Na Unidad Educativa El Laberinto havia apenas um banheiro; agora há oito, e a diretora ganhou um gabinete.

Melhorias dessa natureza, e não apenas na escola, acabaram por gerar saudável ciumeira na Prefeitura do município de Jesús Enrique Losada, a princípio de pé – atrás com os forasteiros. A natural desconfiança que havia no começo dissolveu-se por completo, substituída por um clima de cooperação. A Odebrecht bancou pintura nova para a escola? Mais que depressa, o Prefeito Mario Urdaneta manda construir um ambulatório. Acabou-se a tinta? Ele providencia – e ganha impulso, assim, uma benfazeja competição em que todos saem ganhando. “Na vida é preciso ser como um sino”, diz Yarizza González em seu linguajar poético – e explica: “Tem de haver um ir e vir, um dar e receber. Aqui em El Diluvio-Palmar, somos o campanário dessa igreja que se está formando”.

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