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A preparação de uma obra inédita
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Odebrecht constrói na Bahia a primeira plataforma de
rebombeio autônomo da Petrobras. E contribui para mudar
a vida da pequena comunidade de São Roque do Paraguaçu
Para 650 mil barris/dia |
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Luciano Martins ◦ texto
Luciano Andrade ◦ foto |
O antigo canteiro de obras da Petrobras no distrito de São Roque do Paraguaçu, ao sul da Baía de Todos os Santos, renasceu em maio do ano passado, quase duas décadas depois de ter sido desativado, com um projeto inédito no Brasil: a construção da PRA-1, a primeira plataforma de rebombeio autônoma da Petrobras. A obra é a primeira a ser realizada no país em regime EPCI (do inglês Engineering, Procurement, Construction and Installation – Engenharia, Suprimento, Construção e Instalação), o que permite o desenvolvimento no Brasil de uma série de novas tecnologias associadas à construção offshore.
A Petrobras forneceu, no início dos trabalhos, o projeto básico. A Odebrecht, em consórcio com a Ultratec, é responsável pelo detalhamento do projeto, pelo fornecimento de todos os equipamentos e materiais e pela construção dos módulos da plataforma (e seu embarque e instalação no litoral do Rio de Janeiro). O Diretor de Contrato Fernando Barbosa, um entusiasta da engenharia como ferramenta para um projeto bem-sucedido e do planejamento, explica: “Temos de definir as características dos equipamentos e dos materiais, fazer com que cheguem no tempo certo ao local das obras, montar módulos imensos, em quatro níveis, todos equipados com os sistemas elétricos e hidráulicos, bombas, válvulas, tudo em tamanho incomum, com o menor risco possível de erro”.
O líder do projeto criou uma força-tarefa que integra as áreas de engenharia, planejamento e suprimento, dando à sua equipe a missão não apenas de produzir os documentos necessários à execução da obra, mas também de definir as necessidades de cada etapa e providenciar para que toda necessidade seja suprida em tempo ideal. “Temos fornecedores em várias partes do mundo, responsáveis pela produção e entrega de uma imensa variedade de itens e equipamentos, muitos deles criados especialmente para esta obra”, ressalta Fernando Barbosa.
São mais de 80 pacotes de compras, com milhares de itens, que devem chegar ao canteiro de obras no tempo certo para não afetar o cronograma e o fluxo de caixa. “Temos de pensar sempre no resultado, mas tudo isso deve se completar com o absoluto respeito ao meio ambiente e a garantia de saúde, segurança e qualidade de vida das equipes e da comunidade”, acrescenta Fernando.
O trabalho começou no dia 28 de maio de 2004. O escritório de engenharia, planejamento, suprimento e gerenciamento foi instalado em São Paulo – ajudando a criar um novo pólo de especialização em construção offshore, até então concentrado no Rio de Janeiro. Os profissionais e parceiros no canteiro de obras foram recrutados nas duas empresas consorciadas, com ênfase na Bahia, de modo a investir no desenvolvimento da comunidade local.
Jorge Luiz Mitidieri, Responsável Técnico do projeto (Engenharia e Planejamento), salienta que a integração das áreas de engenharia, suprimento, planejamento e administração contratual na mesma sede tem dado a toda a equipe uma visão geral do projeto. “Estamos a mais de 75% dos trabalhos de engenharia e vamos manter o compromisso de fechar essa etapa até o fim do ano.”
Na sede paulista do projeto está presente uma equipe da Petrobras com cerca de 30 profissionais, coordenados pela engenheira Cristina Alves. O projeto global de engenharia, coordenado pelo engenheiro Juan Carlos Ribeiro e por sua equipe, tomará 19 meses, com o envolvimento de até 100 pessoas. Ao término, terão sido produzidos 1.800 documentos de projetos e 6 mil documentos de fornecedores.
Desde o início, como era desejo da Petrobras, o projeto tem sido desenvolvido em 3D, com o uso do programa PDS, que permite visualizar o planejado e o realizado em todas as etapas. O programa gera imagens tridimensionais em todas as disciplinas, como estrutura metálica, tubulação, elétrica, instrumentação, ar condicionado, arquitetura e equipamentos.
A complexa operação de suprimentos
Fazer chegar cada peça, instrumento ou equipamento ao local da obra, no momento certo, é um dos grandes desafios do projeto PRA-1. Laszlo Paal, Responsável por Suprimento, explica que, após a fase prospectiva, os engenheiros fazem as requisições de compra, com as especificações técnicas. “A área de Suprimento procura, então, informações avançadas sobre a disponibilidade dos itens no mercado, para elaborar a lista de fornecedores e o plano de compra.”
Descrito assim, o processo pode até parecer simples. Para cada item, entretanto, é preciso haver pelo menos três fornecedores, com exceção dos casos de extrema especialização. Além disso, em cada caso é preciso confirmar as condições reais de fabricação, que envolvem não apenas a qualidade específica dos materiais mas também o respeito a normas ambientais e sociais da produção, e considerar aspectos como documentos de importação e oscilações no mercado internacional de aço.
As etapas da compra incluem a apresentação de documentos técnicos de cada fornecedor, com a aprovação dos detalhes especificados pela engenharia, antes de autorizada a fabricação; depois de pronto, o equipamento passa por inspeção e testes, que podem exigir a presença de representantes da Petrobras, até a liberação para transporte, que só acontecerá depois da inspeção das embalagens. O ciclo só termina com a entrega na obra ou, quando a montagem exige, com a assistência técnica do fornecedor.
De onde vêm as peças
Esse processo se repete para 50 tipos de equipamento de grande porte, que se desdobram em 500 unidades, e para mais de 150 itens de materiais como tubulações, material elétrico, de instrumentação e telecomunicações, que se multiplicam em mais de 5 mil peças. “E em cada caso é preciso garantir a qualidade, segurança e defesa do meio ambiente”, reforça Laszlo Paal. “O planejamento é o princípio básico para que tudo ande bem.”
Projeto PRA-1
Todas as variáveis sob controle
Ivan Carvalho, Responsável por Administração Contratual, cuida de quatro gerências que tratam de zelar pelo escopo da obra, para que o que foi contratado seja executado. “Em projetos como este, de construção em alto-mar, geralmente aparecem intercorrências imprevisíveis, sobretudo em se tratando de uma obra inédita como esta plataforma de rebombeio”, comenta.
Por exemplo: em todo o mundo, existem apenas duas empresas que possuem a balsa-guindaste capaz de elevar os módulos que estão sendo construídos em São Roque do Paraguaçu. O custo de operação de cada uma delas chega a US$ 500 mil por dia e a data de instalação tem de ser determinada com muita antecedência.
O trabalho de René Mário Moynier e sua equipe é planejar e colocar sob controle todas as variáveis que podem ser tratadas com antecedência, para reduzir ao mínimo as possibilidades de mudanças ao longo da obra. Para ele, todo o trabalho de planejamento tem de ser integrado com as outras gerências. “Nem todos aceitam logo de início um controle tão pleno, e tivemos de cuidar para que a aculturação fosse feita de uma forma respeitosa, mas efetiva”, diz René. Sem o comprometimento de todos, teria sido impossível fazer a documentação dos detalhes completos do projeto, passo a passo. “Registrar as práticas é essencial para a geração e o compartilhamento do conhecimento”, ele observa.
Sintonia com base no respeito
René tem um gosto especial pelo ensino, e faz questão de ter sempre um profissional mais experiente ao lado dos iniciantes. “O sistema integrado de planejamento era um sonho que eu tinha desde o começo da carreira. Agora que isso é possível, faço questão de que a rapaziada mais jovem tenha a oportunidade de aprender.”
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