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União de compromissos
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Realizando projetos de grande impacto social e
econômico e formando equipes locais, a Odebrecht
se integra cada vez mais à Venezuela
Um líder educador e uma equipe motivada |
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Cláudio Lovato Filho ◦ texto
Luciano Andrade ◦ fotos |
Quando chegou ao Aeroporto Simon Bolívar, no dia 23 de abril de 1994, o Diretor-Superintendente Euzenando Azevedo tinha escassos conhecimentos sobre a Venezuela. Ao entrar no táxi, viu as luzes e os prédios de Maiquetía, cidade da região metropolitana de Caracas onde fica o aeroporto, e achou que a capital venezuelana fosse ali mesmo. A certa altura do trajeto até Caracas, de cerca de 45 minutos com tráfego bom, Euzenando se perguntou: “Aonde este sujeito está me levando?”
Euzenando estava chegando para substiuir Marcelo Jardim, hoje Diretor-Superintendente da Odebrecht nos Emirados Árabes Unidos e que estava no grupo dos primeiros integrantes da Odebrecht a chegar à Venezuela, em 1992. Para o pernambucano Euzenando, o desafio de conhecer o país, adaptar-se à sua realidade e buscar oportunidades de crescimento começava a ser vivido.
À época, a Odebrecht realizava um único empreendimento na Venezuela: a construção do Centro Lago Mall, shopping center em Maracaibo – a segunda maior cidade do país –, que receberia, em 1998, o prêmio de Obra do Ano, concedido pela Câmara da Construção do Estado Zulia, do qual Maracaibo é a capital.
Hoje, a Odebrecht é uma das principais empresas de engenharia e construção da Venezuela, responsável, entre outras, pela maior obra em andamento no país, a Segunda Ponte sobre o Rio Orinoco, na região de Guayana (um detalhado artigo sobre a geografia, fauna e história da exploração do Rio Orinoco pode ser encontrado em www.ub.es/geocrit/b3w-110.htm ). Desde 1992, ano da chegada dos primeiros integrantes da empresa, a Odebrecht vem priorizando a formação de equipes locais e a parceria com companhias e instituições venezuelanas, estreitando laços com as comunidades nas quais atua, integrando-se cada vez mais ao país, aprofundando-se em sua realidade e compartilhando de seus sonhos e suas expectativas.
Para realizar os sonhos e atender às expectativas dos 24 milhões de habitantes do país – que mescla a influência européia, africana e indígena, e é o décimo maior produtor e o sexto principal exportador de petróleo do mundo –, o Governo da Venezuela vem investindo com força na ampliação da infra-estrutura. A Odebrecht participa desse esforço. No setor de transportes, além da Segunda Ponte sobre o Orinoco, a empresa constrói e amplia três linhas de metrô em Caracas e na região metropolitana, e, no setor agrícola, executa o Projeto de Irrigação El Diluvio-Palmar, em Maracaibo.
No setor de petróleo
Concluídas as obras do Centro Lago Mall, o desafio de Euzenando Azevedo e sua equipe era fazer a Odebrecht crescer na Venezuela. Eles definiram o setor de petróleo como prioritário. Estavam seguros de que a Odebrecht, com sua experiência internacional em projetos nesse setor, tinha uma importante contribuição a dar à indústria petrolífera da Venezuela, responsável por 80% do PIB do país. “Queríamos prestar serviços para a indústria do petróleo, mas não como subcontratados. Sabíamos da nossa capacidade de oferecer uma contribuição qualificada ao país. Com serenidade, nos propusemos a identificar as melhores oportunidades”, relembra Euzenando.
A estratégia demonstrou sua eficácia em 1998, quando a Odebrecht conquistou seu primeiro contrato com o Governo da Venezuela, através da estatal Petroleo de Venezuela (PDVSA). A obra a ser executada pela Odebrecht era o Terminal de Embarque de Petróleo de Jose, nome do distrito industrial de Puerto La Cruz. Uma relação de confiança fora estabelecida com a PDVSA e com o Governo. A Odebrecht provava sua capacidade e crescia no país.
Na seqüência, executou o Projeto de Reutilização de Águas Servidas (RAS), no Lago de Maracaibo. Com esse projeto, de grande complexidade técnica, a Odebrecht conquistou o prêmio Obra do Ano em 2002, outorgado pela Câmara da Construção do Estado Zulia.
Jessé Coutinho participou desse momento da empresa. Está na Venezuela há 10 anos. É Responsável por Administração Contratual nas obras das linhas 3 e 4 do Metrô de Caracas. Chegou ao país depois de experiências no Brasil, no Peru e no Equador. Em 2002, casou-se com a venezuelana Mary. Rodrigo, o primeiro filho do casal, tem 3 anos. “Desde o início buscamos demonstrar nossa capacidade de realizar, de gerenciar, de nos relacionarmos.”
Dessa forma, a Odebrecht se integrou plenamente ao país. Hoje, é uma empresa constituída, cada vez mais, por venezuelanos. José Cláudio Daltro, Responsável por Administração e Finanças da Odebrecht na Venezuela, chegou ao país em 1999. Na Organização desde 1977, foi um dos pioneiros no Peru e atuou também na Argentina e no Chile, além do Brasil. Em seu cotidiano de trabalho, apóia as equipes dirigentes das obras na formação de profissionais locais. “Quanto mais a Odebrecht formar equipes venezuelanas, mais estará integrada ao país. E o caminho para isso é buscar identificar gente daqui, que esteja motivada a crescer tendo por base os princípios e valores da Tecnologia Empresarial Odebrecht.”
Na frente externa, José Cláudio coordena os trabalhos de comunicação empresarial e de relações institucionais, e dedica especial atenção ao diálogo com o meio acadêmico e com entidades de classe. “A Odebrecht tem uma importante contribuição a dar ao país, em termos técnicos e filosóficos.” Em 2005, a empresa participou, entre outros eventos, de palestras, simpósios, congressos e feiras realizados pela Universidade Católica Andrés Bello, pela Universidade Central da Venezuela, pelo Colégio de Engenheiros do Estado Carabobo, pela Câmara da Construção do Estado Bolívar e pela Câmara da Construção da Venezuela.
No setor de transportes
A Odebrecht ampliou seus horizontes na Venezuela a partir da vitória na concorrência para a construção da Linha 4 do Metrô de Caracas, a primeira obra da empresa no setor de transportes no país. O anúncio do resultado da concorrência ocorreu no fim de 1998.
Obras na Venezuela
No ano 2000, além de iniciar as obras da Linha 4, a empresa viu atingido um objetivo acalentado com enorme expectativa: a conquista do contrato para construção da Segunda Ponte sobre o Rio Orinoco, empreendimento da Corporação Venezuelana de Guayana – CVG, empresa governamental responsável pelo desenvolvimento da região. Fruto de mais de 20 anos de reivindicações da população, a obra tem financiamento do programa de apoio às exportações de bens e serviços do Banco do Brasil.
“Naquela altura”, ressalta Euzenando Azevedo, “já havíamos concluído o Centro Lago Mall, o Terminal de Embarque de Jose e o Projeto RAS. A construção da Linha 4 do Metrô e da Segunda Ponte sobre o Orinoco estavam em curso. Tínhamos, portanto, fixado raízes em Maracaibo, Puerto La Cruz, Caracas e Puerto Ordaz. Estávamos presentes em quatro regiões do país, consolidando uma atuação nacional.”
A obra recebe diariamente visitas de estudantes de universidades e escolas técnicas e de integrantes de entidades de classe de toda a Venezuela. A Engenheira Civil Linep Espinoza, 25 anos, formou-se em 2003 na Universidade Nacional Experimental das Forças Armadas (Unefa), em sua cidade natal, Maracay. Ingressou na Odebrecht em 2004 e integra a equipe de Engenharia da ponte, liderada por Mauro Martins. Está sempre com sua máquina fotográfica Kodak profissional a tiracolo, aonde quer que vá. Entre outras missões, realiza o acompanhamento fotográfico da obra. “Quando digo para meus ex-colegas de universidade que estou trabalhando aqui, eles ficam emocionados”, relata Linep, explicando o sentimento de muitos estudantes e jovens profissionais de seu país em relação ao projeto.
O relacionamento com a comunidade também é destaque no empreendimento. No canteiro de obras, há um mirante, situado na margem sul do Rio Orinoco. Ali, com apoio da CVG e da Odebrecht, foram instaladas, em junho de 2005, lojas de artesanato, doces e roupas e um restaurante, cujo funcionamento é de responsabilidade da Cooperativa Águas Claras de Caruachi, que tem 21 associados.
Diego Quilarque é um deles. Engenheiro agrônomo, dedica-se agora ao comércio. “Estamos nos acostumando ao novo negócio”, diz ele, morador do município de San Jacinto. Em média, 4 mil pessoas, a maioria turistas, visitam o local. “Já veio até gente da Índia”, diz Almira Martínez, também sócia da cooperativa. Seu Presidente, Santiago Cedeño, marido de Almira, um ex-oficial da Marinha Mercante, afirma: “Queremos crescer. Para isso, estamos capacitando as pessoas”. Todos os produtos vendidos no mirante são originários da região. “É uma vitrine para a comunidade mostrar o que produz”, diz Diego Quilarque.
No setor agrícola
Do mesmo modo que no setor de transportes, em 2000 também se abriram as portas para a atuação da empresa em um novo setor, o agrícola – um dos destaques da economia da região de Maracaibo –, com a conquista do contrato para as obras do Projeto de Irrigação El Diluvio-Palmar (veja fotos do projeto de irrigação no site www.inder.gov.ve/inder_galeria_01.htm ).
Iniciativa do Instituto Nacional de Desenvolvimento Rural (Inder), El Diluvio-Palmar está ultrapassando a condição de projeto de irrigação para se transformar em projeto socioeconômico. Estradas, escolas e casas vêm sendo construídas em sua esteira. Ações sociais são desenvolvidas para proporcionar o aprimoramento da qualidade de vida dos moradores da região, entre eles os integrantes de cinco comunidades indígenas.
O projeto está situado numa área de conflito, a fronteira com a Colômbia. São freqüentes as infiltrações de guerrilheiros do país em terras venezuelanas. Os seqüestros de pecuaristas são comuns e, por tudo isso, o Exército e a Guarda Nacional da Venezuela se tornaram verdadeiros parceiros da Odebrecht no projeto. O anillo invisible de seguridad, uma rede de informações constituída por moradores da região com a finalidade de auxiliar na proteção dos integrantes da empresa, vem desempenhando um papel fundamental. Na condição de beneficiários da obra, fazem o possível para colaborar. El Diluvio-Palmar, devido a tudo isso, é um instrumento de ocupação ordenada da fronteira, através do qual o Estado se faz presente. É nesse ambiente desafiador e rico em oportunidades de crescimento que está sendo formado um grupo de jovens engenheiros e administradores venezuelanos que, além de exercer tarefas cotidianas no canteiro de obras, se aprofunda no conhecimento e na prática da Tecnologia Empresarial Odebrecht.
Em 2002, abre-se uma nova frente de contribuição no setor de transportes: a Odebrecht vence a licitação internacional da Companhia Autônoma Metrô de Los Teques para a construção do Metrô de Los Teques, município de 140 mil habitantes na região metropolitana de Caracas (informações sobre metrôs venezuelanos, com fotos e links, em www.urbanrail.net/am/cara/caracas.htm ). Nesse mesmo ano, na capital do país, uma nova conquista: a ampliação da Linha 3 do Metrô da capital, iniciada em 2003.
Patamar de estabilidade
O ano do início das obras da Linha 3 foi o mesmo da chegada do engenheiro civil Yuri Kertzman à Venezuela. Tinha 30 anos e vinha de uma experiência de quatro anos em Angola. Responsável por Obras Civis na Linha 3, Yuri participou da primeira edição do Programa de Desenvolvimento de Empresários (PDE) da CNO. Foi convidado a se integrar à equipe da obra pelo Diretor de Contrato Antônio Carlos Daiha Blando. “Encontrei aqui na Venezuela um ambiente muito propício para crescer pessoal e profissionalmente. Há grandes obras em curso, uma forte integração de culturas e as oportunidades de capacitação são constantes.”
Ao analisar a trajetória da Odebrecht na Venezuela, Euzenando Azevedo é categórico: a história foi rica em desafios, aprendizados e conquistas, mas o passado, como sempre, ficou para trás. O que conta é o presente e o futuro. “A Odebrecht atingiu um patamar de estabilidade na Venezuela”, salienta Euzenando. “A sobrevivência está garantida. Então, é crescer. Nossos objetivos são estabilizar o faturamento, manter a constância na geração de oportunidades de trabalho e estar presentes em todas as grandes oportunidades no país. Tudo isso, porém, está condicionado à continuidade da nossa caminhada na direção de nos tornarmos uma empresa venezuelana, objetivo que só será atingido se tivermos em mente que é preciso integrar e formar equipes no país. Queremos pessoas motivadas a se integrarem. Temos de buscar pessoas de caráter e motivá-las. A Odebrecht foi criada assim.”
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