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Elas ficam cada vez mais jovens
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Obras de modernização aumentam em até 40 anos a
vida útil de usinas hidrelétricas, com um investimento
equivalente a 15% do custo de construção de uma nova |
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Miucha Andrade ◦ texto
Luciana De Francesco ◦ fotos |
O Brasil tem 587 usinas hidrelétricas em operação, com capacidade instalada de 70.977 MW (megawatts). Dessas, 15% têm mais de 30 anos de operação comercial e 35% tem entre 20 e 30 anos. Contribuindo para manter o sistema energético brasileiro com alto grau de confiabilidade, a Odebrecht trabalha na modernização das hidrelétricas mais antigas de Furnas Centrais Elétricas: a Usina Hidrelétrica (UHE) Mascarenhas de Moraes, que tem 49 anos, a UHE Furnas, de 42 anos, e a UHE Luiz Carlos Barreto (Estreito), 36 anos.
A modernização aumenta a vida útil da usina em até 40 anos, com um investimento equivalente a 15% do custo da construção de uma nova, e reduz as despesas com operação e manutenção. “O conceito de modernização envolve a substituição ou recuperação dos equipamentos e sistemas de uma central hidrelétrica, com o objetivo de aumentar a disponibilidade operacional e a atualização tecnológica”, esclarece Clóvis Ribeiro, Chefe do Departamento de Construção de Geração Corumbá – DGB.T, órgão de Furnas ligado à Diretoria de Construção.
Em 1998, a Odebrecht venceu a licitação para a construção do vertedouro complementar da UHE Mascarenhas de Moraes, em Ibiraci (MG). A obra foi concluída em 2000, ano em que a Odebrecht conquistou seu primeiro contrato de modernização de hidrelétricas no Sistema Furnas, a ser executado na própria UHE Mascarenhas de Moraes. Permaneceu mobilizada no canteiro de obras. O contrato para a modernização da hidrelétrica foi assinado em dezembro de 2000. A previsão é de que as obras estejam concluídas em abril de 2006.
“O contrato não se limita apenas a serviços de reforma de instalações existentes”, afirma Leonardo Lago, Diretor do Contrato. “Estamos adequando a usina aos atuais critérios ambientais.”
As empresas GE-Hydro Inepar, Inepar Indústria e Construções, Alstom Brasil e Construtora Norberto Odebrecht formaram o consórcio empresarial Mascarenhas de Moraes – Cemasc. “O escopo do trabalho envolve diversos segmentos da engenharia. O sucesso do empreendimento requer a união de competências de grandes empresas do setor e da área técnica e operacional de Furnas”, explica Clóvis. A CNO é responsável pela montagem eletromecânica, pelas obras civis e pela infra-estrutura de apoio.
“O grande diferencial do trabalho de modernização é substituir e montar novas estruturas sem interferir na geração da usina”, diz Leonardo Lago. “Por isso, as intervenções são feitas com muito critério e planejamento.”
A Hidrelétrica de Mascarenhas de Moraes foi construída pela CPFL Energia, no início da década de 50, mas Furnas a adquiriu em 1973. Das 10 unidades geradoras (UGs), com capacidade total de 476 MW, quatro serão modernizadas por completo e seis terão intervenção parcial.
A Odebrecht já realizou a modernização completa das quatro UGs, a modernização parcial de três e a ampliação e modernização da subestação de 345 kV. “Ao término da modernização, a usina contará com sistemas de comando e controle de última geração, aumentando seu nível de confiabilidade e possibilitando sua operação remota plena”, salienta Leonardo Lago. “Esse é o conceito de modernização.”
A Hidrelétrica de Furnas, a primeira a ser construída pela então Companhia Furnas, teve seu contrato de modernização assinado em dezembro de 2003, com investimento total de R$ 337,6 milhões. A modernização da primeira UG começou em junho de 2005 e os trabalhos devem ser concluídos em quatro anos pelo consórcio formado por CNO, Voith Siemens, Alstom Brasil e Engevix Engenharia.
Oito unidades geradoras serão modernizadas; seis delas, por completo. Hoje, os equipamentos que atingem o fim de sua vida útil apresentam falhas freqüentes, e as paradas para manutenções corretivas serão reduzidas de forma significativa após a obra. “A modernização está começando na hora certa”, afirma Emílio Piantino, Chefe do Departamento de Produção Minas de Furnas – DRM.O.
A Usina de Furnas, idealizada por Juscelino Kubitschek, entrou em operação em fevereiro de 1963, em São José da Barra (MG). Foi a primeira hidrelétrica de grande porte do Brasil, com geração de 1.216 MW, correspondente à potência de um terço do total instalado no país à época.
Atualmente, Furnas Centrais Elétricas tem 12 usinas geradoras de energia, sendo 10 hidrelétricas e duas termelétricas que, juntas, geram 9.292 MW. Essa energia é transportada por 18.717 km de linhas de transmissão e 43 subestações, garantindo energia para metade dos consumidores do país. “Estamos vivendo um momento histórico com as modernizações”, afirma Emílio Piantino.
A localização da Usina de Furnas, a 300 km de Belo Horizonte, 400 km de São Paulo e 600 km do Rio de Janeiro, é estratégica. A subestação forma um sistema interligado com sete linhas de transmissão. Duas dessas linhas seguem para Itutinga, para fornecer energia ao Rio de Janeiro, duas para Poços de Caldas, para abastecer São Paulo, e uma para Belo Horizonte.
“Outro aspecto importante relaciona-se ao reservatório da UHE Furnas. Ele é fundamental para o processo de geração de energia das hidrelétricas que estão no Rio Grande e no Rio Paraná”, destaca Emílio. “O armazenamento de água da Barragem de Furnas repercute na capacidade de geração da UHE de Itaipu.”
Jovens parceiros da Odebrecht trabalham na modernização de Furnas e de Mascarenhas de Moraes. O carioca Rafael Guigon, engenheiro mecânico, 24 anos, o baiano Alessandro Beraldo, administrador de empresas, 25 anos, e o paulista Walmir Molina, engenheiro civil, 24 anos, moram na mesma república, em Passos, a 32 km da obra. “Gosto da relação entre líder-liderado. Não fico com medo de errar porque sei que tenho o apoio do líder”, afirma Rafael.
Alessandro ficou impressionado com a mobilidade que a Odebrecht proporciona aos seus integrantes. “Ontem estava na Bahia, hoje em Minas Gerais, amanhã posso estar no Mato Grosso ou em Tocantins. Meu destino é o mundo.”
Walmir fez dois anos de estágio na UHE de Mascarenhas de Moraes, trabalha há nove meses como
trainee na UHE de Furnas e asssumiu a responsabilidade pela construção da sala de vigilância. “É uma obra apenas com 109 m2, mas cuido de todo o processo”, relata. “Detalhei o projeto, dimensionei o material e escalei a equipe para o trabalho. Hoje é apenas uma sala, mas amanhã pode ser a casa de força ou até a hidrelétrica inteira.”
O paulista Flávio Scapim, engenheiro civil de 23 anos, mora em Franca (SP), a 70 km de Mascarenhas de Moraes. “O contato direto com representantes do cliente e das empresas que compõem o consórcio tem sido importante para a minha formação”, afirma.
A Hidrelétrica de Luiz Carlos Barreto de Carvalho será a terceira usina a ser modernizada. O contrato foi assinado em maio pelo consórcio formado pela Alstom Brasil, GE-Hydro Inepar, Camargo Corrêa, CCES, CNEC, Engevix e CNO. As equipes da Camargo Corrêa e da Odebrecht trabalharão juntas nas obras civis complementares, na montagem eletromecânica e na infra-estrutura e administração do canteiro de obras. “Desenvolvemos uma relação bastante harmoniosa com a equipe da Camargo Corrêa. Temos de aproveitar esta convivência para agregar valor ao negócio, incorporando as melhores competências de cada parte, sem perder a cultura e o espírito Odebrecht”, afirma Miguel Figueiredo, Diretor do Contrato.
O desafio de modernizar a hidrelétrica é grande para Miguel. Pela primeira vez, ele assume a direção de um contrato. “Estou buscando fazer o que é o certo e tentando obter uma diferenciação a partir da prática da engenharia com criatividade e simplicidade. Tenho consciência de que a qualificação da equipe é fundamental para o sucesso da obra. Portanto, procurei formar minha equipe com pessoas capacitadas e motivadas a enfrentar os desafios”, explica. “São todos jovens e, apesar da pouca idade, têm muita experiência em obras semelhantes e maturidade para assumir os programas delegados.”
Miguel trabalha há 13 anos na Construtora Norberto Odebrecht e acaba de participar do Programa de Desenvolvimento de Empresários (PDE). “Sou do Rio de Janeiro e comecei como trainee na UHE de Cachoeira Dourada, em Goiás. Na UHE Corumbá, fui responsável pela área de engenharia de montagem e tive meu primeiro contato com Furnas. Em seguida trabalhei em Santa Catarina, na UHE de Itá, e, em 2001, Leonardo Lago e Eleuberto Martorelli me convidaram para a obra de Mascarenhas de Moraes. Agora me foi proposto esse novo desafio e estou bastante motivado. Essas oportunidades nos dão mais energia para o trabalho”, diz Miguel.
A UHE Luiz Carlos Barreto de Carvalho, no município de Pedregulho (SP), tem 36 anos de operação e potência instalada de 1.050 MW, com uma subestação de 345 kV (quilovolts), que alimenta cinco linhas de transmissão. A Odebrecht irá modernizar as unidades geradoras de 1 a 6 e capacitar a usina para a operação remota. “O processo é semelhante ao dos outros contratos, e nosso foco, além de satisfazer o cliente e formar pessoas através da Educação pelo Trabalho, será minimizar as interferências na geração de energia e na operação”, informa Miguel Figueiredo.
A consolidação no mercado de modernização de hidrelétricas no Brasil e no exterior é um dos objetivos da Odebrecht. Os Estados Unidos investem anualmente US$ 150 milhões em projetos de modernização e repotencialização de seu parque gerador hidráulico, através de um programa estratégico, implementado 20 anos antes do Brasil. Tendo como base o exemplo americano, prevê-se um crescimento significativo da necessidade de modernizar usinas hidrelétricas no país. “Estamos apenas no começo”, enfatiza Miguel.
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