nº 122 - Janeiro/Fevereiro de 2006
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 Publicação interna da Organização Odebrecht – Odebrecht S.A, Construtora Norberto Odebrecht, Braskem e Fundação Odebrecht
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Antonio dos Prazeres Costa, o Dedinho,
integrante da Odebrecht desde 1968, é um
exemplo da motivação e da vocação para servir
   
   
Valber Carvalho ◦ texto
Christian Cravo ◦ foto

No cartório de São Felipe (BA), ele foi registrado como Antonio dos Prazeres Costa. Era julho de 1948 e o pequeno Antonio sequer desconfiava que seu nome só “duraria” 20 anos.

Aos 6 anos, sua família se transferiu para o bairro do Retiro, em Salvador. Aos 10, ele começou a trabalhar montando caixas numa fábrica de sabão.

Um dia, após ser dispensado do serviço militar, procurou um vizinho de nome Deusdete para lhe pedir trabalho. Corria o ano de 1968 e Deusdete, que trabalhava na Odebrecht, ofereceu-lhe um posto na construção da Ponte do Funil, que ligaria o lado sul da Ilha de Itaparica ao continente.

Antonio, com seu 1,59m, não era homem de pensar duas vezes. Foi. Mas não duraria uma semana no novo serviço. No quinto dia de trabalho seccionou profundamente o polegar da mão direita numa lâmina de corte. Depois de receber os primeiros socorros no canteiro de obras, Antonio foi medicado numa clínica em Salvador.

“Cadê o nome?”, gritou o médico enquanto conferia sua ficha de atendimento. O enfermeiro da obra esquecera de colocar o nome ao preencher a ficha. “Vou colocar seu nome aqui como ‘Dedinho’ e da próxima vez só vou lhe atender se trouxer a ficha preenchida”, disse o médico. A partir daquela data, desaparecia Antonio, surgia Dedinho.

Devido à lenta cicatrização da ferida, Dedinho foi transferido para o escritório da obra, no bairro do Retiro, em Salvador. Trabalhava diretamente com “Seu Costa”, encarregado da obra da Ponte do Funil. Começou então a demonstrar suas qualidades: disposição para trabalhar, vivacidade, memória prodigiosa e vontade de aprender. Quando a obra chegou ao fim, em 1970, Dedinho foi efetivado como servente.

Em pouco tempo, foi promovido a auxiliar de almoxarifado, em seguida a auxiliar administrativo e por último a auxiliar administrativo II, cargo que ocupa desde 1998. Ele conta que, até o início da década de 70, os diretores não tinham secretárias e por isso o contato com eles era muito freqüente. Cabia a ele ser despachado para executar as missões mais inusitadas. “Já fui recolher assinatura de diretor da empresa, tarde da noite, na cozinha da casa dele”, conta, com sua fala rápida.

Dedinho atuou, entre outras obras, na Ponte do Funil, na Ponte sobre o Rio Pardo (em Camacã, sul da Bahia), no Emissário Submarino de Salvador, na Empreendimentos Imobiliários (construção dos bairros de Caminho das Árvores e Vilas do Atlântico), na OPL – Odebrecht Perfurações, em Aracaju, e no DOS – Departamento de Obras e Terras de Salvador.

Em 1980 passou a trabalhar na Área de Propostas, como uma espécie de faz-tudo administrativo. “De obra eu entendo tudo e conheço o CREA (Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura) como se fosse minha casa”, orgulha-se.

Uma das gratas lembranças que guarda da empresa é de esta ter-lhe proporcionado a oportunidade de melhorar os poucos estudos que tinha, bancando um supletivo de segundo grau.

Em 2002, Dedinho se aposentou, mas, segundo ele, “não consegue ficar distante da Odebrecht.” Hoje trabalha no Ciaden – Centro de Desenvolvimento de Informações e Engenharia e pode ser encontrado diariamente no escritório do TMS 2 – Transporte de Massa de Salvador, na Avenida Tancredo Neves, em Salvador.

Casado oficialmente desde 1979, Dedinho tem um filho de 23 anos e uma neta de quatro anos. Uma vez, alguém quis mudar seu nome, mas desistiu na primeira reunião de trabalho quando viu que os diretores só o tratavam como Dedinho. O segredo de tanta popularidade? “Sou alegre com todo mundo, trato o chefe e o vigilante do mesmo jeito.”

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