nº 121 - Novembro/Dezembro de 2005
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 Publicação interna da Organização Odebrecht – Odebrecht S.A, Construtora Norberto Odebrecht, Braskem e Fundação Odebrecht
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Um novo jeito de educar para a vida
O Ginásio Pernambucano, um dos mais tradicionais do país,
foi abandonado e virou ruína na década de 90. Recuperado
por empresas privadas, hoje é referência. A base de
gestão segue a Tecnologia Empresarial Odebrecht
   
   
Karolina Gutiez ◦ texto
Almir Bindilatti ◦ fotos

Olga Lucena Silva tem 16 anos e mora no município de Moreno, na região metropolitana de Recife, com sua mãe, a enfermeira Maria José Lucena, o tio, a avó e um irmão mais novo. Olga, que sempre estudou em escolas da rede pública, hoje cursa a segunda série do Ensino Médio e faz parte da primeira turma de estudantes do Centro de Ensino Experimental Ginásio Pernambucano, desde que ele foi reaberto, em 2004. O modelo pedagógico e o modelo de gestão praticados no colégio, que garantem que a escola seja única em todo o Brasil, têm a Tecnologia Empresarial Odebrecht como base.

A escola fica a 35 km da casa de Olga que, por apresentar boas notas no currículo escolar, foi um dos 320 adolescentes selecionados no primeiro ano de funcionamento da escola, depois de sua recuperação. “Eu queria tanto estudar aqui, que não liguei para a distância”, conta Olga, que já emenda: “Vim de uma escola em que não tínhamos aulas. Aqui, além das aulas, temos laboratórios, salas temáticas e podemos interagir com os professores e com a diretoria, que são nossos companheiros. Nesta escola somos os protagonistas, temos autonomia”.

O Ginásio Pernambucano foi, durante mais de 100 anos, um dos colégios mais tradicionais do Brasil. Na década de 90, devido à deterioração do prédio, localizado no centro de Recife, a escola foi abandonada. Em 1999, depois de uma visita ao local, o ex-aluno Marcos Magalhães, Presidente da Phillips do Brasil, decidiu unir o esforço de empresas privadas para devolver à sociedade aquele que havia sido um símbolo de qualidade de ensino no passado.

Phillips, Odebrecht, ABN Amro/ Real Bank e Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf) aceitaram o desafio de recuperar o espaço e criaram o Instituto de Co-responsabilidade pela Educação, que financiou a obra. O trabalho de restauração foi concluído em 2003. “A Odebrecht ficou responsável pela gestão da reforma do Ginásio Pernambucano. Encontramos muitos obstáculos, pois o prédio é tombado pelo patrimônio histórico”, explica Érico Dantas, da Odebrecht, Responsável por Engenharia na Região Norte. “Por causa das dificuldades, começamos a indagar que tipo de escola aquele prédio abrigaria depois de pronto”, relembra Érico.

Deu-se, então, início à transformação. O Ginásio Pernambucano foi o primeiro passo de uma causa maior: criar um novo modelo de Ensino Médio em Pernambuco. O colégio segue a grade curricular exigida pelo Ministério da Educação e acrescenta disciplinas complementares, com o objetivo de preparar jovens autônomos, capazes de definir seu próprio destino; solidários, com entendimento do seu papel na sociedade e na comunidade em que vivem; e competentes, preparados para a vida profissional.

Os jovens passaram a ter aulas em período integral, o que não é comum em escolas públicas. “A juventude brasileira de baixa renda está exposta à violência e à marginalidade. Por isso, ao conceber o novo modelo, optamos pelo ensino em tempo integral”, relata Marcos Magalhães.

Os professores, que antes trabalhavam em mais de uma escola, passaram a se dedicar exclusivamente às aulas no Ginásio Pernambucano e, para isso, recebem uma remuneração melhor, que pode variar de acordo com seu desempenho. Os docentes têm metas semestrais individuais e recebem uma bonificação ao alcançá-las. Esta, entretanto, não é a única motivação. “A principal é a compreensão deste novo modelo. A partir daí, os professores precisam aceitá-lo e praticá-lo”, define Thereza Barreto, gestora administrativa do Ginásio Pernambucano. Para ela, garantir a aprendizagem dos alunos é o principal negócio dos docentes.

Centros experimentais em todas as regiões do estado

Os pais dos estudantes foram integrados ao processo de aprendizagem e estão sendo preparados para ser educadores familiares. Dessa forma, todos são co-responsáveis pela educação dos jovens: os próprios alunos, os professores e os pais. Essa transformação foi possível graças à confiança que se estabeleceu dentro da escola. Os estudantes passaram a confiar mais em si mesmos e nos professores. Segundo Marilene Montarroyos, Gerente da Secretaria de Educação, “os alunos têm o papel principal no seu autodesenvolvimento e os professores são coadjuvantes no processo, responsáveis por despertar em cada um as habilidades que tem”.

Marcos Magalhães destaca o papel da Odebrecht nessa iniciativa: “Além de orientar a reforma física do prédio, a empresa nos possibilitou conhecer o educador Antônio Carlos Gomes da Costa e Bruno Silveira, que já foi Superintendente da Fundação Odebrecht. Eles nos convenceram a iniciar essa transformação, que começou com Pernambuco, mas pode se estender a todo o Brasil”.

Em 2006, 10 centros de ensino experimental iniciarão suas aulas, abrangendo todas as regiões do Estado de Pernambuco. Em 2005, o município de Bezerros se antecipou e abriu as portas da Escola Técnica do Agreste, totalizando 11 centros. Todos utilizam a metodologia do Ginásio Pernambucano, adaptada às características locais, respeitando a diversidade das regiões. O objetivo dos centros experimentais é inovar para transformar também as demais escolas públicas em centros de excelência.

O Governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos, aprovou a replicação do modelo educacional para esses colégios, que serão Organizações Sociais vinculadas à Secretaria de Educação do Estado e ao Instituto de Co-responsabilidade pela Educação, mas independentes, com regime próprio para gerir os recursos provenientes do Governo Estadual, da iniciativa privada e da comunidade. Em cada centro de ensino haverá um conselho gestor, formado por representantes locais que acompanharão o trabalho da direção da escola.

“Na medida em que tivermos uma rede de centros experimentais, com qualidade no conteúdo, no método e na gestão, a exemplo do Ginásio Pernambucano, poderemos impulsionar um movimento maior”, acredita Bruno Silveira, um dos profissionais envolvidos na concepção desta metodologia, que pode contribuir para a formulação de uma política pública.

Para o educador Antônio Carlos Gomes da Costa, essa mudança representa uma oportunidade para que os jovens desenvolvam mais e melhor o seu potencial. “Eles terão mais razões para olhar para o futuro sem medo, pois sabem que estão sendo preparados para isso. O Ginásio Pernambucano é uma das aplicações criativas da Tecnologia Empresarial Odebrecht fora do mundo empresarial, que se tornou um instrumento importante para despertar nesses jovens a confiança de que precisavam”, afirma Antônio Carlos. A jovem Olga Lucena Silva prova que ele está correto: “Já tenho o meu projeto de vida consolidado. Espero me realizar profissionalmente e irei buscar os caminhos para chegar ao meu objetivo”. Como Olga, a cada ano, 10 mil jovens pernambucanos terão a oportunidade de traçar seu plano de vida dentro dos centros experimentais.

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