nº 122 - Janeiro/Fevereiro de 2006
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 Publicação interna da Organização Odebrecht – Odebrecht S.A, Construtora Norberto Odebrecht, Braskem e Fundação Odebrecht
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Transformações sociais
Aqueduto Noroeste, com 228 km de extensão, e
Hidrelétrica de Pinalito, com potência de 50 MW,
levam água e luz ao interior da República Dominicana
Afinidades com o Brasil
   
   
Karolina Gutiez ◦ texto
Holanda Cavalcanti ◦ fotos

O foco nos setores de água e energia elétrica desde que iniciou sua atuação na República Dominicana garantiu à Odebrecht liderar dois dos maiores projetos de infra-estrutura em andamento no país: a segunda etapa do Aqueduto Linha Noroeste e a Central Hidrelétrica de Pinalito. “Quando as obras estiverem concluídas, o impacto nas comunidades vai ser enorme”, afirma Ernesto Baiardi, Diretor-Superintendente da Odebrecht.

A segunda etapa do Aqueduto Linha Noroeste começou em outubro, e o consórcio responsável pelos trabalhos é formado pela Construtora Norberto Odebrecht e pela Andrade Gutierrez. O projeto ampliará as redes de distribuição e substituirá a tubulação antiga, hoje em condições precárias, por tubos de PVC. A medida solucionará o problema dos vazamentos e levará água a mais de 800 mil pessoas nas províncias de Mao Valverde, Dajabon, Monte Cristi, Santiago Rodríguez e Santiago. A área alcançada é de 3 mil km2, no noroeste do país, próxima à fronteira com a República do Haiti (veja infográfico).

O contrato prevê, ainda, a construção de mais 58 km de adutora para levar água a diversos municípios, ampliando a que foi construída na primeira etapa do aqueduto, entregue em março deste ano ao Inapa – Instituto Nacional de Água Potável e Esgoto, uma autarquia ligada à Presidência da República. Naquela fase inicial, além dos 170 km de adutora, o consórcio construiu uma estação de tratamento de água e quatro reservatórios. “O desafio, agora, é garantir que essa água chegue às casas das pessoas com qualidade e sem interrupções”, explica Marcos Machado, Diretor do Contrato. Segundo ele, o projeto, que será concluído em junho de 2007, suprirá, por mais de duas décadas, as necessidades de água potável das comunidades atendidas.

Leidy Almonte, de 21 anos, mora em Mao Valverde, onde cursa Administração de Empresas. A jovem conta que, até pouco tempo, ela e os vizinhos compravam água dos caminhões-pipa, que passavam uma vez por mês, para encher as cisternas. A água só saía das torneiras com o auxílio de uma bomba, aumentando o consumo de energia elétrica, que é muito cara no país.

Além de água, o projeto está levando emprego para a população que vive no seu entorno. Dos 190 trabalhadores envolvidos na ampliação do aqueduto, apenas 17 não são dominicanos. No pico dos trabalhos, 900 pessoas serão contratadas, todas da região. Leidy é um exemplo. Atualmente, ela é responsável pelo arquivo técnico na obra do aqueduto.

O valor do contrato é de US$ 90 milhões, dos quais US$ 65 milhões são financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e os US$ 25 milhões restantes, pelo Deutsche Bank. Todos os materiais utilizados na ampliação do aqueduto são importados do Brasil, por causa do perfil do financiamento, e por isso exigem uma logística sofisticada. Os produtos devem ser solicitados com, no mínimo, 75 dias de antecedência. Só de tubos de ferro fundido, serão utilizados 100 km; de PVC, serão 1.100 km, com diâmetros diversos, que serão fornecidos pela Tigre, cliente da Braskem. Quando os tubos chegarem à República Dominicana, a Tigre vai oferecer um treinamento de dois meses para os integrantes da obra.

Obras na República Dominicana

A logística chama a atenção, também, no contrato da Central Hidrelétrica de Pinalito, localizada na cidade de Constanza, província de La Vega, região montanhosa, com 1.250 m de altitude, a 150 km da capital, Santo Domingo. Assim como a obra do aqueduto, Pinalito importa do Brasil todos os produtos utilizados em sua construção. Entre o pedido e a entrega de material, são 75 dias, o que exige muito planejamento para que nada chegue atrasado ao local da obra, que é de difícil acesso devido à distância da capital (veja mapa) e às condições das estradas. “O destaque de Pinalito está no desafio técnico e logístico”, enfatiza Heitor Azevedo, Diretor do Contrato. A quantidade de aço importado do Brasil, por exemplo, é de 3.800 t. Já foram gastos com as importações brasileiras US$ 15 milhões e estão compromissados mais US$ 35 milhões.

“Pinalito é um projeto complexo, apesar de a potência instalada ser de 50 MW (megawatts)”, explica Heitor. Este é o primeiro investimento em hidrogeração na República Dominicana em 12 anos. A hidrelétrica aumentará em 10% a capacidade instalada do país, produzindo 157 GWh (gigawatts/hora) de energia por ano.

Quando entrar em operação, Pinalito permitirá uma economia anual de 387 mil barris de petróleo, a principal matéria-prima utilizada para gerar energia atualmente. A República Dominicana fica suscetível à variação do preço do barril no mercado internacional e o consumidor final paga uma tarifa alta pela energia elétrica. Uma família de cinco pessoas, com um consumo mensal de 900 kW (quilowatts), gasta o equivalente a R$ 1.200,00 de conta de luz. E os apagões são diários. Quem tem condições, utiliza um gerador, mas também paga caro pela gasolina que o mantém em funcionamento.

O Rio Tireo, que nasce na província de La Vega e vai até à vizinha Monsenhor Noel, foi desviado em julho. O rio não é caudaloso, mas o relevo acidentado da região favorece a construção da hidrelétrica, que terá uma queda d´água de 540 m. A equipe de 700 pessoas, 640 das quais dominicanas, está no começo da construção da barragem, que é feita paralelamente à escavação do túnel de captação de água, 35% concluído, e de um túnel complementar. A casa de máquinas também já está em execução (veja infográfico e acompanhe o andamento da obra). O valor do contrato é de US$ 185 milhões, sendo US$ 101,5 milhões financiados pelo BNDES para exportação de bens e serviços brasileiros. A primeira turbina começará a gerar energia em setembro de 2007.

Desde que a obra começou, em janeiro de 2005, a Odebrecht vem desenvolvendo ações sociais que estão transformando a dura realidade local, entre elas a recuperação do Centro Educativo de Pinalito, onde os filhos de parte dos integrantes da hidrelétrica estudam. Outro exemplo foi a construção de uma ponte ligando o distrito de Pinalito ao de Tireo Abajo, em Constanza, o que torna possível aos habitantes o trânsito e o transporte de mercadorias, como é o caso de Alejandro Ortiz, produtor de batatas. A região é o pólo hortifrutícola do país e o agricultor vende sua produção para Santo Domingo. Antes da construção da ponte, entretanto, ele conta, seus filhos chegaram a atravessar o Rio Tireo com as batatas nas costas.

Em Tireo Abajo, 38 famílias que vivem bem perto do canteiro de obras conseguiram do Governo um transformador, mas não tinham como instalá-lo. A Odebrecht ergueu dois postes e fez a ligação até as casas. Rita Quezada e Miguelina Adamy, donas de casa, comemoram a chegada da energia: “Não era possível passar roupa, ouvir rádio ou ver televisão. A vida melhorou muito”. A luz chegou também ao parque público Anacaona, em Constanza, depois que a Construtora recuperou o espaço e instalou a iluminação, reduzindo a violência no local.

Até a conclusão da obra, muitas ações estão previstas: a ampliação e a construção de escolas, o reparo das estradas de acesso à obra, bastante deterioradas, e a recuperação de aquedutos e tomadas d´água da região, em parceria com o cliente, garantindo o abastecimento das casas. Juan Tactuck, Diretor da Secretaria de Turismo de Constanza, que recebe muitos turistas nos fins de semana em busca do clima das montanhas, planeja utilizar o projeto para desenvolver este setor na região. “O lago da hidrelétrica vai servir para as atividades aquáticas, impulsionando o turismo de aventura”, afirma.

A Central Hidrelétrica de Pinalito desencadeará novos investimentos nesse tipo de geração de energia. “A Odebrecht firmou um novo contrato com a Corporação Dominicana de Empresas Elétricas Estatais, cliente no projeto em Pinalito, para a construção da Hidrelétrica de Palomino, na província de San Juan de La Maguana, que fica na região sudoeste do país”, antecipa Ernesto Baiardi. A usina terá 100 MW de potência instalada e a Odebrecht está trabalhando na estruturação do financiamento e no estudo de engenharia e dos impactos ambientais, que incluem ações sociais, repetindo o que foi feito em Pinalito.

A hidrelétrica aumentará em 10% a capacidade instalada do país, produzindo 157 GWh de energia por ano. Quando entrar em operação, Pinalito permitirá uma economia anual de 387 mil barris de petróleo

É lá também que acontece o primeiro programa de Jovens Parceiros da República Dominicana. São nove participantes, todos dominicanos, que foram escolhidos entre 365 inscritos. Eles já estão conduzindo seus Programas de Ação e, uma vez por mês, participam de uma discussão com Júlio Cruz, Responsável por Administração e Finanças, sobre a Tecnologia Empresarial Odebrecht (TEO). Ernesto Baiardi observa que este é o caminho para consolidar a presença da Odebrecht no país: “Precisamos integrar e formar pessoas, transmitindo a TEO e a cultura da Organização, porque nossa visão na República Dominicana é de longo prazo”.

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