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Pequenas notáveis
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Plantas piloto da Braskem consolidam sua
tradição de formar especialistas e possibilitar
saltos tecnológicos, contribuindo de forma decisiva
para o aumento da competitividade da empresa
Projetos voltados para novos produtos |
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Luciana Moglia ◦ texto
Eneida Serrano ◦ fotos |
O ditado “tamanho não é documento” pode resumir a relevância das plantas piloto para a Braskem. Praticamente todas as resinas da Braskem passaram primeiro por elas, que entregam às plantas industriais a receita com as condições operacionais para cada produto. Responsáveis por atestar a excelência em processos, as pequenas notáveis fazem toda a diferença para uma empresa que tem na inovação e na tecnologia fatores críticos de sucesso.
A Braskem possui seis plantas piloto de polímeros e uma de catalisadores (veja infográfico). É a única empresa no Brasil que tem plantas piloto com tecnologia Spheripol, Unipol e Spherilene. A relação de tamanho das plantas piloto com as “plantas-mãe” é de 1 para 200-500. Enquanto a capacidade de produção das primeiras é de 150 kg a 200 kg por hora, a das plantas industriais pode ultrapassar a 35 t a 40 t por hora.
A primeira planta piloto da empresa, com tecnologia para produção de PVC, iniciou a operação em 1988. Mas o divisor de águas começara em 1987, com o surgimento de uma nova tecnologia para polipropileno: a Spheripol. Na época, a PPH (depois integrada à Odebrecht e posteriormente à Braskem) optou por essa tecnologia. Firmou com a Himont, hoje Basell, acordo tecnológico prévio para construção da planta industrial, dos laboratórios de pesquisa e desenvolvimento e da planta piloto. Estava lançada a semente para o projeto da Planta Piloto de Polimerização Spheripol.
Naquele mesmo ano de 1987, era dado início ao projeto da planta industrial, que partiria em 15 de março de 1991, oito meses após a partida da piloto.
Formando o time de especialistas
O desafio estava lançado. Tudo era novo. Era preciso encontrar pessoas abertas a lidar com algo totalmente diferente, a enfrentar desafios diários, com raciocínio rápido, e o mais importante: dispostas a aprender. Nesse período, foram contratadas 67 pessoas, a maioria com menos de 30 anos, para atuar na planta piloto.
Roberto Jiménez, na época Responsável pela planta piloto e hoje Gerente da Área de Qualidade e Produtividade, liderou a seleção. “Priorizamos gente jovem, versátil e com capacidade de abstração”, lembra Jiménez, que, na época, fez estágio de um ano no centro de tecnologia da Himont, em Ferrara, na Itália. Jonatas Martins Sanches e Antônio Bragança também participaram da missão de absorver a nova tecnologia e depois transmiti-la a operadores e engenheiros que trabalhariam nas novas plantas.
“Quando voltamos, comprovamos que os resultados obtidos com a nova tecnologia em escala piloto podiam ser utilizados nas plantas industriais”, relata Bragança, hoje Responsável por Parcerias Estratégicas em Tecnologia da Braskem e que já foi Responsável pela planta piloto. “É ali que se conhece os limites do processo, até onde podemos ousar.”
Nas plantas piloto da Braskem surgiram vários talentos. Além do desenvolvimento de novos produtos, novas carreiras profissionais foram impulsionadas. Carreiras como a de Ana Teresa Oliveira Ballvê, que ingressou na empresa em agosto de 1989, durante a fase de montagem da planta piloto, 11 meses antes do seu início de operação. “Fui a primeira profissional a trabalhar no setor de tecnologia da Braskem”, lembra Ana Teresa. Seu primeiro dia de trabalho lhe causou certa apreensão. “Não tinha a menor idéia de como se usava uma planta piloto. Trabalharíamos com uma tecnologia inédita no Brasil. Era preciso adaptar a ferramenta planta piloto à nossa empresa”, recorda a engenheira.
A Himont utilizava as pilotos para criar novas tecnologias. Já a Braskem visava a melhora dos processos e o desenvolvimento de novos produtos. “Foi preciso estudar muito, inclusive italiano, para facilitar a conversa sobre tecnologia”, relata Ana Teresa. Mas o grande desafio estava na busca das melhores condições de processo. Afinal, lá é o local ideal para testes. “Na piloto, testamos idéias novas, melhoramos as condições de produção de um produto e o levamos para escala industrial com condições otimizadas”, conclui.
A planta piloto Spheripol completou em julho 15 anos de operação. Todas as mais de 60 resinas de polipropileno hoje produzidas pela Braskem passaram por lá. Inovações como os copos de polipropileno, grades para linha branca mais transparentes e uma série de novos produtos para indústria automotiva foram testadas antes na planta piloto. “Todas as resinas de polipropileno foram modificadas e adequadas às necessidades dos nossos clientes e mercados”, destaca Enio Rubbo, Gerente de Processo das plantas piloto.
Formado em engenharia química, especialista em processos petroquímicos e em petroquímica pela Sogesta (Itália), Enio Rubbo tem 22 anos de empresa e lidera uma equipe no Rio Grande do Sul e outra na Bahia. “Precisamos descobrir e desenvolver coisas novas. É preciso montar estratégias em equipe para descobrir a melhor forma de fazer isso”, diz.
Fábrica de talentos
Antonio Carlos Gonçalves de Lima começou como operador júnior, aos 24 anos de idade, em 1988. Passados 17 anos, é operador especialista e lidera um dos grupos de turno. Antes de iniciar sua carreira na petroquímica, não tinha idéia de como operar uma planta. Em pouco tempo, percebeu quão intenso era trabalhar em uma planta piloto: “É preciso estar sempre estudando. Aprendemos uma coisa nova a cada dia. Devemos conhecer o produto e o processo que estão sendo executados. Cada um deles envolve matérias-primas, catalisadores, temperaturas, pressões e reações diferentes”. Com a experiência adquirida, Antonio Carlos participou da montagem e partida de várias plantas piloto. Ele não perde de vista os produtos após saírem redondinhos da piloto para a planta industrial. “Gosto de acompanhar o desempenho das resinas depois que estão no mercado. Afinal, nos sentimos um pouco donos de todas as novidades que saem da Braskem.”
A resina Utec, por exemplo, foi totalmente desenvolvida na Planta Piloto Slurry de Camaçari. E, sempre que surge uma nova idéia a ser testada, volta para seus reatores para aperfeiçoamento de suas propriedades e ampliação das aplicações. “É preciso testar os limites para estabelecer boas condições operacionais”, destaca Enio Rubbo.
A fábrica de talentos das plantas piloto segue produzindo. Aos 30 anos, o engenheiro José Isaias Camaratta da Costa é coordenador de operações das plantas piloto de Triunfo. Há oito anos, ingressava como estagiário em turno na operação da planta industrial. A sorte conspirou em favor dele. Quatro meses após sua formatura, em abril de 2003, surgiu vaga como engenheiro de processo nas plantas piloto. A vaga foi oferecida através da Intranet Braskem. Candidatou-se e conquistou a posição.
“As plantas piloto operam segundo uma filosofia voltada para o desenvolvimento de produtos e processos. Há necessidade de respostas rápidas. Trabalhamos com muitas coisas que não conhecemos e não sabemos como vão se comportar. São novas receitas, novas condições de processos, produtos, matérias-primas...”.
E quem disse que a sorte não bate duas vezes à mesma porta? Este ano, surgiu a vaga de Coordenador de Operações. E lá estava Isaias, pronto para disputar a nova oportunidade. “O fato de eu já ter experiência em operações facilitou meu relacionamento com a equipe de operação”, diz. Em agosto de 2005, foi promovido a Coordenador. Isaias tem consciência de que a piloto é a melhor escola para o aprendizado e o crescimento. “O melhor lugar para aprimorar a bagagem de tecnologia de processos é aqui.”
Cronologia da entrada em operação das plantas piloto da Braskem
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