nº 120 - Setembro/Outubro de 2005
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 Publicação interna da Organização Odebrecht – Odebrecht S.A, Construtora Norberto Odebrecht, Braskem e Fundação Odebrecht
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O princípio da Confiança
José Marcos Treiger, da Braskem, conta como é o trabalho
de um responsável por Relações com Investidores
   
   
João U. G. Sant’Anna ◦ texto
Luciana De Francesco ◦ foto

Eles trabalham na última fronteira do capitalismo, o marketing financeiro. Ocupam-se da avaliação econômica de uma sociedade de proprietários cada vez mais ampla, formada por gente que investe durante toda a vida para poder desfrutar de uma boa aposentadoria e por instituições que investem fortunas diariamente para garantir solidez e crescimento. Lidam com informações que podem ser expressas em modelos matemáticos e com algo tão delicado como credibilidade, confiança e reputação.

Para eles, o mundo se divide entre o lado que vende, o sell-side (bancos, corretoras, analistas de investimentos), e o lado que compra, o buy-side (os investidores institucionais – grandes administradores de recursos de terceiros, como recursos para grandes fundos de investimento, de previdência e aposentadoria e de seguradoras, além dos investidores individuais). Eles são profissionais que multiplicam o valor das companhias de capital aberto, desenvolvem os mercados e influenciam o movimento de trilhões de dólares. Sua profissão: responsáveis por relações com investidores ou, simplesmente, RI.

“É uma atividade estratégica destinada a estreitar o relacionamento entre a companhia aberta, aquela que tem suas ações negociadas no mercado, e os investidores”, explica José Marcos Treiger, Responsável por RI na Braskem. “Combina atividades de comunicação corporativa, finanças e marketing, e fornece ao mercado informações relevantes e precisas sobre o desempenho da empresa. Entre outras coisas, permite à companhia participar mais do processo de formação de preços de suas próprias ações, além de preservar e aprimorar sua credibilidade.” Conduzido com eficiência, diz Treiger, o trabalho de RI pode, a longo prazo, elevar o valor de mercado da companhia, enquanto reduz seu custo de capital.

O responsável por RI é o intermediário na comunicação entre a empresa e o mercado em geral.

”Essa comunicação é importante e tem crescido muito devido à disputa global por investidores e capitais, agora com a presença da China, da Índia, de outras economias florescentes e do próprio Brasil”, esclarece Treiger, que acompanhou de perto a evolução do mercado brasileiro, primeiro na Aracruz Celulose, depois na Companhia Siderúrgica Nacional – CSN privatizada e, desde outubro de 2002, na Braskem.

Treiger lidera a equipe de RI da Braskem, formada por Luiz Henrique Valverde, há 10 anos na Organização, e Luciana Ferreira, recentemente integrada após uma produtiva etapa profissional na CSN. Uma ala de jovens profissionais – Vivian Moreira de Lima, Alexandre Beltrão, João Paulo Lopes e Rodrigo Maia – completa o time, ao lado da assistente de direção Danielle Duarte Figueiredo. Juntos, eles têm contribuído para que as ações da Braskem estejam entre as mais valorizadas no últimos três anos, no Brasil e no exterior.

Até recentemente, no Brasil, a atividade era denominada de Relações com o Mercado. Existia mais para que fosse cumprida uma exigência legal, e, em geral, o diretor financeiro acumulava a função. O grande divisor de águas, lembra Treiger, ocorreu quando a Aracruz fez a primeira listagem de ações brasileiras na Bolsa de Valores de Nova York através de ADRs (American Depositary Receipts), em 1992, e abriu o caminho. De lá para cá, o Brasil passou a ocupar o terceiro lugar no mundo entre os países com o maior número de companhias listadas na Bolsa de Nova York, fora os Estados Unidos. O primeiro lugar é do Reino Unido; o segundo, do Canadá. O Brasil tem 35 grandes empresas listadas.

“Quando alguém se expõe a um mercado sofisticado – e o mercado brasileiro não era tão sofisticado quanto é hoje –, passa a transitar em uma grande avenida de mão dupla: o mercado cede recursos, mas quer informações relevantes para sua tomada de decisão de investimento, corretas, transparentes, sem favorecimento, a tempo e a hora”, observa Treiger. “Toda vez que alguma coisa importante acontecer na empresa, ou seja, algo com potencial de impactar o valor das ações, para cima ou para baixo, o mercado quer saber disso para reavaliar sua decisão anterior de compra ou de venda daquele papel.”

Os principais interlocutores do responsável por RI são os analistas financeiros, mas também é preciso manter um canal de comunicação com todos os interessados no negócio – o que inclui integrantes da empresa, clientes, fornecedores e a comunidade.

“O trabalho de RI está intimamente ligado a credibilidade e reputação”, diz Treiger. “Quem faz isso não pode perder a credibilidade no mercado porque é quase impossível recuperá-la. Se alguém der uma informação incompleta ou falsa, e que faz milhares, às vezes milhões de pessoas investirem no seu papel, e amanhã voltar e disser que não é bem isso, há uma enorme reação negativa, é um deus-nos-acuda. Ao mesmo tempo, existe a necessidade de desenvolver uma cultura na empresa de que um certo nível de informação estratégica tem de seu aberta. É preciso estabelecer qual o nível ótimo do seu planejamento estratégico que pode ser divulgado para que o mercado possa conhecer a tempo os futuros investimentos e antecipar os resultados da companhia, lembrando sempre que o mercado não gosta de surpresas. Com isso, em relação à nossa imagem no mercado de capitais, começamos a nos diferenciar das demais empresas de capital aberto, nossas competidoras”.

Se a empresa cria a fama de que é fechada e não dá informação, os analistas e investidores penalizam o valor de seus títulos ou perdem o interesse pelos seus papéis, diz Treiger. “Outro aspecto é a informação comercial. Existem certas informações comerciais que, numa empresa fechada, familiar, serão segredo. Numa empresa pública, nem tanto. É necessário permitir alguma divulgação de como está sendo o desempenho comercial, da empresa, para os analistas poderem adaptar seus modelos matemáticos e prever sua performance futura.”

Após a recente divulgação dos resultados da Braskem no segundo semestre de 2005 e acumulados no primeiro semestre do ano, a equipe de RI já estava envolvida nos preparativos finais para o Braskem Day na Bolsa de Nova York. O dia 6 de setembro foi todo dedicado à empresa, que aproveitou a oportunidade para celebrar seu terceiro aniversário. Durante o encontro, o Líder Empresarial José Carlos Grubisich fez uma apresentação aos analistas de mercado norte-americanos sobre o desempenho recente da Braskem e sobre seus planos de crescimento no Board Room da mais importante bolsa de valores do mundo. No fim do dia, Grubisich foi convidado a fazer soar o famoso sino da Bolsa de Nova York, na cerimônia de encerramento do pregão, com imagens transmitidas por TV e Internet para todo o mundo.

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