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Parar para crescer, um
momento necessário
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A parada para manutenção em unidades petroquímicas
do Pólo de Camaçari exigiu uma complexa operação
realizada pela aliança entre a Braskem e a CNO |
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João U.G. Sant’Anna ◦ texto
Luciano Andrade ◦ fotos
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São 7 horas da manhã e cerca de 50 pessoas se reúnem em torno do palanque improvisado em meio ao labirinto de equipamentos da Unidade de Butadieno da Braskem no Pólo Petroquímico de Camaçari (BA). Macacão, capacete e óculos tornam difícil reconhecer as fisionomias. Só se distinguem os uniformes azuis da Braskem, os marrons da Construtora Norberto Odebrecht e as máscaras presas na cintura, como coldres, equipamento de segurança sem o qual ninguém se movimenta nas instalações. Essas pessoas fazem parte das equipes da Aliança. São homens e mulheres que comemoram a retomada da produção depois de 28 dias de parada industrial para manutenção e novos investimentos, uma operação complexa e delicada, realizada com absoluto sucesso. No café da manhã reforçado, servido logo depois na sala de operações, é evidente a satisfação e o clima de integração, no qual despontam a camaradagem, o respeito profissional e o espírito de cooperação.
“Isso é uma demonstração prática do conceito de Contrato de Aliança”, afirma o engenheiro eletricista Saulo Vinicius Silveira, 47 anos, 25 de Odebrecht, Diretor do Contrato. “Paradas são rotina, mas, pela primeira vez, utilizamos aqui esse tipo de contrato, com planejamento e equipes integrados, definição conjunta dos custos e estabelecimento da taxa de remuneração. Há um custo/meta e uma data/meta. O cumprimento significa bônus; o não-cumprimento, penalidade.”
O contrato foi assinado no fim de 2004, depois de uma seleção feita pela Braskem entre empresas de grande porte, na qual pesou a experiência da CNO em serviços sob o mesmo tipo de contrato desenvolvidos no Rio Grande do Sul, no fim dos anos 90, para a OPP Petroquímica e a Companhia Petroquímica do Sul – Copesul, central de matérias-primas do Pólo Petroquímico de Triunfo.
O primeiro negócio dentro do contrato de aliança, explica Saulo Vinicius, foi a ampliação da capacidade de produção da Unidade de PVC de Marechal Deodoro (AL), de 190 mil t/ano para 240 mil t/ano. Iniciada em março do ano passado, será concluída até o fim de 2005. Envolve um efetivo em torno de 850 pessoas, e está sendo tocada dentro dos prazos, da qualidade e dos custos orçados. Completou, no fim de agosto, 1 milhão de horas/homem trabalhadas sem acidentes com afastamento, em 15 meses.
O segundo negócio desenvolvido pelas equipes da Aliança foram as paradas na Unidade Aromáticos e de Butadieno no Pólo Petroquímico de Camaçari, com um intervalo de pouco mais de 10 dias entre uma e outra. A primeira envolveu cerca de 2.300 pessoas, a segunda, 900. Em ambas, foram destaques o foco, muito forte, em segurança e uma partida vertical – quando a unidade é devolvida à operação sem qualquer problema para a retomada da produção. Nas duas paradas, os prazos foram antecipados: em 16 horas na Unidade de Aromáticos e em 48 horas na de Butadieno.
O engenheiro químico Walter Schimmelpfeng, Responsável pela Planta de Aromáticos da Braskem em Camaçari, 53 anos de idade e quase 20 na área Petroquímica da Odebrecht, explica que o contrato de aliança une a experiência da CNO no campo de montagem industrial e construção com a experiência da Braskem, que conhece a parte petroquímica e tem uma inteligência de manutenção importante. “A união dessas duas competências forma uma sinergia que ficou evidente nas duas paradas, fazendo com que essas intervenções de manutenção fossem realizadas com um nível diferenciado em termos de qualidade, saúde, segurança e meio ambiente.”
Walter compara a parada e a entrega das instalações das unidades às equipes da Aliança com a realização de uma cirurgia delicada. “É como se seu filho estivesse na sala cirúrgica, com suas atividades vitais suspensas, sem o sangue correndo nas veias, apenas uma leve respiração.” Além da manutenção periódica, a “cirurgia” envolveu um grande trabalho de implementação de projetos de melhoria, alguns dos quais fazem parte do programa Braskem +, voltado para a otimização de processos e o aumento da produtividade em todas as áreas da empresa. O resultado foi um sucesso, com o “filho” de volta, renovado, mais saudável, preparado para novos desafios. “A expectativa, para quando as melhorias e os projetos estiverem completamente concluídos, é de uma significativa elevação da eficiência energética, com uma economia estimada de US$ 5 milhões por ano”, afirma Walter. Ele salienta que um dos fatores do êxito nas duas paradas foi o compromisso entre as partes e o espírito de servir.
Luís Mário Cunha, engenheiro mecânico de 44 anos, Gerente de Engenharia de Manutenção e Confiabilidade da Braskem, acredita que a sustentação da Aliança está baseada na agregação de valor à Braskem como cliente final. “Nós queremos atingir a excelência em manutenção em Camaçari até 2008 e a Aliança tem um papel fundamental nisso, como promotora das transformações nos nossos processos, das melhorias de produtividade e da qualificação de pessoal”, ressalta.
Segundo Luís Mário, houve uma atuação muito forte voltada para a integração. “Percebemos que este ia ser o diferencial: integrar, efetivamente, todas as áreas e equipes envolvidas na parada. Sem esta integração, não teríamos chegado lá. Tiramos pessoas da operação para fazer parte do planejamento; pessoas de suprimento passaram praticamente todo o tempo dando suporte; e, paralelamente, entramos com um projeto de perda zero em termos de acidentes.” Foi criado um programa batizado de Perda Zero em Paradas, que ainda está em curso. Resultado: a primeira etapa foi concluída com índice zero de acidentes; e a segunda, também.
Um outro pilar foi o programa desenvolvido com supervisores e encarregados de todas as empresas parceiras. “Isso foi trazido pela CNO, fugiu ao tradicional. Atuamos de maneira muito forte no aspecto comportamental, o que fez uma diferença enorme e trouxe benefícios de segurança: pessoas altamente motivadas, integradas, conscientes de que, antes de tudo, havia um desafio a ser superado. Foi um trabalho harmônico. Com essas duas paradas, viramos uma página dentro da Braskem em relação a paradas de manutenção.”
Antenor de Castro, 50 anos, engenheiro mecânico que está há 28 anos na Odebrecht, Responsável pelo canteiro da CNO em Camaçari, observa: “Conseguimos, na primeira parada, atender a todos os parâmetros: qualidade, custo, segurança e prazo. Construímos um novo paradigma, uma nova referência. Na segunda parada, confirmamos e melhoramos o desempenho”. Antenor argumenta que a Braskem precisa, para atingir seus patamares de excelência e se tornar, em 2010, uma das 10 maiores petroquímicas do mundo, de parceiros de primeira linha, como a CNO. “Estamos construindo, em conjunto, a confiança, um dos fundamentos do Contrato de Aliança.”
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