|
|
|

|
Inclusão social e foco na qualidade
|
Congresso anuncia novos temas do Responsible
Care, 13 anos depois do lançamento da
primeira versão brasileira do programa
Os princípios globais do Responsible Care |
|
|
Miucha Andrade ◦ texto
Holanda Cavalcanti ◦ foto |
Atuação Responsável, desde a década de 80, é um princípio e uma prática de gestão nas empresas petroquímicas do mundo. No Brasil, chegou em 1992, por meio da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim). O programa, criado no Canadá pela Canadian Chemical Producers Association (CCPA), está presente em 52 países e é o primeiro a traçar diretrizes em saúde, segurança e meio ambiente. É conhecido internacionalmente como Responsible Care. Treze anos depois da primeira versão brasileira do Atuação Responsável, o programa passa por uma revisão que o leva a abranger temas como inclusão social e o foco na qualidade dos produtos e processos.
Jorge Soto, Gerente Corporativo de Saúde, Segurança e Meio Ambiente da Braskem e coordenador da comissão técnica de Atuação Responsável da Abiquim, apresentou os princípios diretivos, as novas práticas gerenciais, os níveis de implantação e o modelo de gestão do novo Atuação Responsável no 9º Congresso de Atuação Responsável, realizado no dias 27 e 28 de julho, em São Paulo.
Um dos estímulos para a mudança foi a busca de coerência com os sistemas de verificação existentes na indústria química, como o ISO 9000, o ISO 14000 e o Prêmio Nacional de Qualidade. “Buscamos uma interação dessas verificações”, afirma Soto. Outro estímulo foi o incentivo às empresas para evoluírem mais em saúde, segurança e meio ambiente. “Criamos mais dois níveis de avaliação para aquelas empresas que já tinham atingido nível de melhoria contínua”, explica.
De acordo com Soto, nos últimos anos a sociedade foi motivada por outros assuntos além da saúde, segurança e meio ambiente, como responsabilidade social, desenvolvimento sustentável e qualidade. “Incorporamos esses temas no programa de Atuação Responsável”, afirma.
A revisão do programa é também uma resposta à sociedade sobre os usos e efeitos dos produtos químicos. “O Atuação Responsável estava voltado sobretudo para as instalações industriais, mas agora se preocupa também com os riscos do uso dos produtos em todo seu ciclo de vida. Isso é novidade na indústria química e é um fenômeno mundial”, explica Marcelo Kós, Gerente de Assuntos Técnicos da Abiquim.
O Congresso contou com a participação de 460 pessoas do setor. Os profissionais da área debateram, entre outros temas, a gestão internacional de produtos químicos, a proteção ambiental e a atuação do Ministério da Saúde.
José Maria Bach, coordenador do Grupo de Lideranças do Responsible Care do Conselho Internacional das Associações da Indústria Química (ICCA), apresentou, pela primeira vez no mundo, a Carta de Responsible Care. O documento reúne nove princípios a serem seguidos pela indústria química.
A Abiquim divulgou no congresso a última edição do Relatório de Atuação Responsável. Os dados cobrem o período de 2001 a 2004 e mostram a evolução positiva do desempenho da indústria química. Soto confirma: “Houve melhora sistemática em todos os anos”. A queda do número de acidentes de trabalho, a redução em 27% do volume de efluentes e a gradual substituição de combustíveis não-renováveis por renováveis são alguns exemplos da melhora da indústria química em saúde, segurança e meio ambiente.
A emissão de dióxido de carbono (CO2), um dos principais causadores do efeito estufa, foi reduzida pelo terceiro ano consecutivo. Em 2004, a indústria emitiu 354 kg por tonelada de produto químico e, em 2001, foram 384 kg/t. O volume de água consumida pela indústria caiu de 10,65 m3 por tonelada, em 2001, para 7,7 m3/t, em 2004. A conscientização dos profissionais envolvidos nos processos de produção foi essencial para o sucesso do programa.
Hélcio Colodete, Responsável pela área de Energia e Serviços Essenciais da Braskem, apresentou no congresso os resultados das medidas implantadas na empresa para a redução do consumo de recursos hídricos. “Nossa meta é, em quatro anos, não ter efluentes líquidos, pelo menos na central termelétrica”, esclarece. Hélcio afirmou que os recursos hídricos, assim como os energéticos, são prioridades no planejamento estratégico da Braskem. “Todas as unidades de negócio da empresa têm iniciativas dessa natureza.”
O programa Atuação Responsável é um referencial para a indústria química brasileira. “Vamos incluir estas referências nas nossas práticas para reforçar nossa gestão baseada na Tecnologia Empresarial Odebrecht (TEO)”, diz Soto.
Cada empresa associada à Abiquim definirá os próximos passos. Na Braskem, a implementação do novo Atuação Responsável acontecerá a partir de 2006. “Minha maior satisfação é contribuir para os destinos desse programa tão importante para o setor. A Braskem está dentro do processo e, portanto, o conhecimento é absorvido naturalmente”, afirma Soto.
|